31 de dez de 2016

Nesse ano

Último artigo no último dia do ano. Que coincidência, não?

Então aproveitarei essa oportunidade para dizer algumas coisas positivas, negativas e talvez neutras desse ano. Sem retrospectivas ou citar acontecimentos específicos. Nem mesmo nomes.

O ano de 2016 foi um ano agitado, para o Brasil, para o mundo, e para minha pessoa.

Nesse ano teve mudança (golpe) na política brasileira. O povo mostrou sua face nas eleições, daqui e nos EUA. A hipocrisia e a indignação seletiva das pessoas continuam rolando à solta nas redes sociais.

Nesse ano muitas almas deixaram nosso plano de existência, muitas figuras conhecidas. A grande maioria adorada, algumas com controvérsias.

Nesse ano foi marcado por tragédias e violência. Falamos muito de violências específicas, mas a violência em si é uma criatura louca que pode ir além de alvos.

Nesse ano a arte entrou mais em evidência, a arte fluiu, desafiou, e falou sobre tolerância, sobre humanidade, sobre estigmas.

Nesse ano lançou muitas séries e filmes agradáveis de ver, que cativaram o público, e passaram mensagens de vida e mostraram inclusão de grupos pouco vistos.

Nesse ano as Olimpíadas tiveram lições e exemplos de superação e inclusão também. O Brasil alegrou-se e se destacou. 

E, por fim, esse ano foi um ano de queda seguida de ressurreição para mim. Depois de um período de conflitos internos, dificuldades, reclusão e amargura, consegui me levantar. Não deixei a depressão me corroer e me reergui, subindo de volta os degraus dos quais tropecei e rolei abaixo. Subi e continuarei subindo!

Para o ano que está por vir, eu desejo que o melhor aconteça para mim, para a humanidade, e para o mundo.  Não precisar ser um ano perfeito. Basta impulsionar o melhor das pessoas. No fim, quem tem que mudar somos nós, e não o número no calendário.

Feliz Ano Novo!



28 de dez de 2016

Série: Sense8

("I am we")

Não lembro ao certo como achei essa série. A princípio me atraiu pela presença de LGBTs no elenco. Criada pelas irmãs transexuais Lilly e Lana Wachowski, as mesmas criadoras da trilogia Matrix, a série entrou na minha lista das melhores ficções científicas já feitas.

A série conta a história de oito pessoas em diferentes partes do mundo interligadas por algum tipo especial de conexão psíquica. Pessoas com esta conexão são chamadas de sensates, que são capazes de uma interação sobrenatural onde podem conversar, mostrar onde estão e até compartilhar habilidades, entre outras coisas. Infelizmente os oito sensates começam a ser caçados por um sensate misterioso chamado Sussurros enquanto tentam lidar com seus próprios desafios e se adaptarem à conexão crescente que fazem entre si.

Por onde começo? Cada um dos oito personagens é cativante de seu próprio jeito. A interação entre eles é vívida e proporciona momentos emocionantes, com lições de vida e mensagens de superação. A maneira como os sensates se comunicam e se ajudam sempre rouba a atenção, e é lindo de ver o espírito de coletividade que vão desenvolvendo entre si. Uma coisa que surpreende na montagem das cenas é a forma simples de colocar, retirar ou trocar os personagens. E, apesar disso, na tela conseguimos sentir as cenas da forma sobrenatural que são dentro da trama. A série é bem filmada, seguindo uma lógica, feita em lugares característicos e culturas diferentes, e com um elenco pouco conhecido que captou a essência da trama.

A sexualidade é muito apontada por fãs, embora não seja o foco da história. O que mais chama atenção é como a sexualidade é mostrada de maneira tão natural, sem estigmas ou vulgaridade; além de ser outra característica compartilhada e misturada entre os sensates. Um dos poucos pecados da série é que os corpos mostrados se encontram dentro dos padrões estéticos, logo tendem a ser mais aceitos na tela.

O público LGBT+ simpatizou muito com a série por sua inclusão e pelo modo artisticamente natural de tratar a sexualidade. Mas o público hétero-cis também pode se encantar com o enredo e seus personagens. A segunda temporada estreará em maio do ano que está por vir. Recomendável para pessoas de todos os gêneros e etnias. Sense8 é para todxs!



21 de dez de 2016

MasterChef 2016

Esse ano teve um MasterChef para cozinheiros profissionais. O público foi presenteado com polêmicas que até então não haviam ocorrido. Embora eu tenha minhas dúvidas sobre o profissionalismo dos participantes, focarei num tema que foi muito presente nessa temporada: machismo. Especificamente, machismo na cozinha profissional.

Ao longo da temporada ocorreram momentos de tensão e agressividade entre participantes que evidenciaram uma discriminação de gênero, principalmente contra a candidata Dayse, que no fim saiu vitoriosa da temporada, recebendo muito apoio nas redes sociais.

Ontem teve um episódio especial de "lavagem de roupa suja", que conseguiu ser tão polêmico quanto a temporada inteira. E o machismo foi muito abordado. Quase todos os participantes estavam lá. O pior deles foi mostrado num telão, forçando-os a darem esclarecimentos para seus colegas, para a Ana Paula Padrão e seus críticos, e o público. Por sinal, adorei o posicionamento suave e ao mesmo tempo firme da Ana Paula sobre o machismo.

Esse episódio mostrou a ignorância dos homens sobre feminismo, a resistência deles em admitir seus atos machistas e ainda tentar justificá-los, e como ainda é difícil apontar esse preconceito. Tentaram explicar, tentaram distorcer, mas só revelaram mais sobre seu caráter. Diversas vezes os homens interrompiam a fala das mulheres. Ana Paula repreendeu o candidato Marcelo num momento por isso.

Outras coisas foram jogadas na roda, como a arrogância do candidato João (que desacatou a Chef Paola) e o quanto os candidatos são contraditórios em suas opiniões. O candidato Dario fez uma grave acusação ao programa, dizendo que a edição distorceu suas falas. E Marcelo incorporou o "omi hétero-cis" que não sabe perder e pensa que tudo hoje em dia é "mimimi".

Dayse e a candidata Fádia tentaram falar da discriminação sem acusar seus colegas machistas de machismo. Acredito que elas estavam com medo de fazer tal acusação. Mas a candidata Izabela tomou coragem e apontou sem dó o machismo que existe na cozinha profissional. Todxs que acompanharam a temporada puderam ver o desrespeito e subestimação da mulher por parte dos homens. Só não enxerga quem não quer.

Enfim, com toda essa exposição do ego masculino e as controversas em geral dos participantes, essa enorme e calorosa discussão teve um efeito positivo. Pelo menos eu vejo dessa forma: discutir machismo num programa de TV popular é um grande passo. Teve repercussão e incomodou. Quando incomoda é porque está dando certo. E espero que o programa sirva de inspiração e incentivo às mulheres da cozinha profissional.

Como Izabela falou uma vez: "mulher é cozinheira e homem é chef". Isso ainda é uma realidade. E precisa mudar. Essa temporada serviu para provar isso. A cozinha profissional precisa do feminismo.



14 de dez de 2016

Pensamento do dia

Viemos para esse mundo para sofrer.

Essa frase pode soar macabra, bizarra, absurda, irreal, masoquista, que seja. Mas isso é uma daquelas verdades da vida que teimamos em aceitar.

Percebemos isso ao longo da vida. Idade não tem a ver. E sim seu nível de aceitação.

Religiões espiritualistas ensinam isso desde seus primórdios. Ensinam que os desafios e dificuldades vêm para nos fortalecer, e não nos punir ou apenas ferir.

Seja você ateísta ou não, pegue esse ensinamento, utilize-se de sua mente racional, e veja se ele faz mesmo sentido na vida prática.

Quem seria você hoje, agora, nesse instante, sem as coisas ruins que passou? Sem o sofrimento que teve até o presente momento.

Quem seria você se sua vida fosse perfeitinha?

O que seria uma vida perfeita - sem sofrimento? Convenhamos, seria um tédio!

O ser humano é cheio de falhas. As falhas trazem o sofrimento. E com o sofrimento aprendemos a sermos melhores.

Se tropeçar na pedra na estrada e torcer o tornozelo, agradeça. Dói? Dói, sim, pra caralho. Mas aquela dor te fará lembrar de prestar atenção na estrada. Viu? Você aprendeu!

Sim, viemos aqui para sofrer. E sofrer nos faz aprender. Aceita que dói menos.



10 de dez de 2016

Teoria Queer

Você pode ver o termo "teoria queer" por aí, principalmente em discussões envolvendo militantes LGBTs. É possível encontrar pelo vasto mar virtual da Internet material suficiente sobre o tema.

Aqui vou falar resumidamente sobre essa teoria e comentar um pouco sobre ela.

Ela surgiu na década de 90 com base em estudos sociais sobre homossexualidade e gênero, estendendo-se à sociedade e à diversidade presente entre pessoas LGBTs e as hétero-cis. Os estudos queers propõem que nossas identidades, seja sexual ou de gênero, são construções sociais, e, com isso, não existem papeis biológicos pré-definidos. Mais do que essa ideia, a teoria tem intenção de questionar as normas e padrões estabelecidos pelas sociedades no que se refere a biologia-gênero-sexualidade.

Existem interpretações errôneas de que ela propõe que todas as pessoas são "queer" (do inglês, "estranho"; usado para designar tudo que foge às normas) ou que afirma que podem existir dezenas de gêneros, embora ela abra espaço para identidades além do binarismo feminino-masculino.

Afinal, o gênero é mesmo uma construção social? Papéis de gênero e padrões de comportamento são. Podemos ver variações de masculinidades e feminilidades em culturas de diferentes países, até em diferentes épocas. Mas a teoria começou a observar o quanto era errado utilizar a biologia, ou o que entendemos dela, para criar e impor modelos de gênero para as pessoas.

Há algumas divergências de segmentos políticos e sociais sobre a utilidade prática da teoria queer. Embora os materiais disponíveis sobre o assunto tenham muitos conceitos e ideias um pouco complexas, a proposta central da teoria é simples: promover que todas as identidades e estilos de vida são aceitáveis; sejam dentro ou fora de padrões pré-estabelecidos.

Acredito que, acima de tudo, a teoria tenta passar a boa mensagem que todas as pessoas têm sua individualidade e devem viver sem normas que as recriminem ou inibem. E por fim, questionar ou desviar-se do padrão não é uma anomalia, e sim uma libertação pessoal.

Fica um questionamento: quem faz a norma é realmente normal ou acredita ser normal?



3 de dez de 2016

Comentando uma notícia

Essa semana o Brasil foi atacado por uma tragédia, uma das piores e mais tristes da história nacional. A equipe do time Chapecoense sofreu um acidente de avião na Colômbia. Houve 71 mortes no total e apenas 6 sobreviventes.

Já adianto que eu não conhecia o time, nunca tinha nem ouvido falar. Normal, afinal não sou fã de futebol e sou alheio ao assunto. Porém, devo dizer que esse acontecimento me deixou mal.

Quando nos deparamos com notícias assim, nos perguntamos por que coisas assim acontecem. Por que gente tão jovem e querida tinha que morrer dessa forma? São coisas que ninguém sabe responder.

Não é a tragédia em si que comove. E sim as vidas perdidas. Por ser um time humilde e determinado, isso também faz com que as pessoas de identifiquem e simpatizem com os jogadores. Em tempos de frieza e falta de empatia, comover-se com um evento desses é sinal de humanidade. As pessoas são interligadas, e quanto mais recuperamos isso, mais nos importamos com as vidas ao redor, sejam pessoas conhecidas ou não.

Esses dias mesmo achei um vídeo no celular, que devia ser de algum grupo de WhatsApp e eu acabei nem vendo. Comecei a ver e no final senti uma angústia; era um vídeo antes da decolagem do avião. Ver aqueles rapazes tão animados para a viagem e pelo próximo jogo me causou uma tristeza que eu não sentia desde o massacre em Orlando.

Não tenho opinião formada sobre a tragédia. Tudo indica que foi um infeliz acidente. Há quem acredite que foi um assassinato. Não sei o que pensar. Só espero que a verdade apareça, seja qual for.

O que nos resta agora é orar pelos jogadores, em memória a eles. Não apenas pela profissão esportiva, mas sim pela vida e por tudo que representaram para o país e para suas famílias.



1 de dez de 2016

Sessão Yaoi (Games)

(Atenção: esse post não é para menores de 18 anos!)
(Nota: esse aviso não serve de nada, é só uma questão burocrática)