18 de nov de 2017

Categorias de gênero

Há quatro categorias de gênero no mundo. A grande maioria das fontes de informação disserta apenas sobre duas – cisgênero e transgênero. Aqui falarei as definições de cada categoria.

Vale ressaltar que essas categorias não são usadas como identidades de gênero em si. São classes de identidades. Não é correto, por exemplo, identificar um homem cis como apenas cis, ou uma mulher trans como apenas trans, e etc.

Cisgênero: definição para as pessoas que se identificam com o gênero designado no nascimento. Ou seja, mulheres e homens cis, que estima-se que sejam a grande maioria da população mundial. Esse termo deveria ser exclusivo para as pessoas perissexo; quem nasceu com um sexo identificável e dentro dos conceitos científicos de “sexo feminino” e “sexo masculino”. No entanto, há pessoas intersexo que preferem o termo cis.

Ipsogênero: um termo exclusivo para pessoas intersexo que se identificam com o gênero designado no nascimento. Seja a pessoa mulher ou homem, intersexos não possuem os mesmos privilégios que perissexos cisgêneros (principalmente autonomia sobre seus corpos e validação de seus sexos), por isso a necessidade de se criar um termo separado de cis.

Obs: a palavra quase nem é conhecida pela comunidade intersexo brasileira. É importante falar sobre sua existência, pois pode auxiliar na militância intersexo.

Transgênero: se refere a toda pessoa que não se identifica com o gênero designado no nascimento. É um grupo que pode ser dividido em pessoas binárias e pessoas não-binárias. As binárias são sempre aquelas que se identificam com o gênero binário que não foi designado; ou seja, mulheres e homens trans. As não-binárias representam uma enorme diversidade de identidades, possivelmente infinitas, entre elas: gênero neutro, andrógine, bigênero, pangênero, agênero etc. Há algumas pessoas não-binárias que podem se apresentar apenas como “trans não-binárix”. Pessoas trans podem ou não querer fazer mudanças corporais.

Obs1: conceitualmente, as travestis se encaixariam nessa categoria - muitas como binárias (mulheres) e algumas como não-binárias ("terceiro gênero"). Porém, há várias que não se rotulam como trans e isso deve ser respeitado.

Obs2: no Brasil ainda é muito utilizado o termo transexual. Inicialmente foi cunhado para definir as pessoas trans que desejavam e faziam mudanças corporais, principalmente a transgenitalização. Hoje em dia é mais usado da mesma forma que transgênero (a comunidade trans brasileira ainda discute a aceitação desse termo).

Obs3: muitas fontes cometem o erro de falar em três opções de gênero: homem, mulher e não-binário. Embora não-binárix seja termo guarda-chuva, reduzir todas as identidades não-binárias a uma única classe é uma forma de apagamento.

Obs4: dentro da não-binaridade há categorias que descrevem as condições de certos gêneros, como demigênero para um gênero parcial, gênero-fluído para quem transita entre dois ou mais gêneros, entre outras. Também costumam ser usadas com alguma especificação (ex: demimulher).

Gênero cultural: há algumas culturas americanas, do Oriente Médio e de outras regiões que aceitam mais de dois gêneros, sendo identidades influenciadas pela cultura. Portanto são gêneros restritos de determinadas culturas e logicamente só podem ser adotados por pessoas que cresceram nelas. Não se encaixam nas definições ocidentais de cis e trans. Exemplos incluem: hjira na Índia, two-spirit nas tribos nativas norte-americanas, muxe no México.

Qualquer dúvida basta perguntar.



15 de nov de 2017

Divulgação: espaços virtuais LGBT+

Neste artigo vou indicar grupos e páginas da rede social Facebook com conteúdo exclusivo ou mais voltado ao público LGBT+. Procurei listar espaços com atividade constante e que sejam mais inclusivos, representativos e interseccionais em comparação à maior parte por aí.

Páginas:

- Coordenação de Políticas LGBT: https://www.facebook.com/politicaslgbtsp
- Página das Famílias LGBTs: https://www.facebook.com/FamiliasLGBTOficial
- Homens Trans: https://www.facebook.com/HomensTrans
- IBRAT - Instituito Brasileiro de Transmasculinidades: https://www.facebook.com/institutoibrat
- Comunidade Assexual: https://www.facebook.com/comuassex

Grupos:

- Grupo Ace, Demi, Gray-A(ce): https://www.facebook.com/groups/395428620526278
Estarei atualizando a lista em caso de inatividade/desativação ou surgimento de novas páginas e novos grupos.

Não esqueçam de divulgar! Espalhem a informação e a diversidade! <3



12 de nov de 2017

ENEM 2017

Este ano decidi fazer o ENEM. Houve as seguintes mudanças: a prova antes era num fim de semana, sábado e domingo; agora é em dois domingos seguidos. E antes as matérias eram dividas em Humanas e Natureza (dia 1) e Linguagens e Exatas (dia 2); agora é Linguagens e Humanas e Natureza e Exatas.

Referente às matérias, acredito que não foi muito bom fazer essa mudança. Talvez possa ter deixado as duas provas mais cansativas para um único dia (mesmo sendo em duas semanas separadas). Pior ainda para quem não é tão bom com números e lógica ou com conteúdo teórico e interpretativo, a configuração anterior ao menos dava uma equilibrada.

O tema da redação foi: Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. Um tema que achei digno. Juro que não esperava.

Muitas pessoas reclamaram do tema porque surdez e pessoas surdas são assuntos muito pouco (ou nem) discutidos em escolas e na mídia em geral. E sim, isso é verdade.

Agora, nada disso era desculpa para não tentar formular um texto. Na página do tema da redação havia quatro textos que forneciam uma base para escrever. E a menos que você more numa caverna, não é possível que você não tenha noção de que pessoas surdas são invisíveis e tratadas como incapazes.

Esse tema foi excelente para conscientizar a população em geral sobre inclusão. E essa inclusão é tão urgente que até mesmo uma estudante surda relatou ter encontrado dificuldade em fazer a prova.

E como em todo ano, tivemos que assistir um show de horrores. Os atrasados? Não. A plateia dos atrasados! Sério, como tem gente que usa uma tarde de domingo para rir e zombar da desgraça de pessoas que se atrasaram por n motivos para uma prova desgastante?

Não vou entrar no mérito de discutir sobre as dificuldades das questões (especialmente Exatas) e sobre as incontáveis reprovações por motivos até mesmo banais. Só não pude deixar de notar (pelo menos na instituição em que fiz a prova) que houve um decréscimo significativo de presentes do primeiro ao segundo dia.

O ENEM precisa melhorar sim, assim como todo o sistema educacional. Tive o privilégio de ter tempo de sobra para estudar (tempo que nem aproveitei direito xD). Mas fico pensando em quem não teve esse privilégio, em quem se esgotou psicologicamente estudando, em quem não pôde acessar uma educação de maior qualidade, enfim.

Torço muito para que todxs tenham ido bem. E quem não foi tão bem, que persista em seguir o que quer. E lembrem-se: a nota não define seu valor!