21 de out de 2017

Terminologia I

A comunidade intersexo é relativamente nova. Pessoas inter tiveram sua existência historicamente apagada ou transformada num tabu por não se enquadrarem totalmente nos dois sexos mais comuns.

Junto com a comunidade trans, que acolheu intersexos por dividirem sofrimentos muito similares, a comunidade intersexo criou nomenclaturas e conceitos que trazem uma visão diferente sobre o que foi sempre definido socialmente como sexo biológico e como gênero.


Intersexo: pessoa que tem um sexo biológico que não se encaixa no padrão binário determinado pela comunidade científica, possuindo um sexo considerado indefinido ou que mistura as características dos sexos binários (feminino e masculino). Existem pelo menos 40 tipos de intersexos.
Perissexo: pessoa que tem um sexo biológico que se encaixa no padrão binário determinado, ou seja, ou são do "sexo feminino" ou do "sexo masculino". Pessoas perissexo podem ainda ser chamadas de diádicas em outras fontes.
Altersexo: termo utilizado principalmente, mas não exclusivamente, para personagens da ficção que possuem um sexo que não existe naturalmente ou que modificaram o sexo por algum motivo. Pode ser usado por pessoas que alteraram sua genitália ou fizeram alguma terapia hormonal, ou para pessoas que têm uma visão de que seu "verdadeiro" corpo não se encaixa nas definições de peri ou inter.
Sexo biológico: composto por cromossomos sexuais, gônadas, genitais e hormônios. Naturalmente as pessoas podem ser classificadas como perissexo ou intersexo.
Sexo feminino: para a ciência é a fêmea típica da espécie humana. Esse sexo é definido por cromossomos sexuais XX, presença de ovários, genitália vaginal e níveis considerados normais de progesterona e estrogênio.
Sexo masculino: para a ciência é o macho típico da espécie humana. Esse sexo é definido por cromossomos sexuais XY, presença de testículos, genitália peniana e níveis considerados normais de testosterona.
Terceiro sexo: há países que designam bebês intersexo (ou com uma genitália ambígua) como um terceiro sexo (ou gênero). É uma definição considerada discriminatória, pois resume todas as variações de intersexos num único sexo.
Diadismo: toda opressão e discriminação cometidas diretamente contra pessoas intersexo. O preconceito específico contra esse grupo é a intersexofobia.
Mutilação genital: é como a comunidade intersexo chama a cirurgia feita em bebês intersexos. Há casos em que é necessária uma intervenção médica, mas a cirurgia é imposta muito mais pelo pensamento diadista de que a genitália intersexual é deformada e que é necessário corrigi-la para poder identificar o bebê como um dos gêneros binários. Uma das pautas da militância intersexo é ter autonomia sobre seu corpo, pois defendem que seu sexo é natural e aceitável.
DDS: sigla de "desordens de desenvolvimento sexual" é um termo médico utilizado para definir toda variação de cromossomos sexuais, gônadas e anatomia consideradas atípicas. As variações intersexuais são englobadas pelo termo, e por isso ele não é aceito pela comunidade intersexo.
Ipsogênero: termo para pessoas intersexo que se identificam com o gênero designado a elas, seja masculino ou feminino. Serve como um diferencial de cisgênero devido ao preconceito estrutural sofrido por intersexos, que não permite que tenham os mesmos privilégios e aceitação que cisgêneros.
Intergênero: uma identidade de gênero não-binária que pode ser usada por pessoas intersexos que não se identificam com o gênero designado. Essa identidade pode ser vista como algo entre o feminino e o masculino, ou como uma mistura de ambos. Ainda há discussões se ela deve ou não ser usada apenas por intersexos.
Hermafrodita: antigamente era utilizado para definir pessoas intersexo. No entanto, pelo conceito e pela estigmatização consequente, o termo não é mais utilizado. Hermafroditismo é uma condição sexual presente em outras espécies da natureza, onde um ser vivo possui características sexuais tanto de macho quanto de fêmea, podendo também se reproduzir assexuadamente.



18 de out de 2017

A favor das crianças

Fazendo um gancho com o caso da exposição do homem nu, não pude deixar de achar tragicômico aquele pessoal conservador de sempre enchendo a boca para defender as crianças. Disseram para deixarem as crianças em paz, que estão tentando "erotizar" as crianças, ficaram dissertando sobre crime contra a criança e pedagogia como especialistas nos assuntos, enfim.

Dizem que são a favor das crianças. Que ótimo que são! Todxs deveriam ser a favor delas. Mas agora eu pergunto: de quais crianças essa gente é a favor?

Dizem que são a favor das crianças, mas menor de idade cometendo até um crime leve deve ir pra cadeia sofrer (bandido bom é bandido morto, né?).

Dizem que são a favor das crianças, mas aprovam agressão física como ensinamento (uma palmadinha não mata, né?).

Dizem que são a favor das crianças, mas a criança gordinha pode continuar sofrendo discriminação (bullying é vitimismo, né?).

Dizem que são a favor das crianças, mas não movem um dedo pelas crianças morando nas favelas em condições miseráveis e até violentas (azar o delas a família ser pobre, né?).

Dizem que são a favor das crianças, mas ignoram aquelas que moram na rua (são contra o aborto, mas depois que a criança nasce ela que se foda).

Dizem que são a favor das crianças, mas nunca visitaram um orfanato e fizeram uma caridade (e ainda querem impedir casais homoafetivos de adotar!).

Dizem que são a favor das crianças, mas não falam nada quando crianças LGBTs são violentadas e até expulsas de casa (quem manda a criança ser "viada"?).

Dizem que são a favor das crianças, mas não se revoltam com os inúmeros casos de abusos infantis ocorridos em igrejas e até nas próprias casas (detalhe: nenhum abuso ocorreu num museu).

A única criança que essa parcela conservadora hipócrita e tóxica adora é a branca e hétero-cis que se encaixa nas normatividades. Se seguir a linha reacionária melhor ainda. Essa gente demonstra cotidianamente seu desinteresse e desprezo pelas outras crianças, do nascimento até o direito mais básico!

No fim das contas não estão a favor de nenhuma criança. Nem adolescente, jovem, adulto ou idoso. Lembram das crianças apenas quando é conveniente. Aqui temos mais uma prova de que gente moralista é a mais degenerada.



14 de out de 2017

Terceiro ano

Anteontem o blog fez 3 aninhos. Eu pretendia lançar esse artigo na quarta-feira, mas sabe como é, sou enrolado hahaha.

Chegay ao terceiro ano de blog!

Quase 300 artigos e mais de 61 mil visualizações.

Escrevi há um tempo umas mudanças que fiz por aqui. Acredito que não necessitarei no momento de alguma grande reforma.

Posso dizer que esse ano de 2017 foi o ano em que mais tive contato com as militâncias e ativismos e as comunidades as quais não faço parte - negra, feminina, LBTIA. E também estou me aproximando de grupos socialistas que militam a favor da classe trabalhadora.

No entanto, falta muito para melhorar. Há conteúdo para ser atualizado, preciso abordar sobre outros grupos e suas pautas, e vou me comprometer a trazer informações que ainda não foram traduzidas para nosso idioma.

Fico feliz em saber que o blog tem uma boa visibilidade e que consegui ajudar pessoas através dele. Meu objetivo é apenas melhorar. E tenho muita sorte que existem pessoas e fontes me guiando e me trazendo novas perspectivas.

Por isso quero anunciar o site Orientando, cuja proposta é ser um espaço de aprendizado sobre o universo LGBTQIAP+. Sou voluntário lá faz mais de um mês e estive tendo acesso a conhecimentos bem diferentes.

Sigo firme e forte, aprendendo mais e mais, desenvolvendo e expandindo minha militância, trabalhando para oferecer um conteúdo de qualidade a todxs que estiverem procurando, e oferecendo sempre apoio e orientação a quem precisar.

Obrigado! 🌈



11 de out de 2017

Terminologia A

A comunidade assexual começou a se organizar no início desse milênio. Assexuais têm se concentrado mais no mundo virtual devido à discriminação, mas ainda assim construíram um mundo que desafia as concepções atuais de sexo e paixão.

Assim como todas as comunidades, pessoas assexuais e arromânticas criaram seus próprios termos e palavras para poder definir e explicar suas identidades, vivências e perspectivas.



Assexual: pessoa que não sente atração sexual ou que a sente raramente durante a vida. Existe uma variedade dentro da assexualidade. Assexuais podem sentir atração afetiva por um ou mais gêneros ou não. Quando há atração, essas pessoas podem ser heteroafetivas, homoafetivas, biafetivas, etc.
Arromântico: pessoa que não sente atração romântica ou a sente raramente. É uma pessoa que não se apaixona ou não sente o que é definido como paixão. No entanto, ainda pode ter relações afetivas diferentes do comum.
Ace: abreviação de assexual que vem da língua inglesa. A palavra ace é usada frequentemente pela comunidade e usada em identidades ou palavras relacionadas.
Aro: abreviação de arromântico que vem da língua inglesa, tendo o mesmo uso de ace.
Alo: pessoa que sente atração com frequência e sem condições específicas, seja sexual (alossexual) ou romântica (alorromântico). Ou seja, toda pessoa que não é ace ou aro.
*Obs: a partir daqui haverá exemplos de orientações sexuais e românticas, mas que serão nomeadas apenas pelo prefixo para facilitar.
Grey(-A)/Semi/Gris: são todas palavras para definir a chamada área ou zona cinza, que é um espectro de atrações (sexuais e românticas) que está entre ace/aro e alo. Dentro desse espectro há uma variedade de atrações que são despertadas em condições específicas. Gris pode ser uma orientação onde há uma atração vaga ou rara, visto que atualmente está se utilizando mais o conceito de espectro assexual-arromântico do que espectro cinza.
Demi: pessoa que sente atração somente após desenvolver um vínculo emocional forte.
Lith: pessoa que sente atração, mas não deseja ser correspondida.
Cupio: pessoa que não sente atração, mas deseja estar numa relação que envolve tal atração.
Recipro: pessoa que sente atração quando a outra parte mostra interesse numa relação.
Mir: pessoa que sente duas ou mais atrações do espectro ace-aro simultaneamente.
Caedo: pessoa que sentia uma atração, mas agora ela é inexistente devido a eventos traumáticos.
Acefluxo/Arofluxo: pessoa que de período em período vivencia diferentes atrações dentro do espectro ace-aro, ou que também experiencia uma atração às vezes existente, às vezes inexistente, mudando de intensidade periodicamente.
Squish: é a versão de "crush" no sentido de amizade. Enquanto crush seria alguém que desperta algum interesse que pode ser ou vir a ser de natureza sexual-afetiva, squish é alguém que desperta a vontade de criar uma amizade, ter uma proximidade.
Queerplatônico: uma relação que é mais profunda que uma amizade convencional, mas que não se torna o que a sociedade considera como um namoro. Essa relação é comum entre pessoas aro. Pode também ser uma relação entre aro e alo.
Alossexismo: coloca como norma que todas as pessoas devem sentir atração sexual constante e frequente, e está intrinsecamente ligado à sexonormatividade. Essa opressão é sustentada pela heteronormatividade, sendo a origem da acefobia.
Sexonormatividade: é a imposição de que o sexo esteja presente na vida das pessoas, que relações sexuais são necessárias e essenciais na vida humana. Isso gera uma compulsividade por sexo e hiper-sexualizações nas sociedades que reforçam a acefobia.
Amatonormatividade: coloca como norma que todas as pessoas se apaixonam ao longo da vida e que relações amorosas são as mais importantes e fundamentais. Essa opressão é sustentada pela heteronormatividade, sendo a origem da arofobia.
Acefobia: toda forma de discriminação contra assexuais (ou pessoas do espectro ace).
Arofobia: toda forma de discriminação contra pessoas arromânticas (ou pessoas do espectro aro). 
Sexo-positivo: assexual que aceita a ideia de ter relações sexuais, mesmo não tendo interesse.
Sexo-negativo: assexual que rejeita totalmente a prática sexual.
Sexo-indiferente (ou neutro): assexual que não mostra aceitação ou rejeição ao sexo.



Para outras informações, tem mais esse artigo (embora possa haver informação desatualizada).



8 de out de 2017

Datas da Diversidade

Em consideração à luta e à existência das pessoas da comunidade LGBTQIAP+, foram criadas certas datas para comemorar o orgulho da comunidade ou de um segmento dela, conscientizar sobre um desses grupos ou mesmo prestar uma homenagem a eles.

Segue abaixo meses, semanas e dias (nacionais e internacionais) em comemoração à diversidade:



Janeiro

27/01 – Dia Internacional da Lembrança do Holocausto (em memória a todas as vítimas do nazismo, em especial homossexuais)
29/01 – Dia Nacional da Visibilidade Trans

Fevereiro

Semana da Consciência do Espectro Arromântico: comemorada a partir do domingo posterior ao dia 14/02, Dia de São Valentim

Março

25/03 – Dia Nacional do Orgulho Gay
31/03 – Dia Internacional da Visibilidade Trans

Abril

26/04 – Dia da Visibilidade Lésbica

Maio

Dia Internacional da Equidade Familiar: comemorado no primeiro domingo do mês, faz homenagem a todos os modelos de família
17/05 – Dia Internacional Contra Homo/Lesbo/Bi/Transfobia,
19/05 – Dia do Orgulho Agênero
24/05 – Dia de Consciência e Visibilidade Pansexual e Panromântica

Junho: mês do Orgulho LGBT+

28/06 – Aniversário da Revolta de Stonewall

Julho

14/07 – Dia Internacional das Pessoas Não-Binárias

Agosto: mês da visibilidade lésbica

29/08 – Dia Nacional da Visibilidade Lésbica

Setembro: mês da visibilidade bissexual

Semana da Consciência Bissexual: comemorada a partir do domingo anterior ao dia 23
23/09 – Dia de Celebrar a Bissexualidade

Outubro: mês da visibilidade assexual

Semana da Consciência Assexual: toda última semana do mês
26/10 – Dia da Consciência Intersexo

Novembro

Semana da Consciência Transgênero: comemorada nas duas primeiras semanas do mês
08/11 – Dia da Solidariedade Intersexo
20/11 – Dia da Memória Transgênero

Dezembro

01/12 – Dia Mundial do Combate ao HIV/AIDS
08/12 – Dia do Orgulho Pansexual



Pode haver adição de novas datas futuramente!
Fiquem de olho, anotem e celebrem!



4 de out de 2017

A polêmica do homem nu

Semana passada teve essa repercussão da exposição do homem nu. O que gerou revolta foi o fato de crianças terem interagido com ele. Um lado acusou a exposição de pedofilia, e outro lado rebateu e defendeu a exposição. E, mais uma vez, não é uma simples questão de ser contra ou ser a favor. Há muito que se analisar e extrair dessa polêmica toda. Vamos por partes.

O grupinho fascista que mobilizou o pessoal alinhado com a (extrema-)direita novamente nos faz retroceder séculos ao tentar censurar uma exposição artística. Não devemos censurar uma arte pelo simples fato de não nos agradar.

A exposição revelou com antecedência que havia nudez. Todas as pessoas estavam avisadas. Não teve classificação de faixa etária, então pessoas de todas as idades puderam entrar. E, no caso, teve uma mãe com uma filha pequena que entrou e deixou a filha interagir com o homem nu.

Primeiro de tudo, seria maravilhoso se pudéssemos quebrar todo esse tabu que criamos em torno da nudez. Ela é natural. Nos vemos nus todo dia. Estamos cientes de como somos por baixo das roupas. Sou super a favor de quebrar o tabu, e por isso apoio uma exposição dessas (embora eu mesmo me sentiria estranho diante daquele homem exposto livremente ao mundo inteiro).

Porém, é problemático crianças serem incentivadas a interagir com um homem nu. O problema não é a criança. O problema não é a nudez. O problema é nosso contexto atual de perigos dos quais as crianças são alvos ainda - em particular, pedófilos.

Não, a criança apenas tocar num homem nu não é um ato ou incentivo a pedofilia! Não houve pedofilia em nenhum momento. E, em todo caso, as crianças têm responsáveis para responder por elas. A criança não vê malícia na nudez. A sociedade erotiza o corpo e nos ensina a erotizar.

Mas, contudo, entretanto, estamos ainda dentro de uma realidade cruel e medonha. A criança pode não ter malícia e ser ensinada a ver a nudez sem uma maldade. Só que fazê-la achar "normal" que ela pode simplesmente interagir com uma pessoa nua pode sim abrir portas para um crime contra ela. É necessário instruir a criança sobre os perigos que ela corre.

A situação fica menos digerível ainda quando levamos em consideração todo histórico social de abuso infantil e misoginia contra as meninas. O fato de terem permitido que uma menina tocasse num homem nu abre inúmeras feridas sobre a figura da mulher. Não há como ignorar esse recorte! Viram a importância do contexto?

Naturalizar a nudez para as crianças seria ótimo, pois assim elas poderiam explorar seus corpos sem medo, principalmente as meninas. A sociedade heteronormativa estimula os meninos cis a se tocar, a conhecer a própria anatomia, explorar sua genitália e a sexualidade, enquanto meninas são condicionadas a não conhecer o próprio corpo.

As famílias poderiam fazer um trabalho decente em quebrar esses estigmas sobre o corpo (mais as instruções necessárias) sem precisar levar as crianças a uma exposição dessas. De novo, o problema não é o homem nu, e sim o contexto atual.

Quebrar estigmas é super bem-vindo, mas até isso precisa ser planejado com cuidado. Isso não vai ser feito de um dia para o outro. E convenhamos, era óbvio que permitir interação entre crianças e uma pessoa nua causaria controvérsias (não acredito que houve ingenuidade de achar o contrário! ¬¬).

Acho que naturalizar a imagem de uma mulher amamentando em público seria muito mais prestativo (e bem menos problemático) nessa questão do que a nudez de um homem cis, alguém com um corpo que nem é estigmatizado. Vale lembrar que as glândulas mamárias do sexo feminino ainda são tratadas como órgãos sexuais!

E para encerrar, polêmicas como essa e a "cura gay" acabam desviando a atenção da população para outras questões. A corrupção está apenas crescendo, o povo continua sendo alvo de injustiças e perdendo direitos, e as mídias fazem as pessoas focarem nas discussões polarizadas de sempre (até esse assunto virou uma disputa de esquerda v.s. direita!).

Conclusão: não teve ato ou incentivo à pedofilia, teve uma boa intenção (quebrar um estigma), mas não é o momento para isso, e desconsideraram um contexto importantíssimo. Quem dera se o maior problema aqui fosse só o tabu. Melhorem!



30 de set de 2017

Pensamento do dia

Nós, seres humanos, e nossa doce ilusão da imortalidade.

Queremos viver como se não houvesse amanhã. Quando fazemos aniversário falamos "mais um ano de vida". Gostamos de pensar num futuro e não no fim. Planejamos coisas para daqui a anos.

Adoramos falar sobre juventude. Que a velhice está no espírito, que podemos permanecer jovens. Que não podemos deixar a idade nos envelhecer, que é apenas um número.

Vemos pessoas falecendo. Animais de estimação falecendo. Plantas falecendo. E não queremos pensar que um dia teremos o mesmo destino.

Essa é uma das maiores sabedorias antigas que as gerações passadas passam (ou tentam passar) para as gerações atuais: a única certeza dessa vida é que vamos morrer.

Realmente, o que podemos saber além da morte inevitável?

O que sabemos sobre a vida? Ou o que achamos que sabemos? Não falo da vida biológica (que também é um mistério), falo da vida existencial - nossa mera existência nesse mundo caótico e de infinitas possibilidades.

Não digo também para pensarmos na morte o tempo todo. Para que pensar em algo que sabemos que algum dia chegará? Apenas digo: esquecer da morte não traz imortalidade.

O que acontece depois da morte ninguém sabe responder. As inúmeras religiões e crenças nos fornecem explicações que não podem ser comprovadas. O ceticismo ainda diz que nada acontece. Mas talvez o real significado da vida esteja na própria morte.

A morte é o oposto da vida? Faz parte dela? Ou é apenas um lado da mesma moeda?

Às vezes penso que talvez a morte nem exista. O que chamamos de morte é uma visão limitada para uma parte da vida que não podemos tocar.



27 de set de 2017

Representatividade bissexual em séries

Setembro é o mês da Visibilidade Bissexual. Embora se fale muito sobre personagens gays ou lésbicas, personagens monodissidentes (que se atraem por mais de um gênero) estiveram ganhando espaço nas produções televisivas - apesar de não terem a mesma visibilidade que homossexuais.

E para celebrar esse mês criei essa lista de personagens que se relacionam com mais de um gênero (talvez até tire algumas dúvidas rs).

Embora no título esteja a palavra bissexual, há também personagens pansexuais.



  • Teen Wolf

Brett Talbot é um lobisomem bissexual.


  • Glee

Brittany Pierce é bi e já se envolveu com homens e mulheres na série.


  • Penny Dreadful

Dorian Gray e Ethan Chandler são bi/pansexuais.

(Dorian)

(Ethan)

  • Hannibal

Hannibal Lector é omnisexual (se atrai por todos os gêneros). Na terceira temporada é revelado que ele está apaixonado pelo personagem Will Graham.


  • Arrow

Sara Lance é bissexual. Ela já se relacionou com Oliver Queen e Nyssa.


  • American Horror Story

A Condesa, Elizabeth é bissexual e se envolveu por muito tempo com Ramona Royale, outra bissexual e uma vampira criada por ela. Will Drake se apresenta a princípio como gay, mas após se relacionar com a Condessa se revela bi.

(Elizabeth)

(Ramona)

(Will)

  • Orange Is the New Black

Piper Chapman teve uma relação afetiva-sexual com pelo menos um homem, seu marido Larry, e com a personagem Alex Vause, uma lésbica. Piper nunca assume uma bissexualidade (inclusive Alex ainda a define como hétero) e sua retratação causa controvérsias em discussões sobre sexualidade de personagens de obras televisivas. E Brook Soso se revela pansexual.

(Piper)

(Soso)

  • How to Get Away With Murder

Na segunda temporada é revelado que Annalise Keating é bissexual. Inicialmente ela não se aceitou, pensando ser lésbica. Mas eventualmente Annalise aceitou sua bissexualidade, chegando a se envolver com sua amiga Eve, que é lésbica.


  • The 100

Clarke Griffin é uma das protagonistas da série. Na primeira temporada ela se relaciona com um rapaz do grupo dos 100 jovens enviados à Terra. E na terceira temporada se relaciona com duas mulheres, uma delas a guerreira Lexa, que é lésbica.


  • House of Cards

Foi revelado pela produção da série que Frank Underwood se atrai por pessoas, embora ele não faça uso particular de alguma identificação (bi/pan) e se apresenta socialmente como hétero. Ele e Claire possuem uma relação mais emotiva que sexual. E Frank já teve um forte envolvimento amoroso com um amigo.


  • Black Sails

A série conta com pelo menos quatro personagens bissexuais (ou que se envolvem afetiva e sexualmente com homens e mulheres: Eleanor Guthrie, Anne Bonny, Capitão Flint e Thomas Hamilton. Eleanor se envolveu com homens e com Max, uma lésbica e prostituta. Anne e Max também têm uma relação. E na segunda temporada é revelado que Flint e Thomas tinham uma relação escondida.

(Eleanor)

(Anne)

 (James Flint)

(Thomas)

  • Once Upon a Time

Após um tempo de convivência, Dorothy Gale e Ruby (Chapeuzinho Vermelho) desenvolvem afeto uma pela outra. Dorothy é lésbica e Ruby é bissexual. Quando Dorothy acaba vítima de um feitiço do sono, Ruby a desperta com um beijo de amor verdadeiro. Assim as duas se tornam um casal.


  • Shadowhunters 

O feiticeiro Magnus Bane é bi/pansexual. Ele já se relacionou com várias pessoas durante seus séculos de vida. A relação mais recente foi com Alec Lightwood, um shadowhunter gay.


  • Wynonna Earp 

Waverly Earp teve um namorado por muito tempo até conhecer e se apaixonar pela policial Nicole Haught. As duas assumem o relacionamento no fim da primeira temporada.


  • Game of Thrones 

Oberyn Martell, Ellaria Sand e Yara Greyjoy são os principais exemplos de bissexuais da série. Oberyn e Elaria são bissexuais nos livros também.

(Oberyn)

(Ellaria)

(Yara)

  • Sense8

Inicialmente os protagonistas LGBTs eram Nomi (mulher trans lésbica) e Lito (homem cis gay). Nomi se relaciona com uma lésbica chamada Amanita, enquanto Lito se relaciona com outro homem gay chamado Hernando.

(Amanita e Nomi)

(Hernando e Lito)

No entanto, quando falamos de sensates  - pessoas conectadas pela mente - existe uma troca mútua de informações, habilidades, e até mesmo de sexualidade. Como a conexão entre os oito se fortaleceu, as autoras da série afirmaram que todos são pansexuais.

()



Está tendo representatividade LGBT+ em séries? Está sim. E terá cada vez mais!



19 de set de 2017

"Cura gay"

Eu não queria comentar sobre isso, mas vi necessidade principalmente por causa do tipo de repercussão que a notícia está tendo. E preciso fazer umas pontuações necessárias.

Ontem estava eu na TL do Facebook e me deparo com a seguinte notícia: “Justiça permite tratar homossexualidade como doença”. Em seguida vi que era notícia da Veja. Respirei fundo e abri a notícia.

Comecei a ler. Na primeira leitura, fiquei enojado com o absurdo retrocesso desse país. Mas ainda assim li mais uma vez. Fiz uma breve pesquisa. Refleti sobre o assunto e comentei de forma resumida no Twitter.

Estou escrevendo esse texto para esclarecer toda essa polêmica, visto que há pessoas que nem leram a notícia e outras que nem estão entendendo o que está acontecendo. E também para apresentar outras perspectivas pertinentes sobre esse caso.

A resolução de 1999 editada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) passou a proibir que profissionais de Psicologia realizassem terapia de “reversão sexual” ou de reorientação – ou seja, mudar a orientação sexual do indivíduo. Mesmo que a pessoa exija, não é permitido. O mais correto e humano é encaminhar a pessoa para que aceite sua sexualidade. E vale lembrar que até hoje ninguém conseguiu mudar de orientação sexual, seja por vontade própria (não, não existe ex-gay) ou por métodos terapêuticos (sendo que vários foram empregados de maneira antiética e causaram transtornos mentais e suicídios).

Essa resolução foi feita em virtude da OMS ter retirado em 1990 a homossexualidade (não é mais homossexualismo, tá?) dos catálogos de transtornos mentais.

Alguns "profissionais" da área tiveram seu registro cassado por promoverem a tal "reversão sexual". E, claro, todos motivados por religião. Dessa vez, uma fanática cassada, apoiada por outros da mesma laia, entrou com uma ação judicial contra a resolução.

Um juiz de DF acatou e entrou com uma liminar, que é um pedido específico dentro de uma ação. Ele não anulou a decisão da OMS e nem a resolução de 1999. Ele está tentando abrir uma concessão dentro da resolução. Ou seja, homossexualidade não voltou a ser classificada como transtorno, nem a nível nacional. Ressalto isso porque vi gente interpretando assim.

Mas ainda assim, essa liminar é definitivamente um gigantesco retrocesso sem precedentes e uma atitude que reflete a homofobia internalizada no âmbito jurídico e o avanço do fanatismo religioso. Estão novamente tentando patologizar a homossexualidade (consequentemente todas as orientações que não são hétero)!

Com essa liminar, gays e lésbicas podem ser tratados como doentes e podem ser atendidos, por escolha própria, por psicólogos para tentar mudar sua orientação sexual. Na psicologia existe um termo chamado “orientação sexual egodistônica”, que é a condição em que um indivíduo deseja mudar sua orientação por ela lhe causar algum sofrimento. Então essa liminar, até onde pude entender, serve a princípio para as pessoas egodistônicas.

No entanto, e como já foi falado, está mais do que comprovado (e isso porque homossexuais foram cobaias por muitos anos) que não é possível mudar a orientação sexual de alguém. A egodistonia tem uma única causa: o preconceito. A homofobia é uma opressão estrutural, ou seja, ela está na sociedade em todos os âmbitos. Ela é a causa do sofrimento e das estatísticas de violência e morte contra homossexuais. Infelizmente parece que é mais fácil quererem tratar uma sexualidade do que uma discriminação.

E aliás, falei de pessoas egodistônicas maiores de idade! Essa mesma liminar abre uma brecha perigosa para famílias religiosas e conservadores quererem "internar" crianças a adolescentes LGBTs (como se não bastasse as igrejas por aí que ainda tentam converter as pessoas).

Independentemente da idade, essa decisão poderá abrir portas para experimentações antiéticas e torturas psicológicas. Se mesmo com a resolução do CFP ainda ocorrem casos de tentativa de reorientação, então a situação pode piorar. Resoluções e leis mal são cumpridas nesse país.

E tendo em vista o conhecimento precário de muitos profissionais da própria área sobre sexualidade e gênero, essa liminar com certeza pode atingir também bissexuais e transexuais e travestis. Afinal, na mentalidade da população geral, bissexual é “meio-homossexual” e transexuais e travestis são uma evolução dos gays.

Outro ponto importante e que é raramente discutido é como estamos usando a palavra homofobia. Na prática, a população geral acaba usando homofobia para discriminação de pessoas LGBTs. Está errado, visto que as opressões vivenciadas por homossexuais, bissexuais e pessoas trans são distintas. Mas nem é disso que vou falar. Ontem no Twitter milhares de pessoas utilizaram em repúdio a liminar a tag #HomofobiaÉDoença. Até eu participei disso. E depois percebi meu erro. Homofobia é um preconceito que pode se tornar crime de ódio. Ela é uma opressão estruturada na sociedade, e afirmá-la como uma “doença mental” reforça mais os estigmas contra a parte da população que é portadora de transtornos e doenças mentais. Por favor, evitem fazer essa afirmação!

Sobre todas as pessoas se manifestando, fico imensamente feliz com isso. Agora devo também cobrar: onde está toda essa união para retirar a transexualidade do CID (Código Internacional de Doenças)? E sabiam que a bissexualidade – mesmo não sendo considerada, em si, um transtorno – aparece como “sintoma” de alguns transtornos? Linda essa revolta contra um retrocesso que atinge (primariamente) gays e lésbicas cisgêneros. Mas as outras letrinhas da sigla LGBT estão precisando de ajuda também.

Concluindo, a liminar foi feita por apenas um juiz (nem é formado em psicologia!) e o CFP em conjunto com organizações pró-LGBT irão recorrer contra isso. Projetos de “cura gay” já foram derrubados e espero que dessa vez não seja diferente.

Toda essa polêmica reforça o quanto precisamos falar da homofobia estrutural e tomarmos cuidado para o rumo que nosso país está tomando, que até então tem sido retrocesso atrás de retrocesso. A comunidade LGBTQIAP+ continua sendo ameaçada! Precisamos parar de ficar fazendo meme e lutar!



16 de set de 2017

Transexpressão

Esse é um conceito bem novo. Cada vez mais assuntos como identidade de gênero e transgeneridade têm ganhado espaço e atenção. Mas hoje o assunto é sobre expressão de gênero.

A transexpressão é quando a expressão de gênero de uma pessoa muda periodicamente, mas seu gênero permanece estático. Ou seja, nada tem a ver com pessoas gênero-fluído. E quando se fala expressão pode ser nas roupas e/ou no comportamento.

Então, tanto pessoas cis quanto pessoas trans podem experienciar a transexpressão. Uma pessoa com um determinado gênero pode sentir que sua expressão varia entre masculina, feminina, andrógina, neutra e alguma outra fora desse espectro.

Isso não quer dizer que todas as pessoas transexpressivas variam entre todas essas qualidades. Podem ser entre duas ou mais delas.

Decidi abordar sobre o assunto porque eu mesmo me descobri um homem cisgênero transexpressivo há pouco tempo. Não sei quando exatamente, mas comecei a reparar em mim mesmo mudanças de expressão. Há períodos em que me percebo como um homem masculino; em outros, um homem feminino; e em outros, homem neutro.

Eu não sabia explicar isso porque não sou gênero-fluído. Até que uma pessoa não-binária que é muito informada sobre a diversidade de gênero me apresentou o conceito. E finalmente pude explicar minha vivência.

É possível fazer uma comparação entre transexpressão e "não-conformidade de gênero" (gender non-conforming - GNC). Para quem não sabe, GNC é quando uma pessoa "não expressa seu gênero da forma socialmente esperada" - por isso foi muito utilizado para homens afeminados e mulheres masculinizadas.

O conceito de GNC não me agrada e não considero apropriado para ninguém. Mas ainda há pessoas da comunidade que utilizam o termo (não de uma forma pejorativa). Isso deve ser respeitado.

Concluindo, não temos apenas diversidade de identidades de gênero, como também de expressões de gênero. A formação de conceitos como esse é importante para que outras pessoas se encontrem. E você? É uma pessoa transexpressiva?



13 de set de 2017

O que é opressão estrutural?

Demorei um tempo para compreender o conceito de opressão estrutural. Fui lendo e pesquisando sobre o assunto e consegui formular minha própria concepção. Entretanto, percebo que muitas outras pessoas sabem e ao mesmo tempo não sabem o que é.

Em minhas reflexões, acabei pensando numa resposta simples para essa questão. É uma analogia um tanto infantil, mas de fácil entendimento.

Temos uma casinha. Ela foi construída por formas geométricas que são quadradas. A porta de entrada da casinha é, portanto, quadrada. Somente quem é quadrado passa por ela.

A casinha é a sociedade. Quem entra nela tem acesso aos privilégios. Quem não consegue entrar, não acessa os privilégios - fica na exclusão, à margem da sociedade.

A entrada da casinha foi estruturada para apenas uma forma. Logo também é estruturada para impedir a entrada de outras formas.

Isso é uma opressão estrutural. Quando uma sociedade está estruturada para privilegiar um ou mais grupos enquanto ao mesmo tempo exclui outro grupo ou mais.

Por isso pode-se observar que os preconceitos não se limitam a apenas agressões verbais ou físicas vindo de cidadãos comuns ou dos discursos de ódios no cotidiano ou nas redes sociais. O sistema, as instituições, a legislação, a educação, todos esses fatores também praticam as discriminações.

Antes não existia casamento homoafetivo, porque a heteronormatividade estruturou a sociedade para excluir casais homoafetivos. Pessoas negras não têm acesso fácil à educação por causa do racismo estrutural. Muitas lojas de roupa não têm todos os tamanhos de vestimenta para pessoas gordas. E assim por diante.

Espero que o conceito tenha ficado mais claro agora.



9 de set de 2017

Pink money

Alguma vez você leu ou ouviu o termo "pink money" (lit. dinheiro rosa)?

Esse termo representa, falando de maneira bem resumida e crua, todo lucro gerado utilizando-se de alguma forma a comunidade LGBTQIAP+.

Inicialmente pesquisas apontavam que o público gay gastava mais que o público hétero-cis. A razão principal de haver renda para isso era o fato de gays não terem filhos. Então houveram empresas e organizações empenhadas em agradar esse público para gerar mais lucro. Até hoje o turismo é a maior fonte de pink money.

Quando marcas decidem ser inclusivas e mostrar apoio à causa LGBT+, elas atraem membros da comunidade e passam uma imagem positiva, o que acaba atraindo pessoas hétero-cis aliadas ou a favor da diversidade. Existem artistas e figuras públicas que seguem a mesma linha.

Estima-se que o pink money movimenta cerca de 3 trilhões de dólares no mercado mundial! Sim, é muita coisa. A causa pró-LGBT esteve sendo muito rentável...

Não há como negar que a promoção da tolerância por parte de indústrias e personalidades da mídia tem seus efeitos positivos para a comunidade, como aceitação e empregabilidade.

E também não podemos ignorar a questão de que os maiores movimentadores desse "capitalismo colorido" são homens cis gays brancos. Qual o problema de eles terem e gastarem dinheiro? Nenhum! Mas a prevalência deles abre discussões importantes (e ignoradas) sobre as desigualdades socioeconômicas em função de etnia e gênero.

A população negra e a população trans de modo geral ainda são muito marginalizadas e não têm acesso às mesmas oportunidades (e privilégios) que homens cis gays brancos. Onde o pink money está ajudando essas pessoas?

Além de tudo isso, a maior questão sobre o pink money é como o lucro gerado é utilizado posteriormente. Ele está apenas engordando bolsos ou sendo revertido para caridades e políticas pró-LGBT? Ainda há muita discriminação e nem toda a comunidade está inserida nesse tal mercado LGBT.

Por isso que incentivo a todxs a pesquisarem sobre o que empresas e pessoas fazem com os lucros conseguidos em ações pró-LGBT. E também sobre o que fazem em prol da comunidade. Cuidado com os oportunismos!



6 de set de 2017

Terminologia B

A comunidade bissexual sempre travou sua própria luta separada de gays e lésbicas devido ao preconceito dessas pessoas e de heterossexuais. Da comunidade bi surgiram outras identidades reafirmando suas sexualidades direcionadas a mais de um gênero/sexo. Por isso a militância bi cunhou palavras que explicassem suas vivências.

Antes de tudo devo fazer a ressalva de que estou utilizando o termo bi como guarda-chuva para todas as identidades que se atraem por mais de um gênero. Portanto haverão mais termos do que aqueles utilizados apenas por bissexuais.



Bissexual: geralmente uma pessoa atraída por homens e mulheres (cis ou trans). No entanto, pessoas que se identificam como bi podem atrair-se por mais de dois gêneros, incluindo gêneros não-binários. Bissexual ainda pode ser usado como termo guarda-chuva para toda pessoa atraída por mais de um gênero (nem toda pessoa poli ou pan aceita ser enquadrada no termo).
Polissexual: pessoa atraída por muitos gêneros, mas não todos. Geralmente adotam essa identidade quando a atração é por três gêneros ou mais.
Pansexual: antigamente o conceito dizia ser uma pessoa atraída por todos os gêneros. Atualmente o conceito mais usado é atração independente de gêneros.
Monodissidente: termo usado para todas as pessoas que se atraem por mais de um gênero - bissexuais, polissexuais, pansexuais, pessoas sem rótulo, pessoas de sexualidade fluída, etc. Usado dentro da militância bi para separar essas pessoas de monossexuais.
Monossexual: termo usado para definir pessoas que se atraem por um gênero, ou seja, heterossexuais e homossexuais.
Multissexual: termo usado para englobar todas as orientações sexuais direcionadas a mais de um gênero. Algumas pessoas podem querer usá-lo como orientação sexual.
Fluidez sexual: quando a atração de uma pessoa muda naturalmente de alvo(s) e também em sua intensidade. Pessoas multissexuais não são necessariamente fluídas. A fluidez pode ser vivenciada por qualquer pessoa, mesmo monossexuais. Pessoas de sexualidade fluída experienciam a fluidez com mais frequência.
Bifluxo: pessoa que se atrai por dois gêneros ou mais e cujo alvo de atração ou preferência pode mudar periodicamente, podendo se manter entre os gêneros "de sempre" ou mesmo atrair-se por outros.
Hétero-flexível: pessoa que vivencia a heterossexualidade na maior parte do tempo, porém também pode ter alguma atração eventual pelo mesmo gênero. A experiência não é suficiente para a pessoa se identificar como bi. É um exemplo de fluidez.
Homo-flexível: pessoa que vivencia a homossexualidade na maior parte do tempo, porém também pode ter alguma atração eventual por outro(s) gênero(s). A experiência não é suficiente para a pessoa se identificar como bi. É um exemplo de fluidez.
Obs: as identidades flexíveis causam ainda controvérsias dentro e fora da militância bi.
Bicuriosidade: quando uma pessoa monossexual se sente aberta a relacionar-se com alguém de um gênero que normalmente não lhe atrai, mesmo que seja apenas uma vez. As identidades flexíveis podem ser encaixadas nela.
Mononormatividade: imposição da monogamia como a única relação correta e válida. É a opressão que atinge pessoas poligâmicas. Essa pauta acaba sendo adotada pela militância bi por haver uma quantidade considerável de monodissidentes praticantes do poliamor.
Monossexismo: a ideia de que as pessoas só se atraem por um gênero. É uma opressão sustentada pela heteronormatividade e a origem de toda discriminação contra monodissidentes.
Bifobia: toda discriminação contra bissexuais. Pode também ser usada para a discriminação de polissexuais e pansexuais. Quem não quiser, pode usar, respectivamente, polifobia e panfobia. Não se deve utilizar homofobia para bissexuais, pois são discriminações diferentes.
Bimisoginia: discriminação específica contra mulheres bissexuais, sendo a intersecção da heteronormatividade (monossexismo) e do sexismo do patriarcado.

Para mais algumas informações, confira aqui.



30 de ago de 2017

Sobre a Inês Brasil

Há alguns dias houve uma polêmica sobre a "musa LGBT" Inês Brasil. A artista, até então aclamada por boa parte do público LGBT (em especial os gays), apareceu numa foto com um famigerado político com ideias fascistas e inimigo da comunidade LGBTQIAP+, o que causou uma grande revolta no público.

Antes de tudo quero ressaltar que nunca fui fã da Inês Brasil (também não tenho nada contra) e que minha intenção não é "defendê-la". Não é uma simples questão de escolher um lado.

Bem, primeiramente, ela tinha todo o direito de tirar aquela foto. Ela tem o direito e a liberdade de tirar foto com quaisquer figuras e não ser julgada ou rechaçada por isso. Eu teria negado a foto, mas eu e ela somos pessoas diferentes. E ela é o tipo de pessoa que tem uma posição pacífica com todo mundo.

Agora, dito tudo isso, vamos ao seguinte fato: Inês nunca foi pró-LGBT, nunca foi uma verdadeira apoiadora da causa. Não estou dizendo que ela é contra. Mas o discurso dela é limitado a falar apenas de amor e respeito. Não é um discurso inútil ou dispensável, mas não é uma atitude que realmente levanta a bandeira e a põe compromissada com a causa LGBT.

Sendo que a própria artista já fez uma declaração transfóbica num show e até hoje nunca se desculpou. Também já disse não aprovar que crianças vejam beijo gay nos desenhos. Assim como além da foto fez um vídeo conversando com o fascista, tratando-o como se fosse bonzinho e dizendo levianamente para deixarmos os discursos de ódio "nas mãos de Deus" (como se o maior problema da comunidade fosse algumas pessoas falando ser "contra os gays").

Afinal, qual era o verdadeiro motivo de ela ser um ícone LGBT? Sinceramente, acho que é apenas por ela ser uma geradora de memes. Apenas isso. Ela é engraçada, diz frases de efeito que se espalham rápido, e tem um jeito espontâneo e único. Isso agrada, eu admito. Mas a verdade é que ela nunca fez nada para ser especificamente um ícone LGBT.

Sim, ela recebeu muita atenção ao fazer um vídeo contra um certo pastor fascista. Mas tudo que ela falou poderia ter sido dito por qualquer outra pessoa com o mínimo de bom senso e empatia pelo ser humano. E ainda assim o vídeo tinha algumas falas problemáticas.

O que realmente gerou toda essa revolta contra ela foi que aquela foto partiu em pedaços uma imagem que o público que a aclamava criou dela. Essa imagem não era verdadeira. E por isso ninguém deveria estar cobrando dela um compromisso com alguma causa social.

Mas o pior de tudo foi o ódio que o público que antes a paparicava manifestou nas redes sociais. Não foi apenas reprovação pela foto, que todxs tinham o direito de ter. Também houve xingamentos e agressões morais. O pessoal que é vítima constante de ódio conseguiu ser tão odioso quanto essa gente de (extrema-)direita, reacionária, conservadora e fascista.

A oposição é intolerante com quem discorda dela. No entanto, nós, os alvos dessa oposição, agimos da mesma forma nessa situação. Precisamos repensar sobre isso. Além de que os ataques se concentraram na figura mais vulnerável da história: uma mulher negra com pouca consciência política. Sim, isso revelou nossos podres e nossas próprias intolerâncias.

As eleições estão chegando. Aquela foto não foi um ato amigável, foi politicagem pura. O fascista está tentando cativar as pessoas. A oposição que nossa comunidade enfrenta está se utilizando de estratégias para se fortalecer. E está indo muito bem com isso.

Toda essa onda de ódio contra a Inês Brasil serviu para fortalecer mais o inimigo. O inimigo agora está pondo esse público revoltadinho no mesmo balaio que militantes e pessoas de esquerda, tudo para reforçar o discurso desonesto que LGBTs e esquerdistas pregam ódio.

Nossa comunidade saiu queimada. Nossa luta foi comprometida. Nossos maiores inimigos estão rindo da nossa cara enquanto a galerinha raivosa da Internet "chora" apagando os memes da musa que nunca foi musa.



27 de ago de 2017

Tipos de atrações

Muito se fala sobre atração sexual. Mais recentemente a atração afetiva, até então colocada junto com a sexual, começou a ser discutida.

A comunidade assexual (e arromântica), dentro de sua diversidade de vivências e experiências, nos trouxe uma luz sobre os diferentes tipos de atração que o ser humano pode apresentar. Segue abaixo essas atrações:



Sexual: o desejo sexual, a vontade de ter relações sexuais com a pessoa. Pode ser uma atração rápida baseada em características perceptíveis (o corpo, a genitália etc) ou pode ser desenvolvida com o tempo, de acordo com a convivência e conexão emocional.

Afetiva ou romântica: o sentimento romântico, a vontade de namorar, ter uma relação amorosa com a pessoa. Também pode ser imediata ou desenvolvida. Na maioria das pessoas se mostra como igual à atração sexual, mas pode ser diferente.

Estética: admirar a aparência física de alguém, achar a pessoa bonita, mas sem querer namorar e/ou transar.

Sensual: é a vontade de ter contato físico, sendo esse contato carinhoso (abraços, beijos, toques), mas sem ser sexual.

Platônica: querer uma amizade profunda, com uma conexão emocional mais intensa que as amizades comuns, mas sem um envolvimento romântico. Pessoas arromânticas tendem a desenvolver uma relação chamada "queerplatônica" que se encaixa nessa categoria.

Intelectual: quando o interesse é despertado pelo intelecto da pessoa, por seus conhecimentos e capacidades cognitivas. Com isso vem o desejo de interagir intelectualmente com a pessoa.

Emocional: voltada à personalidade da pessoa, gerando o desejo de conhecê-la. Geralmente antecede relações amorosas e sexuais.



Existem várias formas de uma pessoa atrair-se por outra(s) pessoa(s). Todas estão dentro de nós e podemos experimentá-las ao longo da vida, mesmo sem perceber. E você, já experimentou todas?



24 de ago de 2017

Questionando a orientação sexual

Muita gente já sabe decorado o conceito de orientação sexual: "atração sexual por um ou mais gêneros". Com exceção da pansexualidade, que é atração que independe de gênero, todas as demais identidades sexuais se prendem à presença de identidades de gênero.

Antigamente o conceito era "atração sexual por um sexo, seja o oposto, o mesmo ou ambos". Precisamos atualizar nossa concepção de sexualidade no momento em que percebemos que o ser humano poderia ir além da genitália. Além de que o conceito antigo excluía intersexos.

E então colocamos o gênero como o fator mais importante e o verdadeiro determinante de uma identidade sexual. Homens heterossexuais podem gostar de travestis e mulheres trans com pênis e manter sua identidade. Homens gays podem gostar de homens com vagina e manter sua identidade. E assim por diante.

No entanto, o conceito novo acaba excluindo um grupo transgênero: pessoas agênero. Isto é, pessoas sem uma identidade de gênero. Onde uma pessoa sem gênero pode ser incluída num conceito que depende de gênero?

Esse mesmo questionamento me faz refletir sobre uma outra questão paralela: gênero é apenas construção social? Existem ainda pessoas que afirmam isso, que gênero é uma criação humana e que nossa espécie não precisa realmente de gênero.

Talvez não precisemos mesmo. Mas agora vamos analisar: se gênero é socialmente construído, ele pode ser desconstruído. Se desconstruirmos, nos tornamos todxs pessoas agênero, o que, consequentemente, rompe todas as identidades sexuais. Não que isso seja um problema. Mas isso nos tornaria capazes de nos atrairmos por todas as pessoas?

Levantar essas questões me faz perceber que a sexualidade humana continua complexa. Aceitamos o novo conceito sem considerar a possibilidade de ele estar incompleto ou mesmo errado. Não estou dizendo que não existe atração por gênero. E sim que podemos ir além, considerando também a expressão, a aparência e a corporalidade da outra pessoa.

Comecei a levantar essa questão primeiramente por perceber a exclusão de agêneros. E também por me sentir atraído sexualmente por três pessoas transgênero - duas gênero neutro e uma agênero. As três são do sexo masculino e normalmente adotam uma aparência masculina. Isso tudo é suficiente para despertar minha atração. Como fica minha identidade agora? Bem, ainda me considero gay.

E aposto que outras pessoas devem ter passado pela mesma situação. Ouso dizer que as identidades não-binárias estão ampliando nossa visão sobre o que define nossa sexualidade, se é apenas gênero ou mais que isso.

Nos apegamos tanto ao conceito atual que situações como essa nos força, mesmo que involuntariamente, a questionar nossa própria identidade sexual. Mas isso não é realmente uma novidade. Pessoas com certa identidade podem experimentar a fluidez sexual e não precisam mudar de orientação por isso. Heterossexuais podem ser héteros mesmo tendo sentido atração por alguém do mesmo gênero. Homossexuais podem ser homos mesmo tendo sentido atração por um ou mais gêneros diferentes. E assim por diante.

Com tudo isso, o que posso afirmar com certeza é que nosso conceito atual de orientação sexual precisa ser revisto. Foi revisto antes e pode ser de novo. Independentemente de qual identidade sexual utilizamos, precisamos aceitar a fluidez sexual e aceitar que o gênero está se mostrando insuficiente para determinar as orientações sexuais.



19 de ago de 2017

Divulgação: canais LGBTs

Olá, pessoal. Trago aqui mais alguns canais menos conhecidos apresentados por figuras da comunidade LGBTQIAP+.

Para quem não viu, segue o artigo com divulgações anteriores.



Lucca Najar

Lucca é um jovem transexual que faz vídeos abordando sobre sua vida e sobre a transgeneridade.


Jake Vieira

Jake é um rapaz trans que foca mais em entretenimento, também falando sobre sua vivência como pessoa trans.


Sou Teodoro

Teodoro é um rapaz transexual que aborda sobre sua transição e sobre a transgeneridade na sociedade atual.


Transdiário

O canal de Luca Scarpelli foca em sua transição e também aborda sobre a realidade de pessoas trans no Brasil.


Cavalos-Marinhos

Thomaz e Diogo, dois rapazes trans, discutem sobre a transgeneridade e alguns outros temas comuns nas militâncias sociais.


Batatinha gwiyomi

Batatinha, também conhecida como Namy ou Zeine, é uma pessoa trans não-binária que faz vídeos focando mais na assexualidade, que é sua orientação sexual.


George Otávio - GO!

George é um rapaz demissexual homorromântico que faz vídeos abordando sobre assexualidade.


Vida Positiva

Felipe criou o canal após descobrir ser soropositivo. Desde então vem abordando sobre HIV e sua vivência após a descoberta.


XISTO

Xisto é uma pessoa não-binária que faz vídeos de entretenimento e sobre seu cotidiano.


Lorena Olaf Furter

Lorena é uma pessoa trans não-binária que aborda muito sobre as identidades não-binárias, a diversidade e outros assuntos relacionados.


Dionne Freitas

Dionne é uma moça trans e intersexo que aborda sobre ambas as vivências e também sobre sexualidade.

https://www.youtube.com/channel/UCxEMVT5B_umeTx3LXqp0b_Q

Jef Na Net

Jef fala sobre diversidade, a vida gay e religião.




16 de ago de 2017

Neonazistas

Ano de 2017 e ainda existem grupos seguidores da ideologia que dizimou milhares de pessoas e se tornou uma das maiores vergonhas da história da humanidade.

Não, não é ignorância, falta de informação, falta de educação, problema mental, doença, não é nada disso. Nem é intolerância. O que estamos vivenciando está além da intolerância e chegou na loucura.

Podia ter sido aqui no Brasil, mas foi nos Estados Unidos que ocorreu uma manifestação neonazista. As pessoas que compuseram esse show de horrores fizeram discursos contra judeus, negros e homossexuais e defenderam a supremacia branca.

Não sei o que o país ou as organizações internacionais vão fazer ou o que podem fazer. Mas algo deve ser feito. Urgentemente!

Você percebe que a humanidade falhou quando nesses tempos modernos existem grupos de pessoas defendendo abertamente e sem medo opressão, violência e morte contra outros grupos. Isso não é liberdade de expressão!

E estou mais do que farto de ouvir discursos pacifistas, de que não devemos revidar essa gente com violência, que devemos manter o diálogo, que devemos ser "humanos".

Eu até relevo com as minorias insistindo no pacifismo. Mas ver gente que não é alvo dos neonazistas fazendo esse discurso me deixa muito puto! Tenho vontade de perguntar para essa gente: como é nunca ser ameaçado de morte por pertencer a determinado grupo?

Qual seria minha solução? Digo aqui e agora para o mundo inteiro: fuzilar! Matar esses lixos! Matar antes que nos matem, matar antes que matem, matar porque com essa gente está além da recuperação.

Todas as pessoas têm direito à vida? Bom, eu acredito que sim. Tanto que sou contra a pena de morte. Podem defender o direito à vida dos neonazistas. Agora, quem vai defender o mesmo direito de viver das minorias?

Para mim o direito à vida da outra pessoa termina no momento em que ela é uma ameaça a minha vida. Pior ainda se for ameaça a minha e de outras pessoas.

Violência é a melhor resposta? Sinceramente, não sei mais responder. Eu preferiria evitar violência. Mas infelizmente a violência é necessária, principalmente quando ela vem como resistência. As minorias precisam se armar, ter como se defender.

Sinto muito quem achar minha opinião radical. Mas entre jogar uma flor ou uma bomba, eu jogo aquilo que for preservar minha vida. Chega de pacifismo com essa gente! Isso é guerra! Não é questão de "escolher lados". Isso é questão de vida.



12 de ago de 2017

O sucesso de Pabllo Vittar

Cada vez mais a cantora drag queen Pabllo Vittar conquista seu lugar na mídia nacional e também na internacional. Uma boa parcela da população, especialmente da comunidade LGBTQIAP+, está se sentindo representada e está apoiando a artista.

Não vou discutir aqui se a Pabllo tem mesmo talento ou não. Ela está fazendo sucesso, um sucesso que tende a crescer, então algum talento ela deve ter. Gosto dela, mas não sou fã suficiente para ser intitulado de vittarlover. No entanto, preciso falar sobre ela. E defendê-la.

Ninguém consegue agradar todo mundo. Pabllo esteve sendo criticada por sua voz, por ser superestimada, pelas letras de algumas músicas e por sua contribuição a longo prazo para a comunidade. Todas as pessoas são passíveis de críticas. Porém, o que estive vendo está me incomodando e vou explicar o motivo.

Vou comentar dois casos específicos sobre as (pseudo-)críticas contra ela:

Compararam ela com Freddy Mercury, geralmente exaltando-o como um homossexual melhor, mais talentoso e mais representativo. Bom, sem entrar no mérito se Freddy era de fato gay ou bissexual (o que era possível, bissexualidade sempre foi apagada), vamos aos seguintes fatos: são duas pessoas de tempos diferentes fazendo seus ativismos. Freddy contribuiu para a comunidade. Pabllo está contribuindo para a comunidade. Ninguém é mais ou menos aqui. Não é porque Freddy agiu de um jeito que todx artista LGBT deve seguir a mesma fórmula.

Compararam ela com figuras LGBTs nacionais, como Vera Verão, Nanny People e Rogéria. Antes de tudo, essas pessoas tiveram sim um papel importante na história da visibilidade LGBT nacional. Não vou negar. Agora, todas elas têm algo em comum: são personagens de entretenimento. Quando vi essa comparação, a única coisa que entendi foi "bons tempos quando LGBTs só apareciam na TV pra gente dar risada". Melhor ainda é ver a galera reacionária fazendo essa comparação (nem se importam com a comunidade!).

Tudo isso só tem um objetivo: desmerecer a Pabllo. Só. Mais nada. Duvido que essa mesma galera tenha imensa paixão e admiração por todas as personalidades citadas.

Agora, ninguém está dizendo que a Pabllo vai revolucionar o mundo apenas com músicas e clipes e acabar com as opressões sofridas pela comunidade. Não. Até porque uma pessoa só não faz uma revolução. Mas eu, como pessoa LGBT, estarei cobrando mais do ativismo dela.

E, além disso, a Pabllo ainda está inserida num sistema capitalista. Ela precisa tomar o mesmo cuidado que artistas que se dizem pró-LGBT (como Anitta), que é não cruzar o limite entre o ativismo verdadeiro e o lucro em cima da causa LGBT (o famoso pink money).

Talvez ela esteja sendo muito exaltada pelxs fãs. Talvez esteja sendo um pouco superestimada por seu talento. Agora, ter alguém como ela sendo reconhecida no mundo é positivo para a visibilidade e representatividade LGBT. Sem contar que ela também está representando o Brasil.

O clipe Sua Cara foi gravado no Marrocos, onde é crime por lei ser homossexual. Conseguem imaginar o que é um homossexual interpretando uma drag queen e uma artista pró-LGBT gravando um clipe num país desses? Isso não é um rompimento de barreiras?

Com tudo isso e vendo os ataques que Pabllo esteve sofrendo, só posso concluir uma coisa: o que incomoda de verdade é termos uma pessoa LGBT, nordestina e que rompe padrões tendo sucesso. Com certeza há gente que não gosta da voz e das letras. Mas o incômodo maior é a pessoa dela estar ganhando espaço num meio artístico ainda predominado por pessoas hétero-cis.

As críticas sobre Pabllo estar inserida no capitalismo e as cobranças do que ela pode fazer pela comunidade são válidas. Meu ponto principal foi a importância de ter uma drag fazendo sucesso, o que isso significa para a diversidade. Estarei acompanhando a Pabllo, torcendo por sua carreira e por sua contribuição para um mundo mais tolerante.



6 de ago de 2017

Comentando uma notícia

Faz pouco tempo uma dupla de artistas negras e lésbicas fizeram declarações polêmicas. Elas não apenas apoiaram uma figura política reacionária (famosa por ser homofóbica e racista), como também declararam que gays devem mostrar afetividade em quatro paredes.

Bem, eu nem tenho muito que comentar. É tão surreal que a gente nem consegue encontrar palavras. Sem falar sobre o que pode tê-las motivado a prestar esse imenso desserviço à comunidade LGBTQIAP+, o que elas falaram não tem como ser levado a sério. Sem contar o quanto é hipócrita da parte delas considerando todo seu histórico.

Mas o que pode levar duas pessoas de classes minoritárias a apoiarem um reacionário que não esconde seu ódio das minorias? Talvez tenha sido o que a maioria diz: desespero por uns minutinhos de fama. Sim, existem artistas que se rebaixam a níveis subterrâneos por um pouco de atenção.

Agora, considerando que elas realmente apoiam o sujeito, o que posso dizer? Sinceramente não sei dizer como duas mulheres negras e lésbicas possam aderir a uma ideologia política que as oprime, que as segrega, que quer tirar/privar direitos básicos. No entanto, não é novidade que existem pessoas da comunidade que são conservadores e contra a esquerda/o progressismo.

Lavagem cerebral? O oprimido aceitando sua condição de oprimido? Medo de enfrentar os sistemas de opressão? Como o conservadorismo pode seduzir uma de suas vítimas? Síndrome de Estocolmo?

Acho que (e eu falo por mim também) a esquerda atual deva começar a rever o que ela pode estar fazendo de errado (não apenas com as minorias). Agora, o que fazemos com as duas? Ignoramos. Apenas isso. Não as ataquem de forma alguma. Deixem que vivam de acordo com as consequências de seus atos. A luta da comunidade LGBTQIAP+ continuará. Por elas, inclusive.



3 de ago de 2017

Mudanças aqui e ali

Bem, o artigo de hoje não é nada de demais. Fiz algumas mudanças nesse humilde espaço. Troquei o fundo e coloquei esse novo cabeçalho super ultra mega extravagante hahaha. Na verdade era apenas um teste, no fim gostei e decidi deixar.

Pessoas, em meio a essas mudanças, peguei um momento para analisar toda minha trajetória. 

Primeiramente, fico besta em perceber que logo serão 3 anos de blog. Então estou há 3 anos escrevendo artigos todo mês, geralmente dois numa semana. Isso é muita coisa!!! 'o'

Segundamente, percebi o quanto cresci, o quanto fui melhorando no conteúdo. Preciso melhorar mais, não estou satisfeito. Mas posso me alegrar e dizer que consegui criar algo muito bom aqui.

Continuarei firme aqui, trazendo uma variedade de assunto sem perder foco nas militâncias e ativismos sociais. Tudo isso é parte de mim agora.

Sobre as mudanças, decidi agora adotar mais a sigla LGBTQIAP+ do que LGBT ou LGBT+ (a que eu estava me acostumando). Preciso expandir mais meus horizontes e abordar mais sobre toda a comunidade. Não que eu já não tenha falado sobre os grupos fora da sigla oficial (ainda é LGBT), mas agora mostrarei apoio maior.

Acham a sigla extensa? Sem problema, podem ler como LGBT. Ou melhor, posso até explicá-la. Mas mesmo LGBT+ não estava, a meu ver, representando todas as identidades que deveria representar. Claro que será uma mudança gradativa. Ainda me apresentarei pessoalmente como LGBT, para melhor compreensão das outras pessoas. Mas a mudança é necessária.

Outra coisa, os termos que costumo utilizar vão mudar. LGBTfobia é uma palavra que vou excluir, pois não inclui toda a comunidade (embora eu usasse sempre pensando em todxs). Os preconceitos, como homofobia, transfobia, etc serão substituídos por heteronormatividade, cisnormatividade etc, principalmente quando o contexto do artigo for mais político.

Sempre me identifiquei com as ideias de esquerda. Porém, no cenário atual e após muita reflexão, não estou mais querendo utilizar o "rótulo" de esquerdista. Agora me apresentarei como progressista, apoiarei medidas que acredito que visem o progresso social e político. Continuo sendo contrário ao lado conservador e reacionário.

Podem talvez parecer atitudes pouco relevantes, mas até mesmo pequenas mudanças são importantes para nos direcionar a maiores mudanças. E eu quero mudar um pouco como me expresso e como faço minha militância. Por hoje é só isso.

Beijos coloridos!