26 de abr de 2018

N de não-binárie

E mais uma vez apareço aqui com uma nova sigla.

Após muita reflexão, decidi que era justo adicionar a letra N para as pessoas não-binárias.

Antes eu não fazia essa questão porque eu insistia em reforçar que pessoas n-b estavam inclusas na letra T de transgêneros, mesmo havendo não-bináries que não se consideram trans.

Embora o conceito de transgênero englobe a não-binariedade, na prática, a causa e a comunidade T focam exclusiva ou predominantemente nas pessoas trans binárias - mulheres e homens. Aqui no Brasil também adicionam as travestis (mesmo havendo aquelas que se identificam como mulheres, e aquelas que se encaixam numa não-binariedade).

Por esse motivo, mais todo histórico de apagamento das identidades n-b, e mais todas as pautas específicas desse segmento me fizeram perceber que é mais do que justo o segmento ter uma visibilidade única. E por isso agora coloco a letra N na sigla.

A não-binariedade atingiu proporções que espaços voltados à binariedade e a gêneros dentro de concepções comuns não conseguem contemplar. E espaços T, infelizmente, falham nisso. Esses espaços falham em:

- reconhecer a neolinguagem e aquelus que a utilizam;
- falar de gêneros sem relação com os binários ou que não envolvem as qualidades mais faladas (feminina, masculina, andrógina e neutra);
- falar de gêneros influenciados por corporalidade, neurodivergência, e outros fatores;
- falar de experiências que envolvem intensidade, multiplicidade e fluidez de gêneros;
- atender às necessidades de pessoas transfemininas que não são mulheres e pessoas transmasculinas que não são homens;
- e discutir sobre pessoas trans sem disforias, o que é o caso de muita gente n-b.

Não é possível analisar todas as pessoas trans binárias e todas as pessoas não-binárias sob o mesmo prisma. Fora os casos de exorsexismo por parte de mulheres e homens trans. Sim, a comunidade N está precisando de autonomia em relação à comunidade T.

E de forma alguma isso é abandonar ou rejeitar o segmento T. As pessoas n-b que se consideram trans ainda lutarão por essa causa. Levantar a bandeira não-binária ainda será levantar a bandeira transgênero. Para aquelus que não se considera trans, a própria bandeira n-b é suficiente para si; enquanto auxiliam como aliades na luta T.

Minha sigla agora é LGBTQIAPN+. E se reclamar vai ter mais letra.



21 de abr de 2018

Elu

Este será o primeiro artigo em que vou falar de mim usando a neolinguagem, usando o segundo conjunto que adoto pessoalmente.

Continuo usando linguagem o/ele/o porque gosto dela. Mas também uso a linguagem -/elu/e. Ou seja, não tenho artigo, meu pronome é elu, e os finais de palavra para mim são com e.

Me sinto representade por elu. Gosto de um pronome que não evidencia uma qualidade masculina ou feminina. Uso elu porque nele sinto neutralidade, e quero essa neutralidade falada e ouvida.

Acho bem atraente a ideia de se referirem a mim como elu e a outra pessoa não saber meu gênero. E afinal, meu gênero importa tanto assim?

Acho bem divertida a ideia de se referirem a mim com palavras novas e a outra pessoa ficar confusa. A linguagem nova ainda deve assustar um pouco.

Sou ume menine, sou formade em Farmácia, sou produtore de conteúdo sobre diversidade. Sou jovem, militante e diferente... ah, pera, já são palavras neutras haha.

Desafio as normas de gênero e desafio agora as normas da língua, língua normativa, normatividade pregada por um cistema (sim cis-tema).

O foda é que estou ciente de que pouquíssimas pessoas respeitarão minha outra linguagem, mesmo que eu decida oficialmente que ela é a primária, e não mais o/ele/o. Mas faz parte, né?

Minha linguagem é política. Saio da norma só porque quero. Sou tode desviante. Pessoa heterodissidente, pessoa transgênero, e pessoa que usa a linguagem que quer.

Meu corpo é de elu. Minha voz é de elu. Meu sexo é de elu. Meu gênero é de elu.

Prazer, sou elu.



15 de abr de 2018

Não-binariedade: Orientações

Assim como os gêneros, há rótulos de orientações criados especificamente para não-bináries. Isso se deve ao fato de que suas atrações têm particularidades, tanto pelo gênero quanto por estarem fora das concepções sociais de relações "hétero", "gay" e "lésbica".

A identidade hétero foi criada para pessoas binárias e não contempla nenhuma pessoa n-b. Já as identidades gay e lésbica têm uma história muito importante, e atualmente estão acessíveis a pessoas de outros gêneros masculinos/femininos e que tenham atração exclusiva ou maior por homens/mulheres, assim como por gêneros iguais ou similares. Mesmo assim há outros rótulos de orientações mono.

E sobre as orientações multi, quase todas são accessíveis para todo mundo. Mas aqui haverão rótulos mais específicos também.

Segue abaixo as orientações mono e multi:



Cetero (ou Medisso): atração exclusiva por não-bináries.
*Obs: é controverso pessoas binárias usando essa orientação, pois pode facilmente ser um caso de fetichização.


Novo: pessoa gênero-fluído (ou que esteja vivenciando uma fluidez de gênero) que muda sua atração quando seu gênero muda (ex: a pessoa é bi quando agênero, ou hétero quando mulher, ou gris quando andrógine etc).


Onigay (ou Onique): pessoa que muda sua atração quando o gênero muda, de modo que ela seja sempre atraída pelo mesmo gênero que vivencia no momento.


Feminamórique (ou Femina): atração (qualquer uma) exclusiva por mulheres binárias. É uma alternativa menos controversa do que a orientação gine (que poderia ser associada à atração por vagina).


Viramórique (ou Vir): atração (qualquer uma) exclusiva por homens binários. É uma alternativa menos controversa do que a orientação andro (que poderia ser associada à atração por pênis).


Proqua: pessoa feminina que sente atração exclusiva por outras pessoas femininas. Usada por pessoas n-b que não se sentem à vontade com a conotação binária de lésbica.


Proquu: pessoa masculina que sente atração exclusiva por outras pessoas masculinas. Usada por pessoas n-b que não se sentem à vontade com a conotação binária de gay.


Martesique: atração exclusiva por homens e pessoas alinhadas com o gênero masculino.


Venusique: atração exclusiva por mulheres e pessoas alinhadas com o gênero feminino.


Terrarique: atração exclusiva por outres não-bináries e pessoas alinhadas com gêneros n-b.




Esses são os rótulos criados até agora. Se houver mais vou atualizar a lista.