31 de dez de 2016

Nesse ano

Último artigo no último dia do ano. Que coincidência, não?

Então aproveitarei essa oportunidade para dizer algumas coisas positivas, negativas e talvez neutras desse ano. Sem retrospectivas ou citar acontecimentos específicos. Nem mesmo nomes.

O ano de 2016 foi um ano agitado, para o Brasil, para o mundo, e para minha pessoa.

Nesse ano teve mudança (golpe) na política brasileira. O povo mostrou sua face nas eleições, daqui e nos EUA. A hipocrisia e a indignação seletiva das pessoas continuam rolando à solta nas redes sociais.

Nesse ano muitas almas deixaram nosso plano de existência, muitas figuras conhecidas. A grande maioria adorada, algumas com controvérsias.

Nesse ano foi marcado por tragédias e violência. Falamos muito de violências específicas, mas a violência em si é uma criatura louca que pode ir além de alvos.

Nesse ano a arte entrou mais em evidência, a arte fluiu, desafiou, e falou sobre tolerância, sobre humanidade, sobre estigmas.

Nesse ano lançou muitas séries e filmes agradáveis de ver, que cativaram o público, e passaram mensagens de vida e mostraram inclusão de grupos pouco vistos.

Nesse ano as Olimpíadas tiveram lições e exemplos de superação e inclusão também. O Brasil alegrou-se e se destacou. 

E, por fim, esse ano foi um ano de queda seguida de ressurreição para mim. Depois de um período de conflitos internos, dificuldades, reclusão e amargura, consegui me levantar. Não deixei a depressão me corroer e me reergui, subindo de volta os degraus dos quais tropecei e rolei abaixo. Subi e continuarei subindo!

Para o ano que está por vir, eu desejo que o melhor aconteça para mim, para a humanidade, e para o mundo.  Não precisar ser um ano perfeito. Basta impulsionar o melhor das pessoas. No fim, quem tem que mudar somos nós, e não o número no calendário.

Feliz Ano Novo!



28 de dez de 2016

Série: Sense8

("I am we")

Não lembro ao certo como achei essa série. A princípio me atraiu pela presença de LGBTs no elenco. Criada pelas irmãs transexuais Lilly e Lana Wachowski, as mesmas criadoras da trilogia Matrix, a série entrou na minha lista das melhores ficções científicas já feitas.

A série conta a história de oito pessoas em diferentes partes do mundo interligadas por algum tipo especial de conexão psíquica. Pessoas com esta conexão são chamadas de sensates, que são capazes de uma interação sobrenatural onde podem conversar, mostrar onde estão e até compartilhar habilidades, entre outras coisas. Infelizmente os oito sensates começam a ser caçados por um sensate misterioso chamado Sussurros enquanto tentam lidar com seus próprios desafios e se adaptarem à conexão crescente que fazem entre si.

Por onde começo? Cada um dos oito personagens é cativante de seu próprio jeito. A interação entre eles é vívida e proporciona momentos emocionantes, com lições de vida e mensagens de superação. A maneira como os sensates se comunicam e se ajudam sempre rouba a atenção, e é lindo de ver o espírito de coletividade que vão desenvolvendo entre si. Uma coisa que surpreende na montagem das cenas é a forma simples de colocar, retirar ou trocar os personagens. E, apesar disso, na tela conseguimos sentir as cenas da forma sobrenatural que são dentro da trama. A série é bem filmada, seguindo uma lógica, feita em lugares característicos e culturas diferentes, e com um elenco pouco conhecido que captou a essência da trama.

A sexualidade é muito apontada por fãs, embora não seja o foco da história. O que mais chama atenção é como a sexualidade é mostrada de maneira tão natural, sem estigmas ou vulgaridade; além de ser outra característica compartilhada e misturada entre os sensates. Um dos poucos pecados da série é que os corpos mostrados se encontram dentro dos padrões estéticos, logo tendem a ser mais aceitos na tela.

O público LGBT+ simpatizou muito com a série por sua inclusão e pelo modo artisticamente natural de tratar a sexualidade. Mas o público hétero-cis também pode se encantar com o enredo e seus personagens. A segunda temporada estreará em maio do ano que está por vir. Recomendável para pessoas de todos os gêneros e etnias. Sense8 é para todxs!



21 de dez de 2016

MasterChef 2016

Esse ano teve um MasterChef para cozinheiros profissionais. O público foi presenteado com polêmicas que até então não haviam ocorrido. Embora eu tenha minhas dúvidas sobre o profissionalismo dos participantes, focarei num tema que foi muito presente nessa temporada: machismo. Especificamente, machismo na cozinha profissional.

Ao longo da temporada ocorreram momentos de tensão e agressividade entre participantes que evidenciaram uma discriminação de gênero, principalmente contra a candidata Dayse, que no fim saiu vitoriosa da temporada, recebendo muito apoio nas redes sociais.

Ontem teve um episódio especial de "lavagem de roupa suja", que conseguiu ser tão polêmico quanto a temporada inteira. E o machismo foi muito abordado. Quase todos os participantes estavam lá. O pior deles foi mostrado num telão, forçando-os a darem esclarecimentos para seus colegas, para a Ana Paula Padrão e seus críticos, e o público. Por sinal, adorei o posicionamento suave e ao mesmo tempo firme da Ana Paula sobre o machismo.

Esse episódio mostrou a ignorância dos homens sobre feminismo, a resistência deles em admitir seus atos machistas e ainda tentar justificá-los, e como ainda é difícil apontar esse preconceito. Tentaram explicar, tentaram distorcer, mas só revelaram mais sobre seu caráter. Diversas vezes os homens interrompiam a fala das mulheres. Ana Paula repreendeu o candidato Marcelo num momento por isso.

Outras coisas foram jogadas na roda, como a arrogância do candidato João (que desacatou a Chef Paola) e o quanto os candidatos são contraditórios em suas opiniões. O candidato Dario fez uma grave acusação ao programa, dizendo que a edição distorceu suas falas. E Marcelo incorporou o "omi hétero-cis" que não sabe perder e pensa que tudo hoje em dia é "mimimi".

Dayse e a candidata Fádia tentaram falar da discriminação sem acusar seus colegas machistas de machismo. Acredito que elas estavam com medo de fazer tal acusação. Mas a candidata Izabela tomou coragem e apontou sem dó o machismo que existe na cozinha profissional. Todxs que acompanharam a temporada puderam ver o desrespeito e subestimação da mulher por parte dos homens. Só não enxerga quem não quer.

Enfim, com toda essa exposição do ego masculino e as controversas em geral dos participantes, essa enorme e calorosa discussão teve um efeito positivo. Pelo menos eu vejo dessa forma: discutir machismo num programa de TV popular é um grande passo. Teve repercussão e incomodou. Quando incomoda é porque está dando certo. E espero que o programa sirva de inspiração e incentivo às mulheres da cozinha profissional.

Como Izabela falou uma vez: "mulher é cozinheira e homem é chef". Isso ainda é uma realidade. E precisa mudar. Essa temporada serviu para provar isso. A cozinha profissional precisa do feminismo.



14 de dez de 2016

Pensamento do dia

Viemos para esse mundo para sofrer.

Essa frase pode soar macabra, bizarra, absurda, irreal, masoquista, que seja. Mas isso é uma daquelas verdades da vida que teimamos em aceitar.

Percebemos isso ao longo da vida. Idade não tem a ver. E sim seu nível de aceitação.

Religiões espiritualistas ensinam isso desde seus primórdios. Ensinam que os desafios e dificuldades vêm para nos fortalecer, e não nos punir ou apenas ferir.

Seja você ateísta ou não, pegue esse ensinamento, utilize-se de sua mente racional, e veja se ele faz mesmo sentido na vida prática.

Quem seria você hoje, agora, nesse instante, sem as coisas ruins que passou? Sem o sofrimento que teve até o presente momento.

Quem seria você se sua vida fosse perfeitinha?

O que seria uma vida perfeita - sem sofrimento? Convenhamos, seria um tédio!

O ser humano é cheio de falhas. As falhas trazem o sofrimento. E com o sofrimento aprendemos a sermos melhores.

Se tropeçar na pedra na estrada e torcer o tornozelo, agradeça. Dói? Dói, sim, pra caralho. Mas aquela dor te fará lembrar de prestar atenção na estrada. Viu? Você aprendeu!

Sim, viemos aqui para sofrer. E sofrer nos faz aprender. Aceita que dói menos.



10 de dez de 2016

Teoria Queer

Você pode ver o termo "teoria queer" por aí, principalmente em discussões envolvendo militantes LGBTs. É possível encontrar pelo vasto mar virtual da Internet material suficiente sobre o tema.

Aqui vou falar resumidamente sobre essa teoria e comentar um pouco sobre ela.

Ela surgiu na década de 90 com base em estudos sociais sobre homossexualidade e gênero, estendendo-se à sociedade e à diversidade presente entre pessoas LGBTs e as hétero-cis. Os estudos queers propõem que nossas identidades, seja sexual ou de gênero, são construções sociais, e, com isso, não existem papeis biológicos pré-definidos. Mais do que essa ideia, a teoria tem intenção de questionar as normas e padrões estabelecidos pelas sociedades no que se refere a biologia-gênero-sexualidade.

Existem interpretações errôneas de que ela propõe que todas as pessoas são "queer" (do inglês, "estranho"; usado para designar tudo que foge às normas) ou que afirma que podem existir dezenas de gêneros, embora ela abra espaço para identidades além do binarismo feminino-masculino.

Afinal, o gênero é mesmo uma construção social? Papéis de gênero e padrões de comportamento são. Podemos ver variações de masculinidades e feminilidades em culturas de diferentes países, até em diferentes épocas. Mas a teoria começou a observar o quanto era errado utilizar a biologia, ou o que entendemos dela, para criar e impor modelos de gênero para as pessoas.

Há algumas divergências de segmentos políticos e sociais sobre a utilidade prática da teoria queer. Embora os materiais disponíveis sobre o assunto tenham muitos conceitos e ideias um pouco complexas, a proposta central da teoria é simples: promover que todas as identidades e estilos de vida são aceitáveis; sejam dentro ou fora de padrões pré-estabelecidos.

Acredito que, acima de tudo, a teoria tenta passar a boa mensagem que todas as pessoas têm sua individualidade e devem viver sem normas que as recriminem ou inibem. E por fim, questionar ou desviar-se do padrão não é uma anomalia, e sim uma libertação pessoal.

Fica um questionamento: quem faz a norma é realmente normal ou acredita ser normal?



3 de dez de 2016

Comentando uma notícia

Essa semana o Brasil foi atacado por uma tragédia, uma das piores e mais tristes da história nacional. A equipe do time Chapecoense sofreu um acidente de avião na Colômbia. Houve 71 mortes no total e apenas 6 sobreviventes.

Já adianto que eu não conhecia o time, nunca tinha nem ouvido falar. Normal, afinal não sou fã de futebol e sou alheio ao assunto. Porém, devo dizer que esse acontecimento me deixou mal.

Quando nos deparamos com notícias assim, nos perguntamos por que coisas assim acontecem. Por que gente tão jovem e querida tinha que morrer dessa forma? São coisas que ninguém sabe responder.

Não é a tragédia em si que comove. E sim as vidas perdidas. Por ser um time humilde e determinado, isso também faz com que as pessoas de identifiquem e simpatizem com os jogadores. Em tempos de frieza e falta de empatia, comover-se com um evento desses é sinal de humanidade. As pessoas são interligadas, e quanto mais recuperamos isso, mais nos importamos com as vidas ao redor, sejam pessoas conhecidas ou não.

Esses dias mesmo achei um vídeo no celular, que devia ser de algum grupo de WhatsApp e eu acabei nem vendo. Comecei a ver e no final senti uma angústia; era um vídeo antes da decolagem do avião. Ver aqueles rapazes tão animados para a viagem e pelo próximo jogo me causou uma tristeza que eu não sentia desde o massacre em Orlando.

Não tenho opinião formada sobre a tragédia. Tudo indica que foi um infeliz acidente. Há quem acredite que foi um assassinato. Não sei o que pensar. Só espero que a verdade apareça, seja qual for.

O que nos resta agora é orar pelos jogadores, em memória a eles. Não apenas pela profissão esportiva, mas sim pela vida e por tudo que representaram para o país e para suas famílias.



1 de dez de 2016

Sessão Yaoi (Games)

(Atenção: esse post não é para menores de 18 anos!)
(Nota: esse aviso não serve de nada, é só uma questão burocrática)















27 de nov de 2016

Jesus

Parece extremamente ridículo a ideia de um bebê nascer de uma mulher que nunca teve relação sexual. Parece mesmo, concordo. Segundo o cristianismo, essa é a origem de sua maior figura, Jesus.

Afinal, como poderia ter existido um homem nascido de uma mulher virgem???

Antes de você abrir a boca e dizer que é "cientificamente impossível", ou até mesmo que não existe nada disso em toda a natureza, preciso falar sobre duas coisas:

1- Partenogênese é o fenômeno de quando ocorre desenvolvimento embrionário a partir de um óvulo que não foi fecundado. Pode ocorrer numa rara ocasião onde dois óvulos se fundem e ativam a fecundação. Nunca foi observada na espécie humana e também não foi comprovada ser impossível de acontecer na mesma.

2- Síndrome de la Chapelle é uma variação genética rara onde um bebê é XX, (logo deveria nascer do sexo feminino), mas acaba desenvolvendo sexo masculino. Não entrarei em detalhes, mas devo observar que essas pessoas podem viver tranquilamente sem estarem cientes dessa condição.

Mesmo que a partenogênese ocorra no ser humano, o bebê teria cromossomos XX. E Jesus, sendo uma pessoa do sexo masculino, deveria ser XY. Essa contradição poderia ser resolvida pela síndrome mencionada.

Claro que não reuni todas essas informações numa busca épica de provar que Jesus existiu (nem cristão eu sou). Até acredito nele enquanto figura histórica. Apenas escrevi tudo isso para mostrar que, às vezes, somos tão prepotentes e achamos que sabemos tudo que fechamos nossa mente para possibilidades que, a princípio, parecem absurdas.

Supondo que a partenogênese tenha acontecido alguma milagrosa vez num bebê humano, quais seriam as chances de ocorrer simultaneamente com uma síndrome rara? As chances seriam muito próximas de 0%.

Entretanto, acho não podemos mais afirmar com total certeza de que jamais existiu ou existirá um ser humano que tenha nascido de uma reprodução assexuada. Até lá aguardamos esse verdadeiro milagre (cientificamente explicável) ser confirmado ou acontecer.



24 de nov de 2016

Minha faculdade

A graduação terminou e me vejo dando adeus ao lugar onde passei metade de uma década da minha vida. Não estou super emocionado, mas não posso negar o misto de felicidade e tristeza que estou tendo.

Sentirei saudades da instituição, de alguns professores e de poucas pessoas da minha turma. Manterei poucos contatos. O que levarei de lá não é apenas um diploma e formação acadêmica, e sim memórias e experiências.

Lembro até hoje do êxtase de começar a faculdade. Estava eu no vagão do metrô, de manhã, indo para meu primeiro dia de aula, sem saber ao certo se haveria aula ou não. "Estou dando um novo passo na vida, tudo vai mudar", pensei. Tive bons momentos, principalmente no primeiro ano, quando eu estava mais animado. Minha perspectiva do curso e das pessoas foi mudando com o passar do tempo.

Claro que nem tudo foram flores. Minha maior frustração foi achar que a faculdade seria um filme ou série estado-unidense. Pensei que logo no primeiro ano haveria: muitas festas, altas aventuras, histórias inusitadas de colegas, amores e um namoro (era o que eu mais queria!). Pensei que lá seria o local de encontrar grandes amizades e ter uma vida social.

Nada disso aconteceu, pelo menos não do jeito que eu esperava. Estou saindo do curso como uma nova pessoa, bem diferente daquela de 2012, mas estou saindo com minhas cicatrizes e desilusões. Então vou falar primeiro dessas coisas:

- Lá tive uma turma super desunida, cheia de gente infantil, e tivemos brigas que nem no Ensino Médio presenciei.
- Lá tive meu primeiro contato com um grupo LGBT e detestei a experiência. Não me identifiquei com a maioria, tive desentendimentos, e não consegui criar um grande vínculo com o grupo. Estou saindo de lá levando dois ou três colegas (no máximo).
- Lá conheci o homem que mais me feriu e cooperou com minha depressão desse ano. Felizmente ele recebeu o que merecia.
- Lá encontrei pessoas desagradáveis que fizeram questão de me ofender e tentar me prejudicar, como meu representante de sala do segundo ao quarto ano.

Talvez a maior decepção tenha sido o próprio grupo LGBT. Até ano passado não tive coragem de tentar ingressar num grupo desses. Tive bons momentos, mas poucos. Meus maiores desafios foram aceitar a moral do grupo (que contradizia muito com a minha) e perceber a realidade atual de grande parte das pessoas LGBTs - vivem mais relações superficiais e breves do que profundas. Isso se soma às outras coisas que critico, como a "cultura do desinteresse" ou a "lei do usar e descartar".

Bem, sinto informar a mim mesmo, isso se chama convivência. A faculdade me fez enxergar que a turminha feliz do Ensino Médio foi uma brincadeira e o mundo real é mais desafiador. Relacionar-se com as pessoas, com a sociedade, é desafiador. Tive que aprender a aceitar as pessoas, por mais que discordasse ou não suportasse elas. Posso não ter tido a vida social que sonhei, porém aprendi mais sobre o que é ser social. E preciso aprender mais ainda!

Chega de coisas ruins. Vamos falar das boas agora:

- Ser representante de sala no primeiro ano (mesmo não ter sido de total vontade) foi uma experiência que me fez aprender a ser responsável com pessoas que dependiam de mim e atendê-las com imparcialidade.
- Lembro até hoje do meu ânimo de apresentar meu primeiro trabalho acadêmico, no caso foi sobre Aloe vera e seu possível uso no tratamento de diabetes. Pesquisar, imprimir o banner e apresentar para os outros cursos foi muito empolgante.
- Só no segundo ano que fui pela primeira vez num bar com um grupo social, no caso meu clube do bolinha (que durou pouco). A sensação de ter uma vida social foi incomparável.
- Apesar das desavenças e conflitos iniciais com a junção da minha turma (manhã) com a da noite, foi uma experiência incrível de alguma forma. Lidar com pessoas desconhecidas, tentar unir as turmas e ter diplomacia até com as mais hostis (ex: meu representante) me ensinou muito.
- As aulas do terceiro ano foram as mais marcantes, especialmente Farmacologia e Farmacotécnica. Farmacologia por mostrar mais detalhadamente o mundo dos medicamentos. E Farmacotécnica pelas criações de produtos, como xampu, cremes, etc.
- Meu TCC deu dor de cabeça nos experimentos. Mas viajar sozinho para um congresso em Araraquara e apresentar lá foi uma experiência única e deliciosamente inusitada.
- Participar de palestras e reuniões fora da minha área foi uma novidade. Assisti apresentações com temas sociais e estive presente na formação (ressurreição) de um órgão que representa todos os estudantes, o DCE (Diretório Central dos Estudantes). Espero que dê tudo certo.
- O estágio que fiz na faculdade finalizou positivamente o ano e o curso. Trabalhar em equipe e realizar serviços para as pessoas me fez sentir algo que eu não sentia há uns dois anos: o prazer de ser farmacêutico.

Estar na faculdade é como estar em qualquer outro lugar: você vive e aprende, mesmo sem perceber. Não foi o curso de Farmácia que tornou a faculdade o que ela foi, e sim as pessoas que conheci. O curso só complementou. Acredito que nada é por um acaso; tudo que vivenciei tinha que acontecer.

Não, não saio da faculdade amando-a calorosamente e dizendo (pelo menos não agora) que foi a melhor fase da minha vida. Podia ter sido melhor. Mas o aprendizado que tive me fez ser quem sou agora. Levarei isso comigo para o resto da vida.



19 de nov de 2016

Militância pós-moderna

Talvez esse texto gere certa revolta contra minha pessoa. Recomendo a todxs que leiam com mente aberta, imparcialidade e estando muito zen.

Entrar nos grupos virtuais de militância foi um enorme passo para mim. Não foi como seguir ou acompanhar páginas por aí ou algumas pessoas militantes. Foi algo maior e libertador. Naturalmente, afinal são grupos com uma quantidade enorme de gente, o que possibilita uma diversidade de personalidades, opiniões, pensamentos, ideias e relatos.

Aprendi muito com esses grupos. Eu não seria quem sou se não fosse por eles. Eu não seria o militante que sou sem eles. E continuo aprendendo enquanto faço minha parte de desconstruir o preconceito interno e externo.

Contudo, tenho minhas críticas e divergências sobre a conduta das militâncias que observo nesses grupos e de militantes de quase todos os movimentos sociais.

1- Militantes estão cada vez mais formando grupinhos restritos onde só discutem entre si e não levam debates para fora, para outros lugares e para pessoas de grupos majoritários. No fim todxs se isolam.

2- O radicalismo cria pessoas explosivas e grosseiras, que dão um show de raiva frente a qualquer mínima demonstração de ignorância vinda de alguém de um ou mais grupos majoritários, e que acham que podem distribuir patadas gratuitas. Há quem use o argumento do "reação do oprimido" como justificação.

3- Tem debates sobre preconceitos e discriminações que acabam virando uma competição bizarra de "quem sofre mais". Entendam que todo preconceito é ruim e que sofrimento é relativo e varia de pessoa em pessoa.

4- Acabam focando tempo e energia mais rechaçando uma pessoa que não entendeu algo do que esclarecendo e ajudando na desconstrução dela. Ninguém nasce desconstruído! Vejo com frequência as respostas clássicas "seje menas" ou "close errado" ou memes (da Inês Brasil, por exemplo). Sim, precisamos ter paciência para explicar e conscientizar!
Obs: não me refiro a pessoas que fazem discurso de ódio e só sabem xingar e tirar sarro.

5- Os próprios grupinhos restritos acabam excluindo seus membros quando não pensam igual a todxs ou pelo menos a maioria. E por fim recebem o mesmo tratamento que o item anterior.

6- Existe um grande número de militantes que age e fala como se qualquer pessoa dos grupos majoritários fosse incapaz de ter empatia e se desconstruir. Sem contar que não aprovam nem que mostrem apoio por suas causas, alegando "roubo de protagonismo". É importante pessoas da maioria passarem adiante o que aprenderam com a minoria! A aliança serve para isso!

Há alguns outros pontos, porém não vou abordá-los nesse artigo. São pontos que precisarão de uma discussão bem maior e elaborada.

Eu acabei aderindo a radicalismos e irracionalidades que aprendi nesses grupos. Após muito tempo comecei a me questionar sobre se meus pensamentos e minhas ações estavam realmente fazendo alguma revolução, contribuindo para a mudança. Percebi então que haviam certas falhas nesses grupos. E que há aspectos que podem ser melhorados.

Tudo que falei pode ser desconsiderado apenas por eu ser homem cisgênero branco de classe média. Pois estou numa posição privilegiada que pode me impedir de enxergar a necessidade e o sofrimento dos grupos minoritários os quais não pertenço. Ademais, nem falar com propriedade pelos gays posso, já que nunca sofri homofobia no mesmo nível que a maior parte.

Ainda assim, peço que pensem sobre tudo que escrevi. Analisem esses grupos e suas atitudes, reflitam sobre vocês mesmos, questionem-se. Façam isso antes de me xingarem e disserem "olha aí, o omi cis branquelo burguês querendo opinar na militância de todo mundo".

Mesmo com todas essas críticas apontadas, acredito que, de alguma forma, estamos caminhando a algum lugar. Do nosso jeito maluco, mas estamos. Creio que chegaremos na mudança, passando por fases mais pacíficas ou conturbadas.

Errar é humano, e quem milita são humanos. A militância deve continuar sua missão e deve procurar sempre o melhor caminho para cumpri-la.



16 de nov de 2016

Eleições nos EUA

"Ah não, até você vai comentar disso?"

Sim, eu vou. Mas será de uma maneira um pouco diferente. Não vou perder tempo me lamentando pela vitória de um louco extremista num país onde nem moro.

Primeiramente, deixo claro desde o início que eu sou super ultra contra a vitória de Trump. Uma pessoa tão reacionária e medieval como ele nem deveria estar se candidatando a qualquer coisa. Infelizmente, os políticos são reflexos da população.

Não, não adianta vir com essa de que "nem todo eleitor de Trump é racista/LGBTfóbico/machista/segregacionista". Trump ganhou com discurso de ódio, logo a população comprou esse discurso. Sei que não foi o voto da população que o elegeu. Mas as pesquisas populares mostraram que praticamente metade do país estava ao seu favor.

Depois das eleições comecei a ler textos e opiniões de outras pessoas especialistas em política, e descobri pontos a favor de Trump (pouquíssimos, ok?) e pontos contra a Hillary. Nesse exato momento percebi que ela não era uma opção melhor. Eu já sabia disso, só confirmei mais ainda.

Não pude deixar de reparar nas incríveis semelhanças entre essas eleições e as eleições que ocorreram aqui em 2014 e nesse ano. O povo é obrigado a escolher entre opções ruins (pelo visto ganha a "menos pior"), os candidatos não representam a população em totalidade, e ficamos divididos entre "direita e esquerda". A única diferença é que nesse ano de 2016 quem mais venceu foi "a direita". Ou podemos dizer o conservadorismo.

Agora, o que a vitória dele implica no Brasil? Bom... quase nada! Os EUA são a maior economia do mundo, então o máximo que poderiam interferir aqui é na esfera econômica. Não, gente, o mundo não acabou por causa dessa vitória. Trump pode causar uma guerra? Sinceramente, acho difícil. Ele não comanda o país sozinho, o congresso de lá não deixaria ele começar a fazer loucuras.

O meu medo está no simbolismo da vitória de Trump. Se ele venceu com discurso de ódio num país desenvolvido e maior que o nosso, o que impede nas próximas eleições brasileiras a vitória de figuras igualmente ou até mais reacionárias que ele? No quesito intolerância, o Brasil não é tão diferente dos EUA.

Estão vindo tempos difíceis para o Brasil? Acredito que sim.

É triste saber que o discurso de ódio está ganhando espaço em todo lugar.
É triste perceber que nunca temos candidatos realmente progressistas.
É triste ter que aceitar o rumo político atual do mundo.

As eleições de 2016 provaram o quanto está sendo difícil viver no planeta Terra.



9 de nov de 2016

Enem 2016

O Enem desse ano foi a mesma coisa de sempre: pessoas atrasadas e um tema inevitavelmente político-social. Só acrescentou a ocupação de escolas, que poderiam dificultar a realização da prova e até causar o cancelamento da mesma. Não vou entrar no mérito de discutir isso.

Memes e polêmicas à parte, gostaria de comentar sobre o tema da redação desse ano: "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil".

A influência cristã no país é tão forte que no congresso temos uma bancada evangélica. Continuo sem entender como ela ainda existe, visto que pela Constituição somos um Estado Laico (um Estado em que a religião não pode intervir em questões políticas). 

Membros dessa mesma bancada deixam mais do que explícito que não sabem separar a própria religião da política. E não é incomum discriminarem as religiões africanas, publicamente ou em locais religiosos.

O maior alvo da intolerância religiosa é sem dúvida as religiões africanas; umbanda e candomblé, principalmente. A tendência da população cristã (em especial a evangélica) é agir com hostilidade com essas religiões, pois a maior parcela parte do pressuposto que o cristianismo é a verdadeira crença, e não abrem espaço para outras realidades. Isso, combinado ao racismo estrutural no Brasil, gera essa intolerância constante e diária. A cultura africana, preservada por descendentes dos imigrantes, é marginalizada. E também é apropriada pelas pessoas brancas.

Apesar das religiões africanas serem o maior foco quando a questão é intolerância, vale lembrar que outras crenças também são discriminadas socialmente, como o espiritismo, a wicca, e o islamismo. A ausência de crença, que é o caso do ateísmo, também está inclusa.

Afinal, quais seriam os caminhos para acabar com a intolerância religiosa? Resumidamente, bem resumidamente: educação religiosa. Ensinar sobre as religiões nas escolas, para assim fornecer informação, mostrar a diversidade religiosa e conscientizar sobre a importância de ser tolerante e aceitar essa diversidade. E também educar sobre laicidade! Não há ainda uma proposta dessas. A única proposta que já apareceu foi ensinar cristianismo apenas, outro delírio da bancada evangélica.

Num país verdadeiramente laico e tolerante, todas as religiões conviveriam em harmonia, sem interferir em questões do Estado. É assim que deveria ser. Infelizmente o Brasil vive uma quase teocracia com esses políticos criando leis e projetos absurdos. A tendência é piorar, sinto dizer.

O tema é necessário e reflete nossa situação atual. E não duvido que deve ter havido gente que escreveu sobre "cristofobia" na redação. Sim, há pessoas que acreditam que a população cristã é discriminada por sua religião! A mesma que prega ódio contra minorias sociais e as religiões africanas. Se existe alguma cristofobia, ela é praticada entre as próprias vertentes cristãs, como a evangélica faz com a católica.

Quem sabe o tema não possa ter aberto os olhos de quem ainda sofre da presunção de que sua religião é a única correta?



5 de nov de 2016

Pensamento do dia

Imaginar o futuro é como ver as estrelas no céu da noite. São várias, não? Diversas, inúmeras, incontáveis! Muitíssimas! Essas são as possibilidades.

Desde criança pensamos no que seremos no futuro. Não há muita pressão quando somos crianças. Mas quando somos adolescentes, a cobrança aumenta. "O que fará da sua vida?"

Óbvio que nossa perspectiva muda com o passar dos anos. Quem nunca quis algo totalmente diferente da carreira que tem ou está construindo hoje? Uma das delícias de ser criança é querer ser várias coisas. Saudades de quando eu queria ser agente secreto.

Acabou a escola. E ainda bem! Agora vem a terrível pergunta: o que farei?

Precisamos fazer algo! De preferência uma faculdade. Claro! Faculdade é o verdadeiro primeiro passo do nosso futuro, da nossa carreira, nosso sucesso. É o que o sistema diz e impõe.

Escolhi meu curso na última hora. Dei aquela breve olhada pelos cursos disponíveis (sim, eu tinha uma vaga ideia do que eu queria) e achei a melhor opção. E foi mesmo a melhor. O curso aborda matérias atraentes, tem preço acessível e a instituição é próxima de casa. Bingo!

No entanto, algo aconteceu comigo nesse finalzinho da graduação que durou metade de uma década, e aconteceu com outras pessoas da minha turma: não me identifico mais tanto com o curso em comparação ao primeiro ano.

"Será que escolhi cedo demais?"

Depois me veio outra pergunta: estamos realmente preparadxs para escolher uma graduação que durará anos aos 16, 17, 18 anos?

E aqui estou eu repetindo o ciclo, agora com a pós-graduação. Novamente o céu estrelado, só que com menos estrelas agora, naturalmente. "O que farei?"

Saudades de quando eu olhava para o céu quando criança.



2 de nov de 2016

Uma carta para você

Olá, como vai você?

Faz meses que não te vejo. Isso porque nunca te verei de novo. Pelo menos não nesse plano de existência.

Mulher, custava ao menos ter se despedido de mim? Não, né? Você sabia que isso ia acontecer, não sabia? Aposto que sim.

Foi tudo tão rápido. Demorei um tempo para processar a realidade.

Pessoas são assim mesmo: um minuto estão aqui e no outro, puf, somem.

Como hoje é Dia de Finados, não vejo melhor oportunidade para te escrever isso. Céticos podem achar bobagem o que estou fazendo. Não acreditam em pós-vida, e com certeza acham bobagem escrever uma mensagem dessas em um site da Internet. Bom, fodam-se eles e quem mais achar bobagem o que estou fazendo.

Eu queria apenas te agradecer pelo tempo que passamos juntos. Se não fosse você, eu não seria quem sou hoje. Por sua causa, por intervenção sua, fui empurrado (apesar de muita relutância) para o trajeto menos doloroso da vida. Claro que ainda tenho meus problemas, e quem não tem, né? Você não veio aqui para resolver meus problemas, e sim me auxiliar e me apontar uma direção.

Ressalto que você não foi perfeita. Sei que ninguém é. Mas olha, você deve ter chegado perto da perfeição. Haja paciência! Quantas vezes não brigamos e quantas vezes não te esgotei? Você quis desistir de mim umas três vezes. Ah, vai, foi um pouco divertido, admita.

Em um mundo alternativo onde nunca nos conhecemos, eu teria caído no abismo e cavado mais fundo ainda. Como eu estaria? Perdido, totalmente. Morto, talvez. Até seria um alívio.

Todo aprendizado, ensinamento e experiência que tive por sua causa para sempre guardarei em mim. Isso nunca vai mudar. O passado não pode ser mudado. Com você eu aprendi que as pessoas têm sempre um propósito em nossas vidas. E com você também aprendi que elas partem quando não precisamos mais delas.

Se o Universo decidiu que você deveria sair desse plano, é porque sua missão aqui acabou. E seu tempo comigo também. Nosso tempo. Fiquei meio desnorteado, mas aprendi a aceitar e seguir em frente.

Palavras não cabem numa única mensagem e eu não gosto de sentimentalismo. Finalizo aqui, já falei o suficiente. E fique satisfeita com isso, pois gastei preciosos minutos do meu dia para escrever isso tudo.

Talvez um dia nos encontraremos de novo. Em outro plano. Em outra vida.

Nesse dia teremos a mais longa conversa que poderíamos ter. O tempo desse mundo terreno é tão limitado. No mundo astral temos a eternidade. Deixe uma garrafa de vinho pronta já. Duvido que aí tenha coca-cola.

Assim como a alma é eterna, nossa amizade assim será.



30 de out de 2016

A casa espiritual que frequentei

Há quem acredite que casas de trabalhos espirituais são mais receptivas com LGBTs. Acreditei nisso durante muito tempo.

Minha ex-psicóloga e falecida amiga trabalhava numa casa espiritual. Eu sabia disso desde que passei nas consultas dela. Ela me convidou para receber tratamento espiritual e aceitei. Alguns meses depois, fui chamado para trabalhar lá, para assim poder desenvolver minha mediunidade.

Quando me tornei missionário, fiquei maravilhado com o local. Fiquei fascinado com a novidade, as pessoas, as entidades que ali atendiam, e os ensinamentos. A doutrina da casa combinava a Cabala com Umbanda.

Na época eu nem era militante LGBT, ainda me escondia.

Bom, a primeira coisa que achei estranha era homens não poderem incorporar entidades femininas. Diziam que dava um “choque de energia” e o homem ficava afeminado. Outros diziam que ele “virava gay”. Até agora nem sei se acredito mesmo nisso. Mesmo assim aceitei, não quis discutir.

A segunda coisa que percebi com o tempo, e que me incomodava, era que quando falavam de amor entre casais se referiam apenas aos casais héteros. Era como se homossexuais nem existissem. Para vocês terem uma ideia; casal lá era sempre homem e mulher. A linguagem heteronormativa daquela gente me incomodava, e meu incômodo só aumentou com o passar dos anos.

A terceira coisa que me irritou bastante foi nos e-mails escritos pela fundadora da casa. Em apenas dois e-mails vi alguma menção a homossexuais. Além de escrever “homossexualismo”, era sempre num contexto negativo. A prática é “espiritualmente negativa”.

Pouquíssimas vezes ouvi comentários alheios sobre homossexuais. E todos mostravam o conservadorismo e preconceito dos missionários. Mas essas coisas não incluo como defeitos da casa em si.

Minha amiga me apoiava, embora parecesse relevar essas coisas. Hoje a compreendo, mas não a desculpo.

No ano de 2015 teve dois eventos, novamente relacionados com a fundadora, que para mim, como LGBT, foram grandes motivos que me fizeram querer sair daquele lugar:

1- Em janeiro, essa senhora, fingindo que estava incorporada (no caso ela diz incorporar um espírito evoluído) decidiu falar de homossexuais. Se bem me lembro, o beijo gay numa novela estava gerando polêmica. Ela abordou o tema. Começou dizendo que era um karma que vinha de berço. Ao menos apontou um fato; nascemos assim. Porém, logo em seguida veio um show de ódio e mentiras. Disse que homossexuais foram infiéis em vidas passadas, que têm uma vida cheia de conflitos e que não são felizes “como a novela mostra”, que não existe mulher que larga o marido para ficar com outra mulher, até pediu para as famílias não deixarem crianças verem “isso”, e que podemos mudar fazendo a desobsessão (o ritual principal da casa, que afastava espíritos malignos).

Vamos analisar o discurso problemático dessa senhora tão medieval:

- Afinal, homossexualidade é mesmo um karma? Discuti isso aqui recentemente.

- Se infidelidade faz a pessoa nascer homossexual na próxima vida, então muita gente daquele lugar terá esse destino. Fiquei sabendo de cada caso de traição, cês nem têm ideia #polêmica.

- Homossexuais têm mesmo uma vida cheia de conflitos, e mesmo assim lutam e enfrentam. Conflitos causados por uma sociedade repleta de gente reacionária, como essa senhora. 

- Não existe mulher que larga o marido pra ficar com outra? Em que mundo ela vive? Quase ri quando ouvi isso.

- Hello, século 21! Nenhuma criança ficará traumatizada com um beijo gay. Parem de dizer isso, não faz nenhum sentido.

- Primeiro ela fala que nascemos homossexuais e logo em seguida fala que podemos “mudar” tirando espíritos obsessores? Homossexualidade é influência de obsessor? Afinal, é natural ou é influência espiritual? Contraditório isso. Mas tudo bem, essa senhora sempre foi contraditória.

Meus parabéns a "Dona Mestra" por ter espalhado mais preconceito e desinformação, é disso que o mundo precisa! Tenho convicção de que foi ela falou essas coisas, e não um espírito evoluído. Jamais um espírito iluminado faria um discurso de ódio como esse.

2- Em julho, o casamento igualitário foi aprovado em todos os estados dos EUA. Muita gente comemorou e celebrou. Houve pessoas da casa que devem ter se pronunciado contra, pois vi uma missionária postar algo no grupo oficial dos missionários, dizendo que “estava triste com o pensamento fechado de muitos de lá”.

Nossa digníssima senhora atacou mais uma vez. Fez um texto a respeito, falando uma história sem sentido que o casamento igualitário surgiu porque algumas patroas queriam deixar herança para as empregadas. Tipo, wtf?

Ela se dizia "indiferente", e falava que todos deveriam ser assim também. Ela é indiferente, mas o discurso é de contra. Falei que ela é muito contraditória. E só pra constar, se você é indiferente com um grupo de pessoas que sofrem violência todo dia por serem o que são, você está a favor da opressão. Aqui não existe “neutro”.

E, para finalizar, naquele mesmo dia ela e o marido (tão reacionário quanto ela) compartilharam aquele famoso trecho de levítico contra a prática homossexual. Mas vem cá, lá eles aplicavam Cabala, então seguiam a Torah. Afinal, ela segue a Bíblia ou a Torah? Justo naquele dia em que o amor venceu ela decidiu mais uma vez espalhar o ódio. Essa é a comandante do grupo espiritual que “vai abrir a Nova Era” (sim, são prepotentes assim).

Isso tudo poderia ter acontecido numa igreja evangélica. Mas não, foi numa casa espiritual. Ao invés de pregar a tolerância e aceitar a diversidade do mundo, preferem ser medievais, mascarados como “guerreiros da luz”. Sinto pena dos LGBTs que ainda estão naquele lugar. Ainda devem estar iludidos e ainda devem achar que somente lá podem cumprir a tal missão espiritual.

Tentei por muito tempo compreender minha amiga, mesmo após sua morte. E compreendi que ela, assim como muita gente que ainda trabalha lá (ou já trabalhou), estava iludida com o lugar. Provavelmente ela achava que apenas lá ela tinha uma base. Entendo o lado dela, entendo a razão de ela ter relevado tanta coisa errada e até a tirania do pessoal que administra a casa. Tenho pena dela por isso.

Em respeito a ela e em respeito às entidades espirituais que fazem a caridade de trabalhar lá, eu havia decidido não denunciar publicamente a casa espiritual. No entanto, pensei melhor e o máximo que farei é esse texto. Não sei se ele fará alguma diferença. Não sei se ele chegará ao conhecimento da casa. Prefiro deixar essas coisas no mundo das probabilidades. Mas deixo aqui minha imensa insatisfação com esse lugar, que tenho certeza que irá cair eventualmente.

A única coisa de que não posso reclamar é que ninguém teve a audácia de vir falar alguma merda pra mim durante esses cinco anos que trabalhei lá. Contudo, o discurso intolerante daquela gente alimenta a violência contra LGBTs. Prometi para mim mesmo que essa seria a última vez que eu deixaria o preconceito passar impune.

Parabéns a vocês dessa casa pelo desserviço à humanidade!
Quero ver vocês mudarem o mundo com preconceito!
Haja Luz!



27 de out de 2016

Confissões

Eles são lindos, não são? Lindos juntos e lindos separados. Formam um casal tão fofo e doce. Conquistam a audiência, são comentados nas redes sociais, viram modelos para as pessoas reais.

Eles se conhecem ao acaso. Ou já se conhecem. Podem ser amigos ou apenas colegas da mesma escola. Trocam olhares e se apaixonam, um romance típico. Tão... lindos.

Mas eu não sou igual a eles. Eu não consigo ser como eles.

Não sou o garoto de corpo forte e malhado. Nem sou aquele de corpo magro, de barriga retinha. Quem dera ter aquele rostinho bonito e aquele charme natural. É do ator ou do personagem?

São lindos, ao contrário de mim... 

A paixão é bem mais intensa quando há beleza. E, claro, ficamos animados quando chega aquela cena mais... picante. Pode ser só um toque ou uma transa. Que sortudos! Sorte daqueles que são lindos, que são ícones da mídia, que aparecem nas revistas.

Eu não sou o garoto da obra. Eu sou aquele que consome a obra e fica desejando aquele romance. Almejo ser como os protagonistas.

A obra conta sua história. Praticamente todas seguem o mesmo estilo, como se todo romance gay fosse exatamente aquilo.

Cadê meu romance?

A obra condiz com a realidade? Condiz com a realidade de todos? É fácil assim ser flertado, desejado e viver uma aventura afetiva? É fácil para eles!

Eu queria ser lindo que nem eles. Olha, são tão felizes! Eu queria ter alguém lindo como eles! Veja, são inseparáveis!

A culpa é minha por não ser lindo como eles.

O problema sou eu? Ou é mídia?



23 de out de 2016

Espiritualidade e Homossexualidade

Durante alguns anos pesquisei muitos textos falando da homossexualidade na visão de crenças e doutrinas espiritualistas. Atualmente é mais comum ver a mensagem de tolerância, que homossexuais merecem respeito, e que estão evoluindo como qualquer outra pessoa. Por isso mesmo vertentes espiritualistas são reconhecidas como mais acolhedoras para LGBTs.

Para mim não basta apenas a mensagem. A maioria desses textos não me ofereceu uma resposta ou explicação coerente. Entre textos que não falam nada entendível e textos que tentam explicar, vi muitos com discursos problemáticos.

Já vi alguns poucos seguimentos espiritualistas que diziam que homossexualidade era um distúrbio espiritual. Mas são seguimentos antigos, nem são mais relevados. Hoje em dia vemos explicações um pouco mais tolerantes, embora ainda problematizáveis.

Logo de início consigo detectar o primeiro defeito desses textos: eles têm uma visão simplista da sexualidade humana. Lendo-os é possível notar que eles separam as pessoas do mundo inteiro em héteros e homos. Bissexuais e outras sexualidades são ignoradas.

Finalmente pudemos nos alegrar quando pararam de dizer que homossexualidade é um distúrbio. Mas então muitos seguimentos passaram a dizer que é um carma, isto é, uma punição ou consequência por erros cometidos em vidas passadas.

Ser homossexual é um carma? De onde vem essa ideia? Bom, acredito que a ideia parta de dois princípios básicos: ou que é algo "antinatural" ou pelo fato de haver homofobia.

Se é por ser "antinatural" esse argumento já foi quebrado há muito tempo, pois na própria natureza existe comportamento homossexual. Agora, é carma por causa do preconceito? Seguindo essa lógica, nascer negro é carma, ser mulher é carma, ter um corpo gordo é carma, e por aí vai.

Aliás, como explicam as épocas de Roma e da Grécia Antiga, quando a prática homossexual era aceita? Era carma nesses tempos também? E em lugares mais tolerantes, onde homossexuais conseguem viver tranquilamente e dificilmente enfrentam a homofobia?

Por isso mesmo que é possível deduzir que o carma não é a homossexualidade em si, e sim a homofobia. Sofrer preconceito pode ser um carma. Mas simplesmente nascer fora do padrão heterossexual não.

Quando não falam que é carma, dão explicações mais ignorantes ainda. Já li textos dizendo que homossexuais são um "terceiro sexo", que são uma vida intermediária entre masculino e o feminino, ou que são homem/mulher em corpo de mulher/homem.

Nem vou falar do terceiro sexo. Vou focar nas outras explicações, que são muito parecidas. A ideia de que homossexuais vivem entre os mundos masculino e feminino parte do princípio de que "o corpo é de um jeito, mas agem de outro". Desmembrando essa ideia, esses textos declaram que: quem tem corpo de homem, tem que agir como homem - gostar de mulher. E vice-versa. Seguindo essa linha de pensamento também falam que o corpo e o espírito são de gêneros opostos.

Será que os autores desses textos já conversaram com homossexuais? Perguntaram se homossexuais queriam ser de outro gênero? E, afinal de contas, separar aspectos masculinos e femininos apenas pela sexualidade da pessoa é muito... babaca. Falando por mim mesmo, não me identifico como mulher. Sou homem e sou masculino mesmo beijando outro homem.

Mais uma coisa, os gêneros não vivem em clubinhos fechados. Todas as pessoas estão em contato com a realidade masculina e feminina praticamente o tempo todo.

A pergunta que não quer calar: em que parte entrariam bissexuais nisso? Se um homem homossexual é uma mulher por dentro, um homem bissexual seria o quê? "Meio-mulher"? Viu como essas explicações são furadas, e nem é necessário conhecimentos espirituais para apontar isso?

Não vou entrar no mérito de informações que supostamente vêm do plano espiritual. Entretanto, com tudo que aprendi e pela minha experiência pessoal, apoiado na minha própria espiritualidade, posso afirmar que existe uma lógica nessas questões espirituais, uma lógica que podemos compreender. E fiz toda essa análise aqui usando apenas a lógica.

A verdade é que os próprios autores acabam contaminando seus textos com suas visões simplistas e ignorantes, além de machismo e provavelmente homofobia internalizada. A maior parte deles, pelo que percebo, são homens hétero-cis (o que explica muita coisa).

Por minha própria experiência e minhas pesquisas, junto com meu conhecimento sobre a diversidade, concluí que homossexualidade não é carma, não é castigo, não é uma "vida anormal", não é um caminho de sofrimento por si só.

Nenhuma vertente espiritualista ainda me trouxe uma explicação completa e plausível sobre o tema. Muito menos sobre a própria diversidade sexual. Enquanto nenhuma alma sábia joga alguma luz nessas questões, que tal as pessoas pararem de tentar explicar coisas que nem elas entendem? Não adianta nada uma mensagem de tolerância se antes ou depois veio um parágrafo dizendo que homossexuais não são homens/mulheres.

Por esses e outros motivos que adoro o budismo, que prega basicamente que somos pessoas com estilos de vida e caminhos variados, tudo voltado para a evolução de cada um. O resto é detalhe.



20 de out de 2016

Faz parte de ser militante

Quando alguém se torna militante de um ou mais movimentos sociais, sua realidade não muda, apenas se expande; sua visão aumenta, novos ângulos são enxergados. Ser militante não é apenas levantar uma bandeira e sair gritando. É mais que isso.

A militância se torna parte de sua vida, parte de quem você é, parte do seu cotidiano.

No começo é emocionante, empolgante, como toda novidade. Você sente aquela intensa vontade de lutar e melhorar o mundo. E então inicia o aprendizado. Problematização e desconstrução são dois conceitos cada vez mais presentes.

À medida que você se desconstrói e aprende com os movimentos sociais, você passa a enxergar todo preconceito em tudo ao seu redor. Não, não é frescura, não é exagero. O preconceito está em todo lugar mesmo, do nível mais agressivo ao mais sutil. Você enxerga até os preconceitos que você reproduzia (ou ainda reproduz)!

As piadas que antes você ria se tornam sem graça. Não é possível mais assistir TV, séries ou filmes sem problematizar. E, conforme sua militância vai se desenvolvendo, você percebe que a maior parte da sociedade percebe apenas a ponta do iceberg - a forma mais evidente do preconceito e a curto prazo. Detalhe: até mesmo essa ponta é ignorada ou relativizada.

Ter essa nova visão do mundo pode servir de combustível ao seu lado militante. Mas também te causa uma descrença sobre o mundo. "Porra, está tudo errado com o mundo!" É por isso que militantes precisam persistir.

Cada pessoa tem seu próprio jeito de militar. Afinal existem vários caminhos para isso. Há militantes que falam e agem com mais paciência e didática, outrxs com mais agressividade. Há quem releva certas coisas em prol de amizades, e há quem exerce a militância constantemente e com todas as pessoas.

Dedicar-se intensamente à militância é um tanto sofrível. Parentes não te convidam mais para as reuniões ou almoços de família (ou você se afasta). Você se torna a pessoa chata da rodinha de amizades. Nas redes sociais te dão likes em muitas postagens, menos naquelas que falam de preconceito. Tocar no assunto chega a te esgotar. Não ver resultado aparente te esgota ainda mais.

Solidão ou sentir-se "sem grupo" também faz parte da vida de militante. Se está se sentindo assim, bem-vindx ao clube. Não, não há nada de errado com você.

Tem dias que pode ficar insuportável militar e parecer que ninguém está te ouvindo ou que ninguém se importa, seja no mundo real ou virtual. Não se desanime! Tem sempre alguém te ouvindo, mesmo que não se manifeste. Apenas uma postagem "bobinha", mas com um questionamento pode abrir os olhos de alguém.

Não importa o tipo de militante que você é ou como você milita. Você terá que lidar com o preconceito e com pessoas preconceituosas. É difícil. Viver já não é fácil; ser uma minoria social é menos fácil.

É uma vida conflituosa, porém é uma reação à opressão, e surge na esperança em criar um mundo melhor para todxs. Mudar o mundo é um desafio. Faz parte.



12 de out de 2016

2 ANOS

Quando vi o calendário no finalzinho do mês passado, pensei: Nossa, que coincidência dia 12 cair numa quarta-feira, dia de postar artigo!

Sim, hoje o blog faz 2 anos de idade!
Em dois anos, quase 200 artigos e quase 26 mil visualizações!
Além das expectativas!

Inclusive, comprei um bolo gigante de sete camadas, cada uma com cada cor da bandeira LGBT. Mentira, não comprei, apesar que essa data merecia isso (eu mereço um bolo!).

Todxs nós somos uma metamorfose ambulante. Nossa tendência é estar em constante mudança. E sim, eu mudei. Quando pego um tempinho de algum dia aleatório para reler meus artigos antigos, eu percebo que mudei sim.

Como já falei, eu não tinha grandes expectativas para o blog. Pelo menos não em apenas um ano, e nem dois. Mas devo admitir que meus artigos atingiram um número de pessoas muuuito maior do que eu esperava! Um número que, para minha gratificação, continua aumentando.

Eu evoluí como pessoa. Justamente para poder escrever coisas que, de alguma forma, ajudassem outras pessoas a evoluir. Fico feliz em saber que certos artigos meus ajudaram alguém.

E minha militância evoluiu também. Pude levá-la até para a universidade em que estudo; estou criando junto com um grupo um coletivo LGBT oficial e atuante. O que isso tem a ver com o blog? Bem, militar aqui foi gradativamente me preparando para algo maior. Escrever aqui me ajuda também!

O blog é um refúgio para mim, um palco onde posso expressar minhas ideias e pensamentos. Aqui não é um espaço unicamente de militância social; é o meu espaço, uma extensão do meu mundo. E a data de hoje me faz relembrar que faz dois anos que criei coragem para me expor completamente ao planeta todo (se bem que não é o planeta todo que aparece aqui).

Espero que o Universo me permita estar aqui por muito mais tempo.

Não sou bom com textos sentimentais hahaha. E esse artigo está menos colorido que o do ano passado (mas ainda é de coração <3). Então finalizo agradecendo a todxs que me acompanharam ou me acompanham.

Até a próxima! :D



8 de out de 2016

Anime: Kindaichi Shōnen no Jikenbo

("In the name of my grandfather")

Um dado momento me interessei por gênero de mistério. Decidi então procurar algum anime com esse tema, com um detetive, assassinatos inexplicáveis, e revelações de truques que quase ninguém conseguiria pensar. Achei essa maravilha de anime!

Kindaichi é um estudante e neto de um famoso detetive falecido. Ele, junto com sua amiga, Miyuki, estão sempre se deparando com casos misteriosos que envolvem mortes feitas de formas improváveis. Nesse momento entra Kindaichi para reunir provas e formular uma explicação, e assim expor os fatos e quem matou.

A história é baseada num mangá de mesmo nome e enredo. O anime original lançou em 1997. E recentemente foi lançada uma versão mais moderna, com novos casos, separada em duas temporadas. Praticamente todos os episódios seguem o mesmo padrão. O que torna cada caso único são justamente as pessoas envolvidas, os truques usados nos assassinatos, e a motivação dos assassinos. Por mais que você seja fã de mistério e tente resolver o caso, você só entenderá tudo quando Kindaichi revelar. Contudo, isso não estraga a diversão e os casos conseguem prender a atenção de quem assiste através da tensão contínua. Talvez o único pecado da franquia seja a personagem Miyuki, que eu acho um pouco irritante.

Para quem gosta do gênero de mistério, esse anime é uma boa opção. E também uma ótima fonte para aprender métodos mirabolantes de matar alguém.





"This mystery is solved!"



6 de out de 2016

Pensamento do dia

Se prender ao passado é bobagem.

Esquecemos do presente e estragamos nosso futuro.

O passado deveria nos ensinar, nos mostrar o que fazer e o que não fazer.

"E se eu tivesse feito isso?"
"E se tivesse acontecido isso?"
"E se aquilo nunca tivesse acontecido?"

Os "e se"s vivem no plano das inúmeras possibilidades. Mas agora vivem também no passado.

Ficar se lamentando pelo que aconteceu ou não aconteceu vai te levar a loucura.

Ficar pensando nesses mundos alternativos vai te estagnar.

Nossa realidade é essa. Vamos vivê-la então e deixar as possibilidades do passado para trás.

Deixe seus outros eus dessas realidades alternativas cuidaram de suas vidas.
Você nunca saberá se seria melhor tudo ter acontecido diferente.
Aceite: tudo acontece como deve acontecer.

Talvez seu outro eu de alguma realidade gostaria de estar no seu lugar por alguma razão...

Se prender ao passado é bobagem.



1 de out de 2016

Legalização do aborto

Falar de aborto ainda é um tabu. Isso é compreensível levando em conta toda complexidade, tanto ética quanto religiosa, que acompanha discussões sobre a vida e o direito a ela.

Desde já esclareço que ninguém é realmente a favor do aborto. O que quero discutir aqui é a legalização do aborto, que é um direito da mulher e uma questão de saúde pública. 

Legalizar o aborto não é simplesmente dar o direito da mulher abortar quando bem quer. Existe toda uma legislação sobre isso, considerando as causas da gravidez, a condição da mulher e também o tempo de desenvolvimento do embrião, um conjunto de células.

E daí vem aquela discussão polêmica: esse conjunto de células, que sequer tem um cérebro formado, é uma vida? Muitas religiões defendem que a concepção - a fusão do espermatozoide com o óvulo - é o início da vida. A ética, apoiada na ciência, ainda não chegou a um consenso. Entretanto, mundialmente o aborto é aceito se realizado até a 12ª semana (3º mês) de gestação, visto que após esse tempo há um feto com pequena atividade neuronal (embora ainda um ser inconsciente).

Falando das causas da gravidez, devemos considerar os seguintes fatos:

1- Nem todas as camadas sociais têm acesso à informação; no caso, me refiro às mais periféricas. Pessoas sem a devida educação e assistência vão, naturalmente, viver mais pelos seus instintos mais básicos. Sim, elas vão sentir tesão e, naturalmente, vão transar. E como são ignorantes e marginalizadas, elas não têm alternativa a não ser ter o bebê, mesmo em condições miseráveis.

Sempre que você disser “abrir as pernas foi fácil”, que é uma maneira simplista de enxergar a situação, tente se colocar no lugar dessas pessoas. Elas não tiveram a mesma sorte que você, de nascer com acesso ao conhecimento e à educação.

2- Existem muitos métodos anticoncepcionais disponíveis no mundo. Se bem que nem todos os países podem adquiri-los e distribui-los para a população. Sabe o que todos eles têm em comum? Nenhum é 100% eficaz.

Sim, camisinhas estouram, pílulas podem falhar, e assim por diante. E não, não é culpa da mulher, nem do homem, que seja. Pode acontecer com qualquer pessoa. Você, pessoa hétero-cis, tenha sempre isso em mente.

3- Infelizmente, estupro contra a mulher ainda é uma realidade e recorrente pelo mundo. Talvez esse seja o ponto mais relevado até mesmo por quem se diz “contra o aborto”. Porém, há quem defenda (principalmente homens cis) que nem estupro é desculpa.

Já imaginou o que deve ser carregar o bebê de um homem que te estuprou? Pense nisso.

Obs: vale lembrar que nosso lindo governo fez um projeto chamado “Estatuto do Nascituro”, que impedia mulheres de abortarem em casos de estupro e até ofereciam direito à paternidade ao estuprador. Só um homem cis para pensar num projeto desses.

Eu acabo relevando muito com boa parte das pessoas que se dizem contra. Porque assim que elas expressão sua opinião, percebo que elas têm uma visão simplista, não enxergam toda a dimensão do tema. Elas mesmas são ignorantes.

Acho que muitas delas devem achar que legalizar o aborto é permitir que as mulheres saíssem engravidando e arrancando os fetos quando querem. E não é isso, nem passa perto disso. Aborto é um procedimento incômodo demais. E como foi dito, o procedimento deve ser feito antes da formação completa do feto.

Quem se diz contra deveria ao menos pesquisar sobre países que legalizaram o aborto. Em todos eles diminuiu-se a taxa de abortos clandestinos (que, por sinal, ameaçam a vida da mulher) e a taxa de natalidade permanece aceitável.

Mais uma coisa: percebe-se que membros da direita, esses que se autodeclaram “pró-vida”, protegem a todo custo a vida da criança... até ela nascer. Não adianta nada se dizer pró-vida se você não se importa com a vida da mulher e com que condições ela cuidará da criança (ou se vai simplesmente dá-la para adoção). Você não é pró-vida. Você é pró-nascimento. Ah, defender pena de morte também não é ser pró-vida, ok?

Convenhamos, o aborto teria sido sempre legalizado se os homens cis tivessem útero.



28 de set de 2016

Sessão Yaoi (Animes/Mangás)

(Atenção: esse post não é para menores de 18 anos!)
(Nota: esse aviso não serve de nada, é só uma questão burocrática)














25 de set de 2016

Desculpe o transtorno, mas

preciso falar das pessoas que escrevem textos para ex.



Há casos e casos. Procurarei falar um pouco de tudo aqui. Pois assim espero ajudar alguém, seja quem for você estiver lendo isso.

Desde já deixarei claro o seguinte: você tem todo o direito de estar de luto pelo fim de um relacionamento!

Foi tudo lindo e maravilhoso, né? Foi intenso, não foi? Tudo que passaram um ao lado do outro. Desde o primeiro olhar até a terrível despedida final ou aquele trágico momento quando a relação partiu-se.

Quais pensamentos invadem sua cabeça a ponto de não te deixar dormir à noite?

"O que fiz de errado?"
"Por quê?"
"Onde acharei outra pessoa como aquela?"
"Há alguma maneira de consertar tudo?"
"Como pôde terminar comigo?!"

O que move seu luto? O afeto que ainda sente? Ou apenas carência? Possessividade ("a pessoa é minha, só minha!")? Se for afeto, parabéns, seus sentimentos são puros e merecem ser investidos numa nova pessoa. Se for carência ou possessividade, comece a considerar essas coisas como possíveis causas para o fim da relação. E livre-se delas, elas não fazem bem!

Você pode sentir a falta da pessoa! No fundo ninguém é uma pedra de gelo e ninguém esquece uma história de amor em dias ou semanas. Porém você deve superar! Nada vale o tempo que gastamos revirando as lembranças ou maquinando algum plano formidável de retornar com a pessoa, igual àquelas reviravoltas de novela.

Sério, esquece as novelas e filmes, os livros de romance e os desenhos da Disney. Nem toda relação é para sempre! Não há uma receita universal para superar a separação. Encontre sua maneira, sempre há uma.

A vida é feita de ciclos. Quando um acaba, outro se inicia. Permita-se! Não precisa iniciar o novo ciclo no dia seguinte, daqui a duas semanas, ou esperar só um mês. Inicie no seu tempo, o tempo realmente necessário.

Agora, convenhamos que existe ex que não merece nosso texto. Não merece nossa tristeza, nossa insônia, aquela vontade nossa de telefonar ou mandar uma mensagem. Terminou a relação com alguém que te tratava mal, te traía, te feria de alguma forma, não te acrescentava em nada? Jogue essa pessoa no lixo!

Você sempre merece o melhor! E use essa relação como lição de vida.

Outra coisa, se você sabe que a maior parte ou toda a culpa do fim do relacionamento foi sua, perseguir a pessoa com textos, mensagens, etc pode ser interpretado como obsessão ou culpa. Mesmo que você se humilhe.

Por favor, não faça isso. Aprenda com seus erros, analisando e refletindo tudo que passou, e não cometa-os de novo. E siga em frente!

E sim, você merece alguém; não deixe a culpa dos seus erros te dizer que não. Não deixe que a mesma culpa traga relações abusivas e destrutivas, como uma punição inconsciente. Todxs merecemos o melhor.

Você pode terminar um relacionamento e continuar amando a pessoa. Afinal todxs nós temos nossa forma de amar. Amar, desde que saudavelmente, sem posse ou amargura. Sinta saudade. Relembre os bons momentos. Guarde a pessoa no coração e o aprendizado na alma.

Independentemente do que foi vivido e aconteceu, todxs merecem um novo amor e todxs devem seguir com suas vidas. Quem vive de passado é museu. Prender-se ao passado é desperdiçar o presente e impedir o futuro.

Era só isso. Beijinhos <3



22 de set de 2016

Vamos falar de bifobia

Dia 23 de setembro é o Dia da Visibilidade Bissexual.

Desde que o movimento LGBT foi formado e começou a ganhar força, gays e lésbicas foram ganhando voz e visibilidade. Entretanto, pessoas bissexuais continuam sem ter a mesma coisa. Por isso hoje vou falar sobre bifobia, o preconceito contra bissexuais praticado tanto entre héteros-cis quanto em grupos LGBTs.

A bissexualidade não é "meio-hétero e meio-homo". Ela apenas é o que é.

Não importa se há preferência maior por um gênero, se há períodos em que um gênero atrai mais, se a pessoa não se relaciona com mulheres ou com homens. Ser bissexual é apenas ser.

Tem gente que quase pede um "atestado de comprovação da bissexualidade", perguntando se a pessoa já se relacionou com os dois gêneros, a quantidade de homens e mulheres, qual curtiu mais, enfim, uma série de perguntas que bissexuais não gostam.

A sexualidade é um aspecto humano muito fluído, podendo haver um amplo espectro de atração sexual. Há gente que se descobri bi desde sempre. Há gente que descobre um pouco depois. Assim como há gente que descobre anos depois, mesmo ter passado boa parte da vida sendo hétero/homo. Não, o mundo não é dividido apenas em héteros e homos. A sexualidade não é apenas dois extremos.

Bissexualidade não é indecisão, confusão, curiosidade, safadeza, relação a três ou mais, ou necessidade de aparecer. É apenas uma atração sexual mais ampla dentro da imensa diversidade sexual que existe no mundo.

Pode haver bis que curtem relações poligâmicas? Pode. Mas sem generalizar. Assim como há bis que namoram apenas um gênero ou se casaram com o mesmo gênero. Ninguém é mais ou menos bi por isso.

Também praticamos bifobia quando classificamos as pessoas apenas em héteros e homos. É uma mania nossa. Vemos um casal homoafetivo e automaticamente determinamos que ambas as partes sejam homossexuais. E se uma delas for bi? E se ambas forem? Devemos sempre ter a mente aberta para todas as possibilidades de ser de uma pessoa.

Como se não bastasse tudo que foi dito, tem gente que já declarou que não se relacionaria com uma pessoa bi. E ainda dizem que bifobia não existe, pois bissexuais sofrem discriminação ao se relacionarem com alguém do mesmo gênero, e, portanto, sofrem homofobia/lesbofobia.

Bifobia existe!
Bifobia precisa ser combatida!
Bissexuais existem e são pessoas como qualquer outra!

#VisibilidadeBissexual ♥️♥️♥️