30 de mar de 2016

Sessão Yaoi (Animes/Mangás)

(Atenção: esse post não é para menores de 18 anos!)
(Nota: esse aviso não serve de nada, é só uma questão burocrática)















27 de mar de 2016

Anime: Fullmetal Alchemist Brotherhood

("If one wishes to obtain something, something of equal value must be given. This is the law of equivalent exchange; the basis of all alchemy")

O anime que vi primeiro foi a versão de 2003, que nada tem a ver com a história original, do mangá. Tem muitas semelhanças, mas ainda é uma história diferente. Vi o anime principalmente pela alquimia, um assunto que sempre me interessou. Brotherhood estreou em 2009 e teve uma repercussão muito positiva. E com razão teve!

A história conta sobre os irmãos Edward e Alphonse Elric, que perdem a mãe e tentam revivê-la através da prática da alquimia, que naquele mundo é um poder capaz de criar coisas novas a partir da matéria. Eles não conseguem ressuscitá-la e, no processo, Edward perde o braço direito e a perna esquerda, enquanto Alphonse perde o corpo. Porém, Edward consegue a tempo trazer a alma do irmão de volta e a prende numa armadura. Após o ocorrido, os irmãos partem em busca da Pedra Filosofal, que pode amplificar ao máximo as transmutações (práticas da alquimia) e que pode reverter a tragédia dos irmãos. Nessa busca eles enfrentam pessoas ambiciosas e criaturas feitas a partir da alquimia, como os Homúnculos (seres humanos artificiais), e cada vez mais conhecem a verdade sobre a alquimia, a Pedra, e todas as tramas que estiveram causando conflitos naquele mundo.

Eu considero três aspectos como os mais importantes em toda a história: as personagens, as questões morais e a alquimia. As personagens são cativantes e memoráveis, especialmente os protagonistas, os irmãos Elric, que ficam mais fortes e firmes com o avançar da trama. As questões morais influem muito nas decisões das personagens, sem contar que muitas estão relacionadas a alquimia. E a própria alquimia embeleza o enredo e provê batalhas e cenas incríveis. O anime tem momentos felizes e tristes intensos e desenvolve bem as personagens de maneira geral.

Além de tudo isso, o anime conta com uma ótima trilha sonora e uma ótima produção também. Combinadas com o enredo o anime se torna agradável de assistir e sabe prender a atenção, fazendo-nos mergulhar e aproveitar tudo que há para ver, ouvir, sentir e refletir.

Concluindo: é um ótimo anime! E para quem quiser, há o mangá também. O anime de 2003 também é recomendável, pois também tem uma boa história.





"There’s no such thing as a painless lesson. 
They just don’t exist. 
Sacrifices are necessary. 
You can’t gain anything without losing something first although if you can endure that pain and walk away from it, you’ll find that you now have a heart strong enough to overcome any obstacle.
Yeah, a heart made fullmetal."



23 de mar de 2016

Os caras dos aplicativos

Vejo hoje que minha terrível experiência com os aplicativos de "relacionamento" teve seu lado positivo. Aprendi com isso - tive uma prova do que é o mundo atual das relações gays.

Aplicativos parecem algo inocente a princípio, uma luz no fim do túnel para quem está solteiro e deseja alguém. Mas no fim são como uma boate, só que na versão virtual. As pessoas lá são pratos num cardápio.

Mesmo assim, apesar dessa realidade podre e cruel, uma das melhores coisas na vida é poder rir das desgraças passadas. Ou não sentir ódio e ressentimento pelo que passou.

Comemorando que faz mais de um ano que não uso mais aplicativos, faço essa lista dos tipos de caras gays ou bi que achei nos aplicativos (alguns tipos podem se combinar):

- O galã: é aquele cara que todos cobiçam e pagam pau. É o modelo de revista, tira fotos estilosas, um deus grego encarnado. Mas não tem nenhum conteúdo. Não importa a besteira que ele fale, a "beleza" cega o senso crítico e moral da maioria. Por isso ele pensa que pode tudo. No fim é só uma merda pintada de ouro.

- O rico: ostentador, tem fotos de viagens em Paris, carro(s), praias, sítios, notas de dinheiro, barras de ouro, enfim, tudo que prove que ele possui uma conta bancária estufada. Deve ser o tipo com o maior ego. Mesmo não sendo muito bonito, pensa que pode tudo por ter dinheiro.

- O emético: não achei melhor palavra. É aquele que se diz "macho discreto e fora do meio", que não é/curte afeminados, e que não gosta de gordos, negros e trans. Ou seja, heteronormativo, machista, gordofóbico, racista e transfóbico. Causa nas pessoas o mesmo efeito de um medicamento emético: vontade de vomitar.

- O sem-foto: esse é assustador. Ele não tem nenhuma foto, ou pode ter uma foto que não mostre o rosto. E ele se recusa a mandar foto do rosto. Cuidado, pode ser um psicopata querendo comer você e depois seus órgãos.

- O boêmio: sua foto de perfil é... um copo de cerveja. Não sei até hoje como um copo de cerveja faz um perfil em aplicativos.

- O fast-foda: já vem perguntando se você é ativo ou passivo, se tem local, o que curte, até chega a perguntar o tamanho do seu pênis. A conversa toda gira em torno de sexo. E, provavelmente, se você for doido de se encontrar com ele, vai rolar sexo rápido e pronto, mais nada.

- O namastê: ele é espiritualizado, está em sintonia com as energias positivas do Universo, é uno com a Natureza, e procura alguém na mesma vibe que ele. E essa vibe é a mesma de todos os outros caras, não se engane. Acho que até uma barata é mais espiritualizada que esse ser.

- O de menor: nem falo dos garotos de 16 ou 17 anos. Falo daqueles de 14 pra baixo! Cadê os responsáveis dessa criança?!

- O profissional do sexo: o próprio nome diz; é um garoto de programa. Deve estar nos aplicativos porque quer fazer caridades (afinal aplicativo é pra sexo gratuito, não?).

- O mudo: muitos caras o curtem, o chamam para conversar, ou dão match nele. Ele até pode te dar match. Mas não conversa contigo. Se o Whatsapp dele estiver no perfil, desista, ele ainda vai te ignorar. E você vai continuar sem entender o motivo (por que deu match, em primeiro lugar???).



Já encontraram algum tipo ou mais? 
Se identificaram com algum tipo ou mais?
Espero que tenham gostado. Caso contrário, me deem um block.



20 de mar de 2016

A corrupção nossa de cada dia

A política brasileira está um caos! A mídia e a oposição ao governo atual perderam todos os escrúpulos; aqui virou um jogo de "vale tudo pra vencer". Houve manifestação contra o governo e houve manifestação a favor.

Quem é contra o governo diz ser contra a corrupção, e culpa nossa representante federal e o partido dela por todo mal no país.
Quem é a favor diz defender a democracia, pois o pedido de impeachment não é válido devido à falta de provas reais contra nossa representante.

Não tenho receio de me posicionar: também estou do lado da democracia. E convenhamos, a oposição é simplesmente desprezível em todos os níveis e aspectos. Mas devo admitir que o governo atual também não é uma maravilha...

Vivemos agora entre dois extremos: ou você está do lado da oposição ou do lado do governo. Bem... realmente não há um lado melhor!

Nossa situação atual é isso: escolher entre um governo corrupto e uma oposição tão corrupta quanto.

Tanto um lado quanto o outro não está realmente se preocupando com o bem da população geral. Aqui é apenas um mero jogo de poder. Os dois lados prestam um desserviço a todxs nós, especialmente às minorias do país - eu, como LGBT, não me sinto representado por ninguém (embora o governo atual seja menos pior que a oposição).

Enfim a população decidiu se manifestar contra a corrupção exacerbada do Brasil. O mais engraçado é que ela mesma é corrupta.

Do que adianta apontar a corrupção na política se você:

- Usa RG falso para entrar na balada
- Fura fila
- Aceita troco dado a mais
- Vende seu voto
- Falsifica assinatura
- Paga pela CNH
- Estaciona na vaga de pessoa com deficiência
- Bate o ponto para um colega
- Não declara Imposto de Renda
- Pratica ou contribui para a pirataria de filmes, músicas etc

Sim, ninguém aqui é livre da corrupção...

Você pode até dizer que somos obrigadxs a praticar a corrupção. Mas e se todxs pensassem e agissem diferente? Tudo mudaria! Acha que a corrupção e a política estão acima da população? Não estão! A corrupção existe por nossa causa e a política depende do povo!

Devemos lutar contra a corrupção? Sim, devemos. Mas sem hipocrisia e sem atacar a democracia!



16 de mar de 2016

Frases problemáticas ditas por gays

Quem disse que gays não falam umas merdas? Ninguém é perfeito, né?

Nesse nosso querido mundo atual, todas as pessoas são ensinadas a falarem besteiras. Todas, sem exceção. E por isso os movimentos sociais falam tanto em desconstrução, que é o exercício interno e externo de destruir todo preconceito e também a ignorância.

Vamos analisar algumas frases muito repetidas por gays:



1- "Homofóbicos são gays enrustidos."
Essa declaração é muito perigosa. Os estudos científicos que comprovam isso são questionáveis quando generalizam. Ao afirmar isso, estamos colocando a culpa da homofobia nos próprios gays; no fim somos nossos opressores. Isso não está certo. Se todo homofóbico é gay enrustido, então já somos em maior número que héteros hahaha. Nem preciso dizer sobre quando afirmam que um homofóbico é gay e ainda usam a palavra e variações como ofensa, né?

2- "Gay, lésbica, travesti, transexual; é tudo gay!"
Bicha, pare! Gay já foi erroneamente sinônimo de LGBT por muito tempo. Esse tempo acabou. Somos um movimento de diversidade de sexualidade e de gênero, e dentro dessa diversidade há várias identidades. Gay é uma delas. Respeite as demais! Não tire a voz delas e nem as invisibilize!

3- "Ser gay tudo bem. Mas tem que ser homem!"
Frase de gente heteronormativa. Isso é dito por muitas pessoas que acham que homem tem que seguir aquele padrão antiquado que conhecemos e odiamos. Cada um é como deve ser. E ao pessoal LGBT que diz isso: vocês defendem tanto a liberdade sexual, mas ainda querem viver em prisões de gênero? Contraditório...

4- "Eu sou gay! Gosto de pau/piroca/pinto!"
Isso é cisnormativo e falocêntrico. Cisnormativo pela ideia de que homem é somente os indivíduos com pênis. Falocêntrico pelo endeusamento do pênis. Esses dois preconceitos excluem os homens trans. Talvez seja a desconstrução mais difícil para os gays atuais.
*Nota: um artigo meu sobre isso.

5- "Ativo ou passivo?"
Gente, parem de reduzir sexo gay a somente penetrar ou ser penetrado. Sexo pode ter outras possibilidades. Existem gouines, que praticam o gouinage (sexo sem penetração). E não há apenas ativos e passivos, há versáteis também.
*Nota: um artigo meu sobre isso.

6- "Hétero que pega gay também é gay."
A diversidade sexual não ensinou nada para esse ser... Qual é o problema de um hétero se relacionar com outro homem, nem que seja uma vez, por curiosidade? Já ouviu falar sobre homens hétero-flexíveis? Ou sobre homens bissexuais?

7- "Isso é coisa de gay/viado/bicha."
Se for usado como ofensa, nem preciso explicar. Não precisa nem ser usado ofensivamente. O simples fato de querer ditar regras de como ser/parecer é uma atitude preconceituosa.

8- "Ou gosta de mulher ou gosta de homem. Não existe meio-termo."
Você acha mesmo que a sexualidade humana, tão ampla e complexa, se divide em apenas dois extremos? Pff. Aliás, reveja sua bi/poli/panfobia!

Vocês já falaram algumas dessas?
Acho difícil haver um gay que não repetiu ou ao menos pensou em todas as frases citadas. Não se culpem, ninguém nasce desconstruído.

Bora praticar a desconstrução? :D



12 de mar de 2016

Homem feminista ou pró-feminismo?

Essa é uma discussão que já gerou muita polêmica entre as vertentes do feminismo. E nem é uma discussão tão importante assim. Entretanto, eu, como aliado do movimento, sinto a necessidade de falar sobre isso.

Quando o feminismo começou a ganhar mais e mais destaque na mídia e nas redes sociais (algo que deve ter atingido o auge nessa década), as feministas receberam o apoio de homens, homens que demonstravam empatia pela mulher e boas intenções. Eles decidiram então fazer sua contribuição (que na verdade não é nada mais que a obrigação deles) e apoiaram apaixonadamente as feministas.

Esses apoiadores digníssimos e despretensiosos passaram a se chamar de feministas, assim como as próprias ativistas. Todos os meios, principalmente as redes sociais, mostravam homens orgulhosos em levantar a bandeira a favor do feminismo e que adoravam exibir o título de feminista.

As feministas de vertentes consideradas como "mais radicais" não aceitaram isso e se manifestaram contra o homem se dizer feminista. Elas preferem o título de 'pró-feminismo'. Algumas outras até falam em 'machista em desconstrução'.

Muitos homens choraram por causa disso. Um deles fui eu, inclusive (risos). Ainda há aqui no blog um artigo sobre o assunto, e eu me recusei a abrir mão do título de feminista. Bem, isso faz mais de um ano, e a gente muda com o tempo.

Embora haja vertentes que aceitem o homem se intitular feminista (mesmo não sendo protagonista), atualmente creio que o termo correto é pró-feminismo. Vou explicar o por quê:

Mesmo não roubando o protagonismo, o título de feminista expressa que a pessoa é uma ativista da ideologia do movimento, e apenas quem o protagoniza pode ser ativista em seu sentido pleno. Até porque são as mulheres que são vítimas do machismo, e com isso veio a necessidade de criar o movimento! 

As mulheres defendem as ideias, se expressam, criam suas pautas e passam adiante informações de diversas maneiras. O homem aliado, aquele verdadeiramente aliado, repassa o que aprende com as ativistas e aplica os ensinamentos em sua vida.

No fim, o homem não contribui de forma direta para o feminismo. Ele apenas aprende. Como ele pode ser ativista se apenas repassa o que aprende? Além de que o homem não vivencia toda a opressão do machismo igual à mulher. Logo ele nunca será apto a falar contra essa opressão na mesma dimensão que as próprias mulheres.

"Mas e quanto a esses grupos de homens que também enfrentam o patriarcado e as partes do machismo que os oprimem?"
Ora, são grupos anti-patriarcado. Simples. Se eles estão incomodados com certas opressões do próprio machismo (como o padrão de gênero) e questionam seus privilégios e o sistema, são muito bem-vindos para se organizarem e agirem (não deixam de ser aliados do feminismo).

Por isso, aliados, vamos abrir mão de um título que nem é nosso. Chega de brigas por títulos, afinal nem monarcas nós somos hahaha. Passou da hora de ouvirmos mais as feministas. Não fiquem querendo se mostrar, e sejam realmente aliados. Sejam pró-feminismo.



8 de mar de 2016

"Dia das Flores"

Hoje é o Dia Internacional da Mulher.

Eu particularmente prefiro dizer que é o Dia Internacional da Mulheridade, para contemplar todas as classes femininas - a mulher cis, a mulher trans (transexual e não binária), a travesti, enfim todas as pessoas que se identificam com a feminilidade.

Hoje é o dia da mulher de todas as cores, orientações sexuais/românticas, etnias, tamanhos, idades, corpos e condições.

Hoje não é apenas o dia das mulheres com vagina ou com cromossomos XX. Vagina é só um órgão e cromossomos são apenas aspectos genéticos. Nada disso determina o ser mulher. A anatomia e a fisiologia não determinam nossa essência.

Como de costume, as pessoas (especialmente os homens) usam o dia de hoje para homenagear as mulheres com flores. Sim, flores. Que lindo, não? Não estou tirando sarro. Flores são bonitas e são um belo presente! 🌸

Todas merecem uma flor:

A mulher que é mãe, avó, tia, filha, prima, etc. 🌸
A mulher dona de casa ou solteira. 🌸
A mulher que estuda, que trabalha, ou que faz ambos. 🌸
A mulher ateísta, agnóstica, cristã, judia, muçulmana, etc. 🌸
A mulher que luta diariamente para viver, para manter-se, para proteger quem ama. 🌸
A mulher feminista que acredita e deseja um mundo melhor. 🌸

Todas merecem flores. Mas não apenas flores. Flores não bastam.

As flores não conquistam direitos, não promovem igualdade, não dão empoderamento, nem espalham a sororidade. Flores são só presentes afetivos. Aliás, qualquer um pode comprá-las. Do que adianta dar flores hoje e amanhã voltar a assediar a mulher na rua, a agredir física ou verbalmente, a fazer discurso machista e de ódio?

O dia de hoje não é apenas uma homenagem. É uma conscientização da figura feminina na História. Não devemos lembrar apenas hoje das mulheres, mas lembrar todos os dias! E não dar apenas flores, mas dar também respeito, dedicação, apoio, reconhecimento, direitos iguais e oportunidades.

A luta das mulheres continua, hoje e em todos os dias do ano. A luta que elas travam contra a opressão e a favor de um mundo justo e libertário. Todas são guerreiras, de uma forma ou de outra. Sempre foram. Elas lutam com a voz, o corpo, a inteligência, a resistência, até com armas se necessário.

Só quem é mulher compreende essa luta.



Segue abaixo duas imagens excelentes para uma reflexão:



E você, homem, já fez sua homenagem e sua reflexão?
O que é a mulher em sua vida? E como você coopera com um mundo melhor para ela?



Mais uma vez, Feliz Dia Internacional da Mulheridade 



5 de mar de 2016

As formas do ativismo LGBT

Recentemente uma pessoa questionou sobre minha forma de ativismo. Alegou que "não basta colocar bandeirinha colorida e ficar discutindo em um grupo de Facebook" (como se eu fizesse apenas isso). E falou também que ativista deve ser estudadx no assunto e sair na militância (acredito que ele estava falando de protestos na rua).

Afinal, existe uma fórmula universal de como ser ativista?
Existe somente uma forma de ser ativista?

Primeiramente vamos perguntar: o que é ativismo?
Ativismo é questionar o sistema, enfrentar e desconstruir o preconceito, posicionar-se contra a opressão e quem a pratica, ajudar quem precisa se aceitar, defender uma causa e tentar mudar o mundo ao nosso redor através de vários métodos - manifestações, diálogos, textos didáticos, enfim.

E para fazer tudo isso precisamos apenas participar de protestos nas ruas? Não! O ativismo não é uma estrada única; são várias estradas, que podem se cruzar dependendo de quem as percorre. E todas conduzem para a mesma direção.

Sair na rua em protestos, levantar a bandeira, é ativismo!
Apoiar ou ajudar uma pessoa a aceitar sua sexualidade e/ou identidade de gênero é ativismo!
Desconstruir coleguinhas ou parentes que têm preconceito é ativismo!
Escrever textão pró-LGBT nas redes sociais é ativismo!
Beijar na rua e andar de mãos dadas é ativismo!

E pasmem: esse blog também é ativismo!

Até mesmo as personagens LGBTs mostradas em filmes e séries ou o beijo gay/lésbico na novela estão incluídos. Isso é representatividade, o que também é ativismo!

Claro que cada forma de ativismo tem sua força e alcance. Os protestos sociais são um ícone na militância, sem dúvida. E acredito que a maioria dxs ativistas terá essa experiência, algum dia. Agora, será que todxs podem sair nas ruas? E quem não pode sair por algum motivo (doença, acidente, depressão, família etc)? Como fica?

Discussões em grupos virtuais costumam ser subestimadas por alguns ativistas. E por que deveriam? Apenas por serem nas redes sociais? São as próprias redes sociais que ajudam muita gente por aí, especialmente jovens que ainda estão se descobrindo. E essas mesmas discussões são excelentes para problematizações e desconstruções.

Às vezes a Internet é o único meio de informação de algumas pessoas. O noticiário na TV pode até mostrar os protestos pró-LGBT, mas ele explica detalhadamente as pautas? Não. E nem é feito para isso.

Colocar foto colorida no Facebook pode não ser um ativismo forte, mas já é alguma coisa. Pense numa pessoa ainda no armário, de família muito religiosa, em alguma cidade mais conservadora. Botar foto colorida é um passo tremendo para essa pessoa! Respeitem o tempo de cada um!

Não adianta apenas sair na rua balançando a bandeirinha e gritar aos quatro ventos. Tem que saber o que gritar e saber sobre o que é sua luta e quais são as pautas do movimento. E também tem que se desconstruir! O que mais há atualmente são gays que levantam a bandeira, mas praticam lesbo/bi/transfobia. Incoerente, não?

Outro ponto que já ouvi em conversas é sobre ativistas individuais. Enquanto a maioria se reúne em grupos (coletivos), essas pessoas preferem militar sozinhas a favor da causa (geralmente são ativistas virtuais). Não há nada de errado nisso. Se estiver contribuindo com a causa, ótimo!

Antes de ser ativista, é ideal conhecer a história do movimento LGBT, se informar muito bem e praticar a desconstrução interna. Assim que você inicia a luta por seus direitos e contra o preconceito, você está sendo ativista. Todas as pessoas têm sua forma de ser ativista, dentro de seu tempo e condições. E todas as formas devem ser respeitadas!

Se você não respeita o ativismo de alguém, achando que só o seu é o correto, então não aprendeu nada. Todas as formas de ativismo são válidas!



2 de mar de 2016

Pensamento do dia

A morte de uma pessoa querida é um momento marcante.

O luto é uma experiência emocional. Todxs sofrem, mesmo quem não aparenta isso.

Sentimos tristeza, revolta, raiva, indignação, às vezes negamos, por um tempo não acreditamos, ou tentamos nos adaptar àquela ideia de que jamais veremos aquela pessoa novamente.

O ponto mais crucial do luto é saber que aquela pessoa querida não existe mais, fisicamente, nesse mundo.

Cada pessoa encontra sua forma de lidar com o luto. Algumas pessoas choram, outras ficam reflexivas, há quem se reúne com outras pessoas e relembram os bons momentos.

Toda forma de lidar com o luto deve ser respeitada.

Há gente que suporta ir ao enterro. E há gente que prefere não ir. Acredito que ir a um enterro é totalmente opcional. A maioria vai.

A morte é um mistério para todxs. Ninguém sabe dizer se há ou não algo após a morte. Para quem é ateu, a morte do corpo é o fim absoluto. Para quem é crente, existem diversas explicações. A religião se torna um conforto nesse momento. E todxs nós queremos crer que aquela pessoa está sempre num lugar melhor.

Independentemente do que acreditamos, é sempre bom pensar que aquela pessoa querida não quer nos ver lamentando e vivendo na melancolia. Ela quer nos ver seguir em frente. E é o que devemos fazer.

A vida daquela pessoa acabou, mas a nossa não. E mesmo que ela não esteja mais aqui, lembrar-se dela e guardar dentro de si tudo que ela foi e representou é um meio de deixá-la viva.

Talvez a verdadeira morte não seja a morte do corpo, e sim o esquecimento.

Quando vivemos, existimos. E quando morremos, nossa existência se torna lembranças. E se ninguém lembra que um dia existimos, não seria o mesmo que nunca ter existido?

Enfrente o luto. E depois siga com a luta.