27 de fev de 2016

Animação: Avatar: A Lenda de Aang

("I still believe that somehow, the Avatar will return to save the world")

Mesmo eu tendo interesse em todas as obras que falam de elementos, demorei muito para assistir essa. Um dia dei uma chance. Não me arrependo até hoje. Inclusive cheguei a ver duas vezes.

A história conta sobre Aang, um garoto encontrado congelado num iceberg por Katara e Sokka, uma garota e um garoto de uma tribo. O mundo da trama tem pessoas que controlam um dos quatro elementos - Água, Terra, Fogo e Ar - e pessoas comuns. O Avatar é a única pessoa que controla todos os quatro e tem a missão de manter a paz no mundo, além de ser uma ponte entre esse mundo com o mundo espiritual. Aang soube de sua missão e acidentalmente se congelou por uns 100 anos. Durante esse tempo, a Nação do Fogo decidiu ser soberana e atacou os demais povos. Agora Aang precisa aprender a ser o Avatar e acabar com a opressão da Nação do Fogo.

Embora seja uma fantasia com elementos, eles não são o verdadeiro foco, mesmo que sejam um dos aspectos que mais enfeitam o enredo todo. Aang é um garoto de 12 anos com muita responsabilidade nas mãos, e a história mostra seus desafios e seu crescimento. E é interessante também as questões morais abordadas, principalmente quando Aang pensa que matar o Senhor do Fogo é a única forma de acabar com o mal da Nação do Fogo. O lado espiritual da trama traz a influência do Oriente, com suas etnias seguidoras de crenças e doutrinas espiritualizadas. Apesar de ser um desenho para crianças também, a história tem seus momentos "pesados", mas nada tão violento ou mórbido. De fato, o desenho suaviza esses momentos o máximo que pode (sem desviar de sua proposta). Em meio a toda ação e drama presentes, existe comédia e momentos de descontração e amizade entre as personagens (o Time Avatar, em especial).

Demorei muito tempo para perceber a diversidade das personagens: temos um garoto e uma garota de pele negra e uma garota cega - representatividades contra racismo e capacitismo. O Time Avatar tem quase um equilíbrio entre os gêneros; 3 garotos e 2 garotas. Sokka é o único que não controla algum elemento, mas nem por isso deixa de ter participação, o que é uma atitude inclusiva. E nota-se também que o grupo inteiro tem suas questões familiares diversas, indo de perdas até famílias "complicadas".

A série está disponível na Internet, na TV e na Netflix. Não é difícil de achar. É uma história bonita, e bem-vinda para qualquer pessoa.



24 de fev de 2016

Virgindade

Isso já foi um assunto mais polêmico, principalmente quando referente às mulheres. A religiosidade e as supostas boas morais e costumes sempre cobraram castidade delas até o casamento.

E dos homens... bem, teoricamente deveria ser cobrada pelos mesmos princípios. Na prática, nunca foi tão cobrada assim. O arquétipo que a sociedade construiu do homem é que ele é um tremendo bicho reprodutor. E por isso a sexualidade masculina (hétero) sempre foi mais livre de restrições e julgamentos.

Nesses tempos pós-modernos as novas gerações não fizeram questão de se prender a esses dogmas e quebraram várias barreiras. Não é incomum jovens que acabaram de atingir a puberdade (geralmente aos 13 anos) já iniciarem vida sexual, de alguma forma. A juventude atual abriu a mente para fazerem o que quiserem e quando quiserem, sem nem esconderem. E nosso querido mundo virtual abriu várias portas para as pessoas, incluindo as dos encontros rápidos e do sexo casual.

Eu percebo que existe uma cobrança sobre a vida sexual alheia, uma cobrança de que jovens sejam bem bem bem transantes, ainda mais por serem jovens. A juventude é a fase da fertilidade, das aventuras sexuais, do gozo, do prazer, enfim, já entenderam hahaha. Há virgens que mentem para terem aceitação na rodinha dos atores pornôs mirins da escola. E há também quem transa mais por pressão de outrem.

Não tenho nenhum problema em dizer que sou virgem. Não é nada vergonhoso ou assombroso. E sim, sou virgem aos 22 anos. Como isso é possível, ainda mais no mundo atual? Bem... por opção.

Assim que revelo isso, há quem se surpreenda e há quem aparenta indiferença. Quem se surpreende, bem, é compreensível o motivo. Como eu já disse, as pessoas já transam assim que começa a bendita puberdade. E também, convenhamos, é fácil achar uma foda casual por aí.

Até hoje só um colega meu me encheu o saco sobre eu transar logo. Mas tentei levar mais na zoeira. O que me incomoda mais é quando virgindade vira piada na Internet (virjão), quando usam como "ofensa", ou quando associam virgens a pessoas que fazem certas nerdices (como jogar LoL). E o que me assusta é quando virgens viram fetiche de pessoas mal-intencionadas.

"Mas afinal, por que optou por isso até agora?"
Confesso que já tentei me abrir para o sexo casual. Foi com o menino com quem tive meu primeiro beijo. Ficamos só nos beijos. Acho que não nasci para coisas casuais, pois não consigo separar o sexual do afetivo. Há quem consiga, e não é meu caso. Não suporto a ideia de transar com alguém e ficar apenas nisso, mais nada, sem sentimento ou um envolvimento mais profundo.

Até o presente momento não me apareceu alguém, a "pessoa certa". Não estou procurando mais um príncipe encantado que será meu parceiro pelo resto da vida. Nem procuro "a transa". Só quero que seja com alguém que eu goste e que goste de mim, alguém que faça eu me sentir à vontade. Essa é minha conduta, não quer dizer que seja a correta. É a correta para mim.

Para quem teve a primeira vez como quis e está feliz com isso, parabéns.
Para quem teve e não está feliz, tudo bem. Não deixe isso te abalar e continue sua vida.
E para quem ainda não teve, meu melhor conselho é: faça quando realmente quiser e com quem se sentir à vontade.

Beijos virgens para todxs!



20 de fev de 2016

A misoginia gay

"Como gays podem ser machistas ou misóginos? Gays sofrem tanto quanto as mulheres! Gays são íntimos das mulheres!!! #SomosTodasMigas"

Hm... bem, a realidade é bem diferente disso.

Muitos gays ainda creem no mito de que estão isentos de cometer opressões contra as mulheres. Pode ser devido a opressão ser mais associada a héteros ou porque esses mesmos gays acreditam que são, de alguma forma, iguais as mulheres. É impossível não lembrar que gays são ainda vistos como "mulheres em corpo de homem".

Temos que lembrar sempre que a questão do machismo não é exclusiva de héteros. Gays também podem ser machistas. O machismo é uma opressão de gênero, a sexualidade do homem nada tem a ver com isso.

Há héteros que ainda acreditam que gays têm uma permissão divina de ver mulheres nuas e até de tocar em seus seios e bundas quando querem e sem serem recriminados. Isso é mentira. Um gay tocar numa mulher sem o consentimento dela é errado!

A própria sociedade acabou criando a ideia de que homens gays, por não sentirem atração, automaticamente têm repulsa por mulheres. Não é uma ideia tão forte, visto que boa parte dos gays possuem mais amizades femininas. Porém, manifestações de ódio, da misoginia (filhote do machismo), podem vir de várias formas.

O nojo excessivo que muitos gays têm por vagina é uma atitude misógina com as mulheres cis. E também transfóbica contra os homens trans. Esse nojo por uma parte do corpo é mais outra influência social. Pode ser desconstruída.

Aquela repulsa que mencionei pode ser vista em homens gays tanto afeminados quanto masculinizados. Contudo, é interessante notar que aqueles mais heteronormativos tendem a ser os mais misóginos. E a razão disso é compreensível. A heteronormatividade está entrelaçada ao machismo.

Sem contar que os heteronormativos, ao construírem um ódio contra a feminilidade, acabam gerando a discriminação por gays afeminados. Está tudo ligado aqui, percebam.

Às vezes, para se socializar, certos gays utilizam do machismo para se aproximar de outros homens. Não façam isso. Sério! Se vocês precisam de uma opressão para ganhar companhia, então essa companhia não vale a pena.

Se fantasiar de mulher no Carnaval ou se vestir assim com a intenção de zoar também é misógino. Mulher não é piada.

Ah, e xingar a amiguinha de vadia, vagabunda, piranha, puta, entre outras palavras, pensando que suas palavras são menos ofensivas do que quando faladas por héteros, também é uma atitude misógina. O mesmo vale quando "brincam" encenando nojo ou desprezo por mulheres (similar a homens héteros com homens em geral). Para ser gay você não precisa ter repúdio por mulheres.

Os próprios gays devem se alertar sobre tudo isso, sobre o machismo que eles mesmos têm internamente. Se gostam tanto das mulheres, então aceitem e comecem a desconstruir isso.

Acredito que gays têm uma oportunidade maior de ter empatia pelas mulheres. Treinem essa empatia. Sejam pessoas melhores. É bom para elas, para vocês, e para o mundo.



17 de fev de 2016

Relação com um homem transexual

Um tema ainda muito discutido no ativismo LGBT é sobre o relacionamento amoroso-sexual entre um homem cissexual com um homem transexual. "Como se relacionar com um homem que tem vagina?"

Infelizmente a grande maioria dos homens cis que se atraem por homens têm a ideia de que o transexual não é "homem de verdade" ou que não serve para sexo. E, entre os poucos que aceitam, há aqueles que acabam tratando-o mais como fetiche ou "uma experiência inusitada".

Essa mesma transfobia acaba levando alguns homens trans a não gostarem da própria genitália. Vale lembrar que nem todos fazem sexo vaginal e nem todos são passivos.

Até mesmo os homens cis que namoram homens trans chegam a passar por constrangimentos vindos de comentários ou perguntas infelizes de terceiros. Quando comentei sobre essa ideia com uma pessoa, e até afirmei estar aberto a um namoro assim, ela disse que eu devia ser bissexual (?).

Nunca me relacionei com um homem trans. Ainda assim, num momento da minha vida, eu pensei: E se um dia eu me apaixonar por um homem trans? O que devo fazer? Afinal existe essa possibilidade.

Como quebrar essa barreira?

Acredito que, em primeiro lugar, devemos ter empatia; um homem transexual é um ser humano como qualquer outro. Ele tem sentimentos, sonha, come, bebe, dorme, e no fim ele quer o que toda pessoa quer: felicidade. Imagine você, homem cis, nascer num sexo com o qual não se identifica e não conseguir um amor apenas por causa da genitália.

Precisamos desconstruir a ideia de que 'homem' é sinônimo de 'ter pênis'. É uma ideia cisnormativa e muito antiquada. Gostar de homem não é sinônimo de gostar de pênis. E também temos que desconstruir esse nojo exagerado que muitos gays têm por vagina. Genitália é apenas genitália, uma característica do corpo humano.

E, por fim, sexo é sexo, prazer é prazer, amor é amor. Não importa com quem seja, somos capazes de nos relacionarmos com qualquer pessoa que desejamos. Quando queremos de verdade, nada nos impede. O que vale mais: o corpo ou a pessoa como um todo? Pensem nisso.

Antes de se relacionar sexualmente e/ou amorosamente com alguém, pense no que é mais importante: a pessoa ou o que ela tem na virilha? Você se relaciona com pessoas ou com genitais?

Atualmente existe a neofaloplastia (ainda não disponível no Brasil), que consegue criar um pênis para os trans. Mas, como eu já disse, a genitália não é o mais importante. Todos os homens trans merecem respeito e amor, sejam transgenitalizados ou não. Há mulheres trans que preferem manter o pênis, então o mesmo deve ocorrer com alguns homens trans.

Quem ainda não estiver aberto a essa desconstrução, tudo bem. Procure desconstruir gradativamente, a seu tempo. Só, por favor, não magoe ou fale besteira, seja para um homem trans ou também para quem se relaciona com um. Antes de querer opinar sobre o assunto, informe-se!



13 de fev de 2016

Betsu-no-Shounen responde à tag Liebster Award

Batatas, o blogueiro doido que habita uma dimensão chamada "Cinema, Livros e Batata", me convidou para esse joguinho (como estou entediado, vou participar).



Regras:

- Escrever 11 fatos sobre você.
- Responder as perguntas de quem te indicou a TAG. 
- Indicar de 11 a 20 blogs. 
- Fazer 11 perguntas pra quem você indicar. 
- Inserir no post uma imagem com o selo Liebster Award. 
- Linkar de volta quem te indicou.



11 fatos sobre mim:

1- Eu sou muito chocólatra. Deve ser eu quem está acabando com o chocolate...

2- Eu até hoje nunca aprendi a tocar nenhum instrumento. Ainda vou aprender.

3- Eu faço histórias desde pequeno. Antes eu fazia com canetinha e lápis de cor. Agora escrevo mesmo.

4- Eu não gosto muito do meu bigode e barba. Prefiro meu rosto liso.

5- Eu adoro a cor vermelha.

6- Eu não gosto muito de pessoas. Queria ser um gato.

7- Eu queria ser pansexual, para assim gostar de todas as pessoas, sem distinções.

8- Eu sou um tanto contraditório às vezes.

9- Eu sou um esquerdista incurável. Não gostou? Pede meu impeachment!

10- Eu tenho muita vontade de cantar. Mas tenho vergonha...

11- Eu adoro brisar e sonhar acordado. Vivo num mundo de fantasia (não sou esquizofrênico).



Perguntas do Batatas:

1 - Quem é você?
R: Betsu-no-Shounen, ou Um Garoto Alternativo. Mas meu nome verdadeiro é Vitor Rubião.

2 - Sobre o que é seu blogue?
R: Sobre muitas coisas, mas foco principalmente em ativismo e movimentos sociais, como o LGBT. Posso falar às vezes dos movimentos feminista e negro. Aqui falo de tudo que gosto de falar. Gosto de passar informações, de provocar reflexões e debater múltiplos assuntos. Ah, e adoro gerar caos e polêmica.

3 - Compartilhe o seu segredo: diga a iniciativa ou postagem que mais trouxe visualizações ao seu blogue.
R: Até o presente momento, meu artigo mais visto é o "LGBT ou GGGG?", que discute sobre o quanto ativistas gays se esquecem das demais classes e só defendem seus direitos e privilégios.

4 - Prepare seu discurso de Miss/Mr. Universo:
R: O Diabo virou para mim e me disse "filho, sobe e aterroriza geral". Nasci para quebrar padrões. Nasci para problematizar. Nasci para desconstruir. E vou me dedicar a colorir esse mundo tão preto e branco o máximo que eu puder. Não adianta me xingar, me agredir ou me matar: meu espírito estará sempre vivo nesse caos chamado planeta Terra. Não gostou? Me processa.

5 - Que tipo de pergunta você odeia responder?
R: Qualquer pergunta relacionada a minha intimidade sexual, ainda mais com quem acabo de conhecer ou nem tenho afinidade. Se um homem interessado em mim já chega perguntando se sou ativo ou passivo, o assunto acaba ali mesmo.

6 - Se você pudesse viver em um mundo imaginário de qualquer filme, livro ou série, qual seria? Por quê?
R: Eu viveria no mundo da franquia Senhor dos Anéis. Pois gosto muito do trabalho de Tolkien. Acho que ele criou uma mitologia perfeita e incomparável dentro do gênero de fantasia.

7 - Qual seu casal fictício favorito?
R: Talvez seja Shrek e Fiona, porque quebram todos os estereótipos de contos de fada clássicos.

8 - Qual seu herói favorito? E qual seu vilão favorito? Quem venceria numa luta? Eles formariam um bom casal?
R: Acho que o Batman. E acho que o Magneto. Quero apostar no Batman. Talvez formariam um bom casal, afinal o Magneto tem todo aquele magnetismo (ba dum tis).

9 - Eu sei que é difícil escolher só um. Mas é só um. No cheating, ok? Qual é seu livro favorito?
R: Difícil mesmo. Vou pegar um nacional que li três vezes: Os Lusíadas. Talvez seja esse.



Blogs que indico:

Não conheço tantos blogs. Vou indicar só esses aqui:







Minhas perguntas:

1- Se você pudesse ser um animal, qual você seria e por quê?

2- Defina seu gosto musical.

3- Qual foi sua inspiração ou motivação para criar seu blog?

4- Se pudesse voltar ao passado, o que você mudaria?

5- O que você espera ser daqui a dez anos?

6- Você gosta de livros? Se sim, quais são seus gêneros favoritos?

7- Você gosta de animes e/ou mangás? Se sim, quais são seus favoritos?

8- Você gosta de videogames? Se sim, quais são seus consoles e games? Diga seus jogos favoritos.

9- Você gosta de séries? Se sim, quais são suas favoritas?

10- Diga as seis maiores características que definem sua personalidade.

11- Acha que sexo e sentimento andam juntos ou é possível separá-los? Se é possível, isso é sempre bom ou pode ser ruim?

12- Você acredita que a educação que recebeu em casa foi perfeita ou pelo menos suficiente em todos os aspectos?

13- Na vida, de maneira geral, você se identifica com qual alinhamento? Bom-Leal, Bom-Neutro, Bom-Caótico, Neutro-Leal, Neutro Verdadeiro, Neutro-Caótico, Mal-Leal, Mal-Neutro, ou Mal-Caótico?

14- Se você governasse seu próprio país, reino ou mundo, qual seria o nome dele?

15- Responda com toda sinceridade: qual preconceito você ainda tem dentro de você? Reflita bem.






Quem me indicou eu já linkei lá em cima.



Até a próxima, mortais!



10 de fev de 2016

Pensamento do dia

Às vezes me parece que as pessoas adultas se esquecem de que já foram crianças e adolescentes.

Crianças são naturalmente egocêntricas até certa idade. A criança está na fase de perceber e descobrir a realidade em que vive, por isso ela é curiosidade e questionadora. O egocentrismo é normal, pois a criança ainda está aprendendo que existe mundo além dela.

Uma criança muito egoísta, que manipula tudo para conseguir o que quer, já é outra história... Isso sim é falta de instrução e de valores. 

Não apenas confundimos os dois conceitos como também julgamos as crianças pelo egocentrismo delas, que é perfeitamente natural e próprio do ser humano. Parece que quando as pessoas amadurecem, elas pensam que a maturidade esteve lá com elas desde sempre.

O mais engraçado é quando as elas próprias mimam as crianças e adolescentes e depois jogam todxs na vida, dependentes e sem maturidade, para se fuderem.

Davam tudo que queriam, encobriam ou relativizam seus erros, não ensinaram sobre responsabilidade e independência. E então reclamam da falta de educação e reafirmam a chatice consequente dxs jovens. As demais pessoas ao redor fazem o mesmo. E a vida... bom, a vida esculacha sem dó.

Pesquisas indicam que a maioria das pessoas adultas nunca foi adolescente. A rebeldia, as reclamações, as crises existenciais, as burradas, a sexualidade aflorando, as alterações de humor, as emoções intensas... tudo isso é frescura, ou provavelmente algum distúrbio sem explicação.

Ah, e essas mesmas pessoas, com toda sua maturidade, são perfeitas. Elas estão sempre certas em qualquer ocasião. São as crianças e adolescentes que dificultam tudo.

Cada vez mais notamos que pais, mães, responsáveis e afins estão querendo se livrar de suas próprias crias. A educação que deveria ser dada em casa é cobrada na escola. O amor e o contato humano são substituídos por dinheiro e/ou bens materiais. A irresponsabilidade é apenas punida, nunca explorada. As restrições são apenas impostas, nunca explicadas.

E então xs jovens crescem. E o que se tornam quando crescem? As mesmas pessoas adultas perfeitas? Talvez.

Crescem e a tendência é repetirem o mesmo ciclo de erros. A herança de erros é passada adiante, para as próximas gerações, criando mais pessoas erradas. A infelicidade segue junto.

Ser adulto é uma merda...



6 de fev de 2016

Vida de um jovem gay não assumido

Em tempos atuais em que a homossexualidade é tratada como um aspecto negativo, todo jovem gay brasileiro já teve sua fase no armário. Quem nunca, né? A maioria vive esse período até o final da escola. É depois da escola que os gays se libertam mais!

Apesar de ser sufocante ter que se esconder, confesso que às vezes era gostoso sentir aquela adrenalina do momento; você se sente um criminoso, e ainda assim é delicioso. E a tensão do pensamento de ser flagrado no ato só aumentava o êxtase. Já fiz coisas safadas em situações de risco apenas por esse capricho.

Desde pequeno eu observava os manequins masculinos das lojas. Mas nada se comparava às embalagens das marcas de cueca - com os corpos masculinos estampados -, ou com as fotos grandes de modelos seminus em algumas paredes. 

Mesmo crianças, para nós é notável que existe um interesse nosso pelo gênero masculino, apenas não entendemos o motivo. Fica confuso quando vemos que todos os meninos ao nosso redor se interessam pelo gênero feminino. Quase todos nós chegamos a fingir interesse apenas para nos sentirmos "normais". Mas não há como fugir desse interesse estranho que cresce a cada dia, mais e mais. Enquanto isso nos apaixonamos pelos amiguinhos ou primos, ficamos gamados num ator ou até mesmo um personagem fictício, e podemos expressar comportamentos considerados femininos. Faz parte.

Apesar disso tudo, mantemos ainda certa inocência. E então chega a puberdade... Aaah, a puberdade! Os hormônios nos revelam o que exatamente queremos com o gênero masculino. É nessa fase da vida que experimentamos as maiores safadezas.

Na puberdade temos o despertar pleno da sexualidade. Por isso é comum procurarmos pornografia na Internet ou fora dela, termos interesse naquele filme ou série que tem nudez masculina (mesmo que seja num frame de 1 segundo numa cena) ou cenas gays, ver os catálogos de roupa íntima, e até ter um súbito interesse por programas de natação. Espiar pelo buraco da fechadura do banheiro ou tocar no cara enquanto ele dorme também fazem parte (embora não sejam atitudes corretas).

Evidente que tudo era feito nas escondidas. Para ver pornô gay uma mão precisava ficar no mouse. E você tinha que ter agilidade para mudar rápido de página se alguém entrasse de repente no quarto (afinal, são nesses momentos que as pessoas entram no quarto, e ainda sem avisar!). Agora se estiver vendo algo na TV, o controle não pode sair de uma das mãos. Nunca se sabe quando era preciso mudar para o canal de desenho e disfarçar.

A masturbação deve ser o maior passo na puberdade. Em quem pensamos? Bom, a maioria deve fantasiar com uma celebridade, seja um ator adolescente ou mais maduro. Agora riem de mim; me lembro em quem pensei na minha primeira punheta: Zac Efron. Ademais, masturbação pode ser sofrida quando você não tem muita privacidade. E a gente pensa ingenuamente que nossas famílias não sabem o que fazemos no quarto trancado ou quando ficamos meia hora no banheiro.

Não apenas o armário, mas na puberdade somos todos pecadores, pecadores que adoram pecar, cada vez mais explorando os próprios corpos e descobrindo o Universo gay. Contudo, tudo feito no armário é feito no sigilo, e nunca sabemos qual será a reação das pessoas.

E claro que tudo isso acabou. Foi apenas um período, uma fase. Depois que nos libertamos do armário, tudo muda. Talvez a melhor parte seja o descobrimento da sexualidade. Porém, desfrutar dela, sem medos ou receios, não tem preço.



3 de fev de 2016

Comentando sobre o BBB16

Eu gostaria de nunca ter que precisar fala de Big Brother Brasil. Detesto o programa e prefiro fingir que esse show de futilidade não existe. Mas os últimos acontecimentos me forçaram a escrever este artigo.

A polêmica da vez é sobre um homem de 53 anos chamado Laércio. Um pouco depois dos participantes serem anunciados, houve nas redes sociais uma denúncia sobre este homem ter abusado de moças adolescentes, acusações de pedofilia. O próprio declarou ter duas namoradas, uma de 19 e outra de 17 anos, e até afirmou embebedar moças para "pegá-las". Sem contar que seu Facebook mostrou mais de sua verdadeira face - uma paixão estranha por armas de fogo, uma página suspeita sobre nazismo, e ele até mostra orgulho de ser branco...

Por mais que este homem seja evidentemente de péssimo caráter, temos que lidar com um fato: por lei, ele não é pedófilo. Ele é, na verdade, efebófilo. Comentei sobre a diferença entre esses dois conceitos num artigo. Porém, mesmo não sendo crime por lei, efebofilia deve ser problematizada, e este caso é a prova disso. Sinto muita vergonha de não ter enfatizado isso no outro artigo.

Pela lei do Brasil, o sexo consentido começa a partir dos 14 anos. Então assim que fazemos 14 anos estamos disponíveis para relação íntima com qualquer pessoa até os 18 e dos 18 em diante. Hm... pera aí! Hora de problematizar!

Há um número considerável de pessoas que tiveram tal experiência: relação com alguém maior de idade quando tinham menos de 18 anos. Os relatos variam de uma relação aceitável para uma relação abusiva. Quem fala bem pode chegar a comentar sobre ter que "enfrentar" a maturidade vinda da outra parte. Talvez seja uma consequência natural. E quem, infelizmente, relata uma experiência negativa revela opressão de várias formas. A parte mais velha domina e manipula, sem dó, causando um sofrimento psicológico na parte mais nova durante toda a relação, em alguns casos até agredindo.

Não basta apenas a idade biológica; a idade mental também é importante. Quantxs jovens por aí têm quase 18, mas na cabeça parecem ter 12? Até mesmo quem já passou dos 18! Essas pessoas estão realmente preparadas para uma relação com alguém de maior experiência? Imaturidade pode ser perigosa aqui...

A pergunta mais intrigante aqui deve ser esta: o que alguém de maior maturidade busca numa pessoa mais jovem, mais nova? O que um homem de mais de 50 busca em moças de menos de 18? Já pararam para refletir sobre isso? Não me venha com romance ou com "amor não tem idade", pois as relações abusivas mostram o lado obscuro da coisa.

Não existe sentimento quando um homem procura uma moça ingênua e inexperiente. Está claro que ele não quer uma companheira; quer alguém que sirva às suas vontades e que possa ser controlada. E não dá para ignorar a forte influência do patriarcado nessa questão, que desde sempre tenta moldar as mulheres para serem submissas e os homens para serem abusivos. Existe até pornografia que retrata homens mais velhos transando com moças de aparência bem jovem, com vestidinhos e cabelos presos com fitas. Conseguem ver a depravação do nosso patriarcado? O mesmo patriarcado que coloca tais ideias na mente da população como se fossem normais!

Com tudo isso, posso afirmar que relações efebófilas podem ser muito complicadas. Deve haver interferência de responsáveis quando adolescentes querem entrar numa relação dessas, ainda mais com uma imensa diferença de idade. E reforço que em toda relação deve haver maturidade de todas as partes. A falta dela pode abrir porta para uma relação abusiva baseada em dominação e manipulação. E sinto lhes informar, o mundo está cheio de homens (adultos e velhos) procurando jovens para isso. Cuidado, gente!

Além de toda essa problematização, o próprio Laércio admitiu em rede nacional que tocou em moças embriagadas por ele, o que é um crime! Sim, uma pessoa com esse perfil está namorando uma menor de 18. Ninguém acha isso, no mínimo, absurdo? Ver uma pessoa dessas solta por aí e ainda participando de um programa de TV revela mais sobre a realidade podre desse país. Sem contar as pessoas que levantaram bandeira a favor desse louco. Triste, mas é o Brasil atual.