30 de dez de 2017

Retrospectiva 2017

O que seria um fim de ano sem uma retrospectiva, né? No caso aqui será minha retrospectiva, porque se for falar dos acontecimentos do ano, não vai ter nada de bom para contar. Mentira, o ano teve também seus bons momentos. Poucos, mas teve.

Segue aí com todo amor e carinho os acontecimentos mais relevantes. Se preparem para o textão.

No começo do ano passei um mês inteiro em Peruíbe. Não foi tão bom quanto eu esperava, pois o ócio me seguiu até lá. E como a vida é uma troll, caí de um conjunto de bicicletas que eu liderava, estava junto de minha prima e dois priminhos. Ainda bem que só eu caí. Não foi nessa encarnação que escapei da marca de uma queda rs. Também aproveitei uma oportunidade e corri pelado pela casa. Recomendo. E por fim meu afilhado teve sua primeira vez na praia, e ainda filmei tudo. Vida de padrinho, né?

Voltei para São Paulo sem causa ou rumo. Comecei a pós-graduação. Eu queria Farmácia Magistral, e para minha frustração não tinha o curso. Optei por Fitoterapia clínica. Interessante, mas vi só uma aula. Desisti da pós-graduação.

Coloquei aparelho de novo, dessa vez fizeram um trabalho decente.

Fiz colação de grau. E muito feliz por estar vendo minha turma tão desunida e infantil pela última vez. Mantenho contato com umas amigas e só. E com isso me despeço da instituição onde passei 5 anos da minha vida.

Comecei a fazer academia. Quero ficar fortinho, malhadinho, padrãozinho, pra ir nas baladas e tirar a camiseta no meio da pista... Mentira, só fui por questão de saúde. E estou indo bem. Tem dias que me dá preguiça, mas vou.

Esse ano tive um contato maior com a APOGLBT, o grupo que organiza e promove a Parada LGBT de São Paulo. Fui no Ciclo de Debates da APOGLBT, que foi maravilhoso, e vi as reuniões da próxima Parada. E finalmente comprei minha própria bandeira LGBT.

Excluí todo conteúdo pornográfico do meu notebook. Não foi nada demais, apenas uma coisa íntima e espiritual minha. E passo muito bem.

Tive o prazer de conhecer muitos grupos que lutam pela causa HIV, em especial o Pela Vidda e a Fundação Poder Jovem. No PV vou nas reuniões de quinta-feira, todas com temas diferentes e muita conversa produtiva. E sou membro do PJ, onde ajudo em eventos para arrecadar fundos e acompanho o pessoal em outros eventos. Também participei de um workshop sobre juventude, saúde e ISTs. Foi uma surpresa, pois eu não sabia que eu ficaria num lugar o dia inteiro e por dois dias seguidos.

Com isso também entrei no GT da Juventude. Tive o prazer de participar de uma ação coletiva para crianças numa casa de abrigo. Foi uma ótima experiência. Ah, e conheci um dos meus dois ficantes nesse grupo. Como não amar o GT? xD

Não consegui escapar de colocar óculos. Descobri que tenho miopia. Mas felizmente os óculos me deixam sexy.

E o acontecimento mais esperado: transei. E só. Foi uma experiência inusitada, lógico, mas nada de tão fantástico. Aliás, há colegas e amigos dando mais importância a isso do que eu. E também tive a experiência de beijar meus dois ficantes em dias seguidos. Não, nunca tinha feito isso. E fiquei com o segundo ficante mais de uma vez. Não, nunca tinha feito isso. Muitos dizem que "comecei a viver". Besteira.

Acompanhei um amigo na Santa Ceia dele. Tive aquele receio de entrar na igreja e minha pele queimar, mas nada ocorreu. Suportei por ele, pois era importante para ele e ele precisava de companhia. Descobri que esse ano sou capaz de pensar nos outros, incrível.

Conheci Tath, administradore do site Orientando. Fizemos amizade. Fui em sua casa duas vezes, e na segunda tomamos uns drinks, quase fiquei bêbado. E comi coxinha de jaca. É deliciosa, sério.

Se tem uma coisa que fiz muito foi comprar livros. Foram dezenas de livros. A Saraiva devia me dar um belo desconto, só acho. Agora preciso ler!!!

Como não trabalhei ou estudei, esse ano participei de muitas rodas de debate e palestras LGBT+. Muitas mesmo. Tive contato com outras militâncias e aprendi muito com elas. Minha militância foi renovada com essas experiências e pelo Orientando.

E meu fim de ano teve dois fatos incômodos: meu celular e meu carregador de notebook pararam de funcionar. Simples assim. Consegui logo um celular novo, pois minha tia tinha um reserva. Está tudo bem. Descobri que quase tudo que faço no notebook posso fazer pelo celular. Agora só aguardo meu novo carregador chegar.

Fechei o ano participando de um Natal Comunitário. Foi uma experiência muito bonita, fez bem a minha alma. Abri mão de uma reunião "em família" (pessoas que nem gosto, mas hoje estamos de bem). E entrei para o coletivo Arouchianos. Parece ser um coletivo interessante, tem uma proposta bem inclusiva e se preocupa com as populações periféricas e de rua. Isso pra mim mostra uma ótima índole.

Esse foi meu ano de 2017. Tirando ócio, tédio, e uns boys bem esquisitos, foi um ano de aprendizado e conhecimento, saí mais do meu mundo e tive um contato humano que realmente não tive nos anos anteriores. Mudei. Não uma, duas, três, mas várias vezes. 

Estou indo para o próximo ano mais direcionado com o que quero e pretendendo ser cada vez melhor. Que venha 2018!



27 de dez de 2017

Discriminações não são fobias

Este é um daqueles tópicos que muita gente vai protestar ou tentar se justificar. Mas isso precisa ser dito.

Popularizou-se pelo mundo palavras de sufixo -fobia que definissem discriminações contra segmentos específicos da comunidade LGBTQIAP+ e outros grupos minoritários.

Todas elas - homofobia, lesbofobia, bifobia, transfobia, intersexofobia, acefobia, arofobia, gordofobia, sorofobia, xenofobia, islamofobia, entre outras - estão sendo usadas de forma errônea. E não, não é pelo significado literal do sufixo, um argumento furado muito usado por gente preconceituosa numa tentativa de desmerecer os crimes de ódio.

A explicação é que palavras de sufixo -fobia caracterizam medos excessivos e irracionais que fazem parte dos transtornos de ansiedade; portanto são distúrbios mentais. Muitas PCDs (pessoas com deficiência) dos ativismos sociais apontam que esses termos acabam reforçando estigmas contra os transtornos mentais e as pessoas que os possuem; ou seja, são capacitistas.

Muita gente pode achar que as discriminações mais violentas podem ser associadas a alguma doença mental, pois quem as pratica costuma mostrar uma instabilidade perigosa. Realmente não é nada normal alguém em plena consciência querer xingar, agredir e até matar pessoas unicamente por suas características. Porém essas atitudes não são frutos de um transtorno mental. E nem de pura e simples ignorância.

A ignorância pode sim gerar preconceitos. Mas mesmo pessoas com acesso à informação podem ainda ter preconceito e discriminarem. Isso denota apenas falta de caráter, uma moral defeituosa.

Essa moral é construída em cima de decisões conscientes: não querer se colocar no lugar das pessoas, não fazer autorreflexão sobre suas ações mesmo que estejam causando sofrimento evidente, se recusar a respeitar e aceitar diferentes características pessoais, mostrar indiferença com a violência contra minorias, etc. Pessoas muito reacionárias chegam até a se orgulhar de discriminar e mostrar um prazer sádico nisso.

Nada disso vem de um contexto traumático ou inexplicável, como as fobias. Essas pessoas sequer se incomodam com seus pensamentos e suas ações. E por isso também que discriminações devem ser criminalizadas, afinal são atitudes conscientes.

Termos alternativos são mais indicados e estão sendo adotados gradualmente em outros países, principalmente aqueles que falam inglês. Pode-se usar “preconceito/discriminação contra [insira o grupo]”, “anti-[insira o grupo]” ou o nome do sistema opressivo (ex: heteronormatividade).

Eu mesmo estive evitando os termos e preferindo usar os nomes dos sistemas. Na minha opinião são uma ótima alternativa porque: são palavras únicas, mais abrangentes e definem toda forma de discriminação. A heteronormatividade, por exemplo, caracteriza qualquer tipo e nível de discriminação contra toda orientação que não seja hétero.

Sei que é difícil admitir um erro dessa proporção e ainda alterar um vocabulário acostumado. Mas devemos sempre buscar combater todo tipo de opressão, isso inclui o capacitismo. Não coloquem ódio, desvio de caráter e falta de empatia no mesmo patamar que distúrbios mentais que causam sofrimento e são clinicamente tratáveis. 

A mudança será bem lenta aqui no Brasil. Entendo a dificuldade de trocar uma terminologia que se espalhou tanto e usada até mesmo em espaços formais como o legislativo. Por isso todxs nós devemos cooperar. De modo algum essa mudança vai interferir nas causas. Era só isso.



23 de dez de 2017

Precisamos falar de HIV

Precisamos falar sobre HIV. Ou melhor, precisamos voltar a falar mais sobre HIV. O vírus ainda existe, há milhares de pessoas vivendo e convivendo com ele, temos epidemias e índices de infecção que necessitam de análises para assim formularmos medidas de prevenção e adesão ao tratamento. Muita coisa? Então vamos com calma.

Não quero que o artigo seja uma chatice com informações científicas e parecendo apenas uma cartela de posto de saúde. Mas devo antes passar uns conceitos básicos, visto que uma grande parte da população geral é muito alheia ao assunto.

Primeiramente, HIV e AIDS não são a mesma coisa. O HIV é o vírus. A AIDS é a doença causada pelo vírus quando não há tratamento adequado. Embora ainda haja muita infecção por HIV, cada vez mais o número de pessoas com AIDS tem diminuído. Isso se deve aos tratamentos modernos e à adesão a eles.

Pessoas vivendo com HIV são aquelas infectadas com o vírus. As pessoas convivendo são aquelas não infectadas e que têm relações (amorosas, familiares, fraternas, sociais etc) com pessoas HIV+. Em primeira instância, mesmo que haja suspeita de infecção, toda pessoa é alguém convivendo.

Muita gente, mesmo quem nasceu na década passada, ainda tem uma ideia antiquada de uma pessoa soropositiva. O estigma da década de 1980, quando sequer existia os tratamentos que temos hoje, ainda perdura.

O tema do HIV está pouco falado. E quando se fala, o maior erro que costumam cometer é dar mais ênfase à infecção do que às pessoas. Elas não são o vírus, nem um exame médico ou uma contagem de células de defesa!

Esse ano mesmo tive a maravilhosa oportunidade de entrar em contato com grupos e organizações cujo foco é o HIV e pessoas vivendo e convivendo. Há diversas entidades como UNAIDS Brasil, GIV (Grupo de Incentivo à Vida), Associação Civil Anima, Koinonia Presença Ecumênica e Serviço, Pela Vidda, Fundação Poder Jovem, Conexão Positiva, entre outras. A causa HIV+ é um dos assuntos que estive devendo aqui no blog, e agora abordarei mais. Não apenas para enriquecer o conteúdo, mas também para que aqui seja um espaço incluso para as pessoas soropositivas.

Os medicamentos avançaram tanto que há pessoas que podem tomar apenas um e ter bem menos efeitos adversos. Foi comprovado que pessoas com uma carga viral (presença do vírus nas células) indetectável - ou seja, extremamente baixa - por seis meses não pode transmitir o vírus através de relações sexuais. É realmente gratificante perceber que o tratamento está se aprimorando e dando chance às pessoas soropositivas de terem uma vida saudável e plena assim como as soronegativas.

Isso não resolve o problema! Devemos nos atentar ao lado humano. Não somos apenas um corpo físico e saúde não é apenas bem-estar do organismo. A população soropositiva ainda lida com preconceito e discriminação (sorofobia) e conflitos internos com a aceitação, que é um fator importante na adesão ao tratamento e na vida individual e social. Lidar com esse lado humano tem sido uma prioridade também, assim como a tão sonhada cura do HIV.

O estigma, fundamentado na falta de conhecimento, faz com que pessoas soropositivas fiquem desconfortáveis em assumir a sorologia em público, que não mantenham relacionamentos pelo medo da rejeição, que tenham receio de serem julgadas e vistas como promíscuas e sem auto-cuidado, e entre outros efeitos nocivos que prejudicam a qualidade de vida. E a melhor arma contra estigmas é justamente o conhecimento.

E por isso elas precisam ser ouvidas, suas pautas precisam ser atendidas. O HIV precisa ser discutido constantemente, e não mencionado apenas em época de carnaval ou no mês de dezembro. A população geral necessita de campanhas de conscientização e acesso à informação. É um trabalho árduo, mas a iniciativa pode vir de todxs nós.

Sobre dezembro, o mês é conhecido como Dezembro Vermelho em referência ao laço vermelho, símbolo do combate ao HIV/AIDS e que representa solidariedade e comprometimento com a vida. O dia 1 de dezembro é o Dia Mundial de Combate a AIDS, feito para conscientizar sobre as pandemias do vírus e suas vítimas.

HIV não é de interesse exclusivo de pessoas soropositivas e nem da comunidade LGBTQIAP+. É uma questão de saúde. E a saúde é de interesse da humanidade. Precisamos conscientizá-la disso. Novamente, precisamos falar de HIV.

(O símbolo internacional criado em 1991)



20 de dez de 2017

Discursos de apagamento

Atenção: esse artigo contém muita ironia.

Talvez muita gente não saiba, mas existe uma forma de discriminação chamada apagamento. Há alguns tipos bem específicos de apagamento, e um deles são discursos superficiais que desviam o foco de uma discussão ou que ignora/diminui suas ideias.

Apagamentos são mais comuns do que imaginam. No entanto deve-se pontuar que muitas pessoas não fazem isso de propósito ou com total consciência disso. Por isso espero do fundo do coração que levem o que será dito aqui como crítica construtiva.

Nunca o discurso somos todos iguais me irritou tanto como atualmente. Você está lá junto com outras minorias abordando sobre o preconceito, suas nuances e seus efeitos, daí vem alguém - geralmente de nenhuma classe oprimida - dizendo que somos todxs iguais.

Uau! É mesmo? E onde está essa igualdade? Porque estamos nesse exato momento discutindo sobre essa igualdade teórica que nada tem de prática enquanto você está aí com as borboletas do privilégio dançando a sua volta e nos jogando as flores da utopia. Se não tem nada de útil para acrescentar, não fale nada.

Um discurso muito similar é aquele da humanidade. Ao invés das pessoas se declararem hétero, gay, bi, trans etc elas devem apenas reafirmar que são humanas.

Primeiramente, agradecemos por constatar o óbvio. Segundamente, gente preconceituosa está ciente de que somos todxs humanxs, e isso não as impede de querer exclusões e até mortes de certos grupos. E por fim, rótulos não estão "desumanizando" ninguém; eles são identidades que expressam existência e resistência. É difícil gente que até uns anos atrás não precisava de tais definições porque era tida como "normal" entender a necessidade de rótulos.

Outro dia vi uma imagem sobre opções de gênero e eram as seguintes: "homem", "mulher", e "pra que rótulos?". Olhei aquilo e pensei "que maneira criativa de apagar as identidades não-binárias". Quer dizer, enquanto as pessoas são ou homem ou mulher, tudo bem. Passou disso é "muito rótulo". E entramos novamente na questão dos rótulos. Aliás, por que ninguém questiona se homem e mulher são mesmo rótulos necessários?

E para finalizar, o discurso mais perturbadoramente irresponsável, que chamo de todo mundo sofre!!!. Ele aparece muito em discussões envolvendo violência e morte contra minorias. Daí vem alguém falando "ah, mas pessoas [insira grupo que não sofre opressão] também morrem todo dia".

Esse lixo de discurso coloca todos os grupos, minorias e maiorias, como alvos das mesmas situações e ignora violências específicas. O que me dá mais raiva é esse monte de estatística e crimes de ódio comprovando que existem violências motivadas unicamente por sexualidade e afetividade, gênero, etnia, etc e vem gente leviana com "todo mundo sofre violência". É, verdade, todo mundo sofre com alguma violência. Há muitas violências. E nem todas atingem todas as pessoas. Porra!

Não estou dizendo que agora está proibido fazer discursos bonitinhos com um viés progressista. O problema de todos os discursos apontados aqui é como e quando são feitos, quase todas as vezes em meio a discussões importantes. Cuidado com o apagamento. É uma merda. Fim.



13 de dez de 2017

Questões controversas #1

Dentro da comunidade LGBTQIAP+ há alguns pontos que geram opiniões divergentes e discussões que perduram até hoje, às vezes sendo abordados por pessoas de fora da comunidade (como a pauta HIV e as extensões das siglas).

Embora eu responda ou tente responder às questões apresentadas, posso muito bem discuti-las de maneira bem mais ampla e aprofundada em artigos posteriores.



"A bandeira arco-íris consegue representar todos os segmentos da comunidade 
ou no fim acaba sendo exclusiva dos gays?"

A bandeira foi criada por um ativista gay, Gilbert Baker, e sua intenção era criar um símbolo do "orgulho gay". Embora pessoas bi e trans estivessem inclusas na luta e nas pautas do movimento, o segmento que sempre teve maior visibilidade foi dos homens gays. Até hoje ainda há gente que resume "LGBT" a gay.

Ao longo do tempo os demais segmentos da "sigla oficial" foram reivindicando maior visibilidade e reconhecimento de suas pautas específicas. A bandeira "gay" foi aos poucos expandindo sua representação até ser reconhecida mundialmente como bandeira "LGBT".

(Bandeira LGBT+? Bandeira LGBT+ e gay? Bandeira gay?)

No entanto isso não é o suficiente. Há muitos espaços ditos LGBTs que são dominados por homens gays, que também reproduzem discriminações contra os demais segmentos. E quando esses espaços conseguem de fato alguma inclusão, acabam focando nos quatro segmentos do "LGBT" e excluindo os demais. Não é difícil encontrar pessoas lésbicas, bissexuais, transgêneros que não se sentem representadas pelo arco-íris; e menos difícil ainda encontrar intersexos, assexuais, etc que sentem o mesmo. Sim, é complicado...


"Pessoas aliadas devem estar na sigla, no caso na letra A junto com assexuais? 
E devem ter uma bandeira?"

Não é incomum ver alguns grupos e algumas organizações adicionando aliad@s em extensões da sigla, colocando esse segmento ao lado de assexuais. E sim, existe uma bandeira para essas pessoas.

Antes de tudo, a formação da bandeira já é controversa porque ao fundo está a "bandeira hétero" (essa coisa de listras brancas e pretas, parecendo uma roupa de prisão).


Bom, é quase unânime os posicionamentos contra a inclusão. Os argumentos são simples e nem precisam de uma explicação elaborada: os segmentos na sigla são as pessoas discriminadas e oprimidas por sexualidade, romanticidade, gênero e sexo biológico; com isso, quem está na sigla são protagonistas de uma luta social e política; e alid@s mesmo podendo ser alvos de eventual repreensão nunca perderão seus direitos e privilégios (além de nem serem uma identidade!). 

E respondendo à segunda pergunta, não vejo real problema de haver uma bandeira. Mas vale lembrar que bandeiras são usadas como símbolos de orgulho, e quem tem algum orgulho é quem enfrenta diretamente uma opressão. Que opressão aliad@s vivenciam?


"Pessoas hétero-cis têm algum lugar na comunidade? (sem ser aliança)"

A comunidade que sempre forneceu um lugar é a queer. A identidade queer sempre foi muito diversa e engloba toda pessoa fora dos padrões sociais. Com isso, pessoas hétero-cis que não se encaixavam ou se rebelavam contra as normatividades eram queers. A comunidade queer sempre foi aberta para homens hétero-cis afeminados e mulheres hétero-cis masculinizadas, assim como para quem teve experiências homoafetivas ou bicuriosas (hétero-flexíveis).

No contexto atual, considerando a comunidade arromântica na letra A junto com assexuais (ou mesmo considerando A como "espectro-A"), pessoas hétero-cis arromânticas também podem ser incluídas como parte da comunidade - pois estão no espectro arromântico. Esse tópico é um pouco controverso, mas a inclusão estará sempre disponível.

Se o grupo poliamorista fosse adicionado como uma identidade exclusiva (mais uma letra P), também poderia-se incluir héteros-cis nesse grupo. Porém há controvérsias sobre relações poliamorosas entre homens hétero-cis com mais de uma mulher.



Aguardem para mais questões como essas!



10 de dez de 2017

Minhas primeiras vezes

O título é muito sugestivo, né? Primeiras vezes? Quais primeiras vezes? (tem mais de uma primeira vez?)

Sim, hoje vou falar de primeiras vezes. Das minhas primeiras vezes. Esse é o trecentésimo artigo e acho justo dedicá-lo apenas a essa maravilhosa pessoa que sou eu.

Sim, o artigo será mais descontraído. Militantes precisam de descanso também, viu?

Posso falar de tantas primeiras vezes. A primeira vez que fui na praia, a primeira vez que fui no cinema, a primeira vez que joguei um videogame, a primeira vez que andei de bicicleta, a primeira vez que madruguei fora de casa, a primeira vez que fui numa balada, enfim, são tantas!

Tem aquelas primeiras vezes que são bastante peculiares. Como a primeira vez que dormi pelado (foi esquisito, mas depois me acostumei), a primeira vez que cozinhei minha própria comida (e estava deliciosa!), a primeira vez em que acordei cedo para ir à escola (ai que horror), a primeira vez que fumei maconha (engasguei com a fumaça), a primeira vez que comprei algo inútil com meu dinheiro (aquela sensação de gastar por gastar), ou a primeira vez que comi uma coxinha de jaca (para minha surpresa é saborosa).

Mas chega disso tudo porque sei que muitxs de vocês devem estar querendo ler sobre coisas mais íntimas. Ok, vou agora para as primeiras vezes mais... pessoais. u.u

A primeira vez que vi um pornô foi ótima pela novidade, mas tensa pelo medo de ser flagrado. A primeira vez que me masturbei foi maravilhosa, melhor ainda sem o sentimento de culpa. A primeira vez que mandei nudes foi muito espontânea, taquei o foda-se para a insegurança. A primeira vez que beijei foi boa, porém expectativas romantizadas foram quebradas. A primeira vez que fiquei pelado na frente de outra pessoa foi gostosamente impulsiva. A primeira vez que fiz sexo virtual foi cheia de tesão, libertei minha safadeza interna. A primeira vez que fiz sexo físico foi estranha e engraçada, nem boa ou ruim.

Se espero mais primeiras vezes? Clarooo! Tem tanta coisa que quero fazer, tantas comidas e bebidas a serem experimentadas, lugares para ir e explorar, livros para ler, enfim. E ainda aguardo meu primeiro sexo a três (p-o-l-ê-m-i-k-a).

É isso? Sim, é isso. Os maiores detalhes guardo para minha alma. =^.^=

Um brinde a todas as minhas primeiras vezes. Pois se não fossem por elas eu não teria histórias para contar. Pois sem elas eu não teria vivido. Pois caso não tivessem ocorrido, então não seriam primeiras (óbvio).



7 de dez de 2017

Bandeiras

Vocês sabem quantas bandeiras de orgulho existem? Quantas vocês conhecem? Postarei aqui as mais conhecidas e algumas desconhecidas, só para apresentar a imensa diversidade existente.

(LGBT+/gay)

(Lésbica)

(Bi)

(Trans)

(Não-binária)

(Intersexo)

(Assexual)

(Poli)

(Pan)

(Queer)

(Demissexual)

(Arromântica)

(Transfeminina)

(Transmasculina)

(Agênero)

(Genderqueer)

(Gênero-fluído)

(Gênero neutro)

(Ipsogênero)

  (Mulher ipsogênero)                        (Homem ipsogênero)

(Multissexual)

   (LGBT+ negritude)                   ("pessoas de cor" LGBT+)

(Poliamorista)

Para mais bandeiras acessem o site Pride Flags, o maior portal de bandeiras de orgulho que existe atualmente.



3 de dez de 2017

Centros de Cidadania LGBT

O artigo de hoje tem um caráter mais de divulgação, no caso falarei sobre os Centros de Cidadania LGBT do país. Eles são núcleos feitos para atender à população LGBT+, oferecendo serviços sociais, jurídicos, psicológicos, pedagógicos, entre outros. Listarei os centros por cidades.



São Paulo

Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas (antigo centro Arouche)

End: Rua Visconde de Ouro Preto, 118 – Consolação
Tel: (11) 3115-2616
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 19h


Centro de Cidadania LGBT Luana Barbosa dos Reis (Zona Norte)

End: Rua Plínio Pasqui, 186 – Parada Inglesa
Tel: (11) 2924-5225
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 19h


Centro de Cidadania LGBT Laura Vermont (Zona Leste)

End: Avenida Nordestina, 496 – São Miguel Paulista
Tel: (11) 2032-3737
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 19h


Centro de Cidadania LGBT Edson Néris (Zona Sul)

End: Rua São Benedito, 408 – Santo Amaro
Tel: (11) 5523-0413 / 5523-2772
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 19h


Campinas

Centro de Referência LGBT

End: Rua Talvino Egídio de Souza Aranha, 47 – Botafogo
Tel: (19) 3242-7744
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8h às 17h


Rio de Janeiro

Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT

End: Rua Tenente Possolo, 43 – Centro
Tel: (21) 2215-0844 / 2222-7286
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 14h às 20h
E-mail: arco-iris@arco-iris.org.br


Niterói

Centro de Cidadania LGBT Leste

End: Rua Visconde de Morais, 119 – Ingá
Tel: 0800 023 4567 (Disque Cidadania LGBT RJ)
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 18h


Nova Friburgo

Centro de Cidadania LGBT Hanna Suzart (Serrana I)

End: Avenida Alberto Braune, 223 – Centro
Tel: (22) 2523-7907
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 18h


Duque de Caxias

Centro de Referência da Cidadania LGBT - Baixada I

End: Rua Frei Fidélis – Centro / na parte superior do Restaurante Cidadão
Tel: 0800 023 4567 (Disque Cidadania LGBT RJ)
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 18h


Belo Horizonte

Centro de Referência pelos Direitos Humanos e Cidadania LGBT (CRLGBT)

End: Rua dos Tupis, 149, 10º andar – Centro
Tel: (31) 3277-4128
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 17h


Recife

Centro Municipal de Referência em Cidadania LGBT

End: Rua dos Médicis, 86 – Boa Vista
Tel: (81) 3355-3456
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8h às 18h


João Pessoa

Centro de Cidadania LGBT

End: Parque da Lagoa, 196 – Centro
Tel: (83) 3218-9248
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8h às 14h


Campo Grande

Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia (CENTRHO)

End: Rua Marechal Cândido Mariano Rondon, 713 – Amambai
Tel: (67) 3321-7343
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h30


Teresina

Centro de Referência para Promoção da Cidadania LGBT Raimundo Pereira (CRLGBT)

End: Rua Barroso, 732 – Centro-Norte
Tel: (86) 3213-7086
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h30


Brasília

Creas Diversidade

End: 614/615 Sul, Lote 104, Bloco G, L2 Sul – CEP 70.770-501
Tel: (61) 3224-4898 / 3322-4980
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, 8h às 12h e 14h às 18h
Obs: esse centro atende também vítimas de discriminação racial e religiosa.



Próximos Centros de Cidadania LGBT:

Volta Redonda: recentemente o MPF (Ministério Público Federal) cobrou do programa Rio Sem Homofobia a instalação do novo CCLGBT na cidade. Não achei mais informações sobre o projeto.
Salvador: o Governo da Bahia estima que até o fim de 2019 haverá um CCLGBT construído e em atividade, no endereço Rua do Bispo, 10.
Maceió: a Coordenação da Diversidade Sexual da Semas (Secretaria Municipal de Assistência Social) está planejando a construção de um CCLGBT.

Devo lembrar também sobre o Disque 100, o número dos Direitos Humanos. Lá podem oferecer informações e alguns serviços.



30 de nov de 2017

Expectativas familiares

Genitores, principalmente pais e mães tradicionais, costumam planejar roteiros de vida para seus bebês, antes ou pouco tempo depois de nascerem, criando muitas expectativas sobre o que eles serão e farão.

De todas as expectativas, há três que já vi com frequência e sinto necessidade de problematizar:

- Que sigam a carreira que não puderam seguir
- Que cresçam para cuidar na velhice
- Que tenham filhos para assim terem a experiência de serem avôs

Tá, vamos analisar cada item.

Primeiro item. Talvez a pessoa tenha prazer e consiga sucesso na carreira que seus genitores não puderam seguir. Mas impor isso é, antes de tudo, ir contra o direito de escolha da pessoa. Sem contar que esperar que os filhos compensem por seus fracassos e frustrações é uma atitude tóxica para ambos os lados.

Sobre o segundo item, é sim louvável e uma demonstração de gratidão os filhos atenderem às necessidades dos genitores na velhice. Agora, colocar isso como uma das principais expectativas é um ato de muito egoísmo. Afinal, querem criar pessoas ou cuidadores? Não seria melhor planejar uma velhice saudável e independente, que é totalmente possível atualmente? E mais, o que garante que viveremos até a fase idosa? Ninguém sabe o dia de amanhã.

E finalmente, o item que parece mais inofensivo e na verdade é o pesadelo de muitxs jovens LGBTs: esperar que a pessoa procrie. Pensar nos bebês do bebê é um pensamento fundamentalmente heteronormativo. Além de que pode haver homens ou mulheres hétero-cis que não desejam procriar. Ou de repente podem não ter capacidade reprodutiva.

Ainda sobre o terceiro item, muitas famílias, mesmo com toda essa discussão e abordagem recentes sobre diversidade, ainda esperam que as crianças nasçam heterossexuais cisgêneros perissexos. Podem até dizer que não, mas a maioria tem essa idealização. Mesmo que sem intenção ou consciência, essa idealização pode causar alguma pressão na criança.

É comum algumas pessoas falarem que não querem que as crianças se descubram LGBTs porque "não querem que sofram". Sei que não é a intenção, mas essa frase é muito problemática. Primeiramente, e repito, genitores não têm que querer nada relacionado com a intimidade dos filhos. E segundo, não querer que alguém seja de um grupo alvo de discriminação por sofrer discriminação é querer se livrar do efeito, e não a causa. Que tal lutar contra as discriminações?

Enfim, minha mensagem é que as famílias criem pessoas e se preocupem com a felicidade pessoal delas. Deixem-nas fazer o próprio roteiro de vida. Deixem-nas ser quem são.



26 de nov de 2017

Comentando uma notícia

A polêmica desta semana é uma daquelas que me faz querer me corroer de raiva com a hipocrisia e o preconceito internalizado. E, claro, evidentemente, envolve a escória conservadora do país.

Nas redes sociais repercutiu um vídeo de dois garotos na festa de aniversário de um deles. Eles se beijam, na mesa tem um bolo da Pabllo Vittar e o pessoal cantando a versão vulgar do Parabéns Pra Você. Foi isso.

Então vieram reações negativas dos conservadores e também de uma quantidade considerável do público LGBT+. Focaram no fato de que são "crianças" e, portanto, "não deveriam estar namorando".

Primeiramente, crianças eles não são, pois um tem 13 e o outro 14 anos. Se ambos têm ou não a maturidade necessária para um relacionamento, é algo a ser discutido. Particularmente não vejo grande mal nisso. E pegando esse gancho, acho incrível como um monte de gente agora decidiu se preocupar com garotos de 13+ anos namorando!

Quantas pessoas não iniciaram a vida afetiva e/ou sexual aos 13 anos, a idade geral do início da puberdade? Não estou dizendo que porque muitos fizeram então está certo. Mas por que se preocuparam agora quando a polêmica envolve um casal gay?

E afinal de contas, as famílias estão perfeitamente cientes da relação e ambos os adolescentes estão sob a responsabilidade delas. Isso é por lei, inclusive. Ninguém tem nada a ver com isso.

Duvido muito que se fosse um casal hétero haveria esse escândalo todo! O real e único motivo foi serem dois jovens gays namorando!

E assim como na polêmica do homem nu no museu, vemos a mesma escória reacionária querendo falar de "sexualização de crianças" sendo as mesmas pessoas que: forçam pareamento entre meninos e meninas desde sempre, estimulam os meninos desde cedo a paquerarem e assediarem meninas e mulheres, erotizam as meninas até antes da puberdade com roupas e maquiagens, e empurram a heteronormatividade para as crianças.

Para quem for falar da droga da música, sim, concordo que seja vulgar. Agora pergunto: quantos de vocês já não cantaram isso em outras festas na presença de crianças? E mais, acham mesmo que esses dois meninos não estão expostos constantemente à sexualidade na mídia e principalmente na Internet? Ah, por favor!

E para finalizar, os garotos foram atacados nas redes sociais com todo tipo de mensagem de ódio e repúdio. Tudo isso foi causado por um beijo. Um beijo gerou toda essa revolta. O beijo claramente não é o maior problema e nunca foi.



18 de nov de 2017

Categorias de gênero

Há quatro categorias de gênero no mundo. A grande maioria das fontes de informação disserta apenas sobre duas – cisgênero e transgênero. Aqui falarei as definições de cada categoria.

Vale ressaltar que essas categorias não são usadas como identidades de gênero em si. São classes de identidades. Não é correto, por exemplo, identificar um homem cis como apenas cis, ou uma mulher trans como apenas trans, e etc.

Cisgênero: definição para as pessoas que se identificam com o gênero designado no nascimento. Ou seja, mulheres e homens cis, que estima-se que sejam a grande maioria da população mundial. Esse termo deveria ser exclusivo para as pessoas perissexo; quem nasceu com um sexo identificável e dentro dos conceitos científicos de “sexo feminino” e “sexo masculino”. No entanto, há pessoas intersexo que preferem o termo cis.

Ipsogênero: um termo exclusivo para pessoas intersexo que se identificam com o gênero designado no nascimento. Seja a pessoa mulher ou homem, intersexos não possuem os mesmos privilégios que perissexos cisgêneros (principalmente autonomia sobre seus corpos e validação de seus sexos), por isso a necessidade de se criar um termo separado de cis.

Obs: a palavra quase nem é conhecida pela comunidade intersexo brasileira. É importante falar sobre sua existência, pois pode auxiliar na militância intersexo.

Transgênero: se refere a toda pessoa que não se identifica com o gênero designado no nascimento. É um grupo que pode ser dividido em pessoas binárias e pessoas não-binárias. As binárias são sempre aquelas que se identificam com o gênero binário que não foi designado; ou seja, mulheres e homens trans. As não-binárias representam uma enorme diversidade de identidades, possivelmente infinitas, entre elas: gênero neutro, andrógine, bigênero, pangênero, agênero etc. Há algumas pessoas não-binárias que podem se apresentar apenas como “trans não-binárix”. Pessoas trans podem ou não querer fazer mudanças corporais.

Obs1: conceitualmente, as travestis se encaixariam nessa categoria - muitas como binárias (mulheres) e algumas como não-binárias ("terceiro gênero"). Porém, há várias que não se rotulam como trans e isso deve ser respeitado.

Obs2: no Brasil ainda é muito utilizado o termo transexual. Inicialmente foi cunhado para definir as pessoas trans que desejavam e faziam mudanças corporais, principalmente a transgenitalização. Hoje em dia é mais usado da mesma forma que transgênero (a comunidade trans brasileira ainda discute a aceitação desse termo).

Obs3: muitas fontes cometem o erro de falar em três opções de gênero: homem, mulher e não-binário. Embora não-binárix seja termo guarda-chuva, reduzir todas as identidades não-binárias a uma única classe é uma forma de apagamento.

Obs4: dentro da não-binaridade há categorias que descrevem as condições de certos gêneros, como demigênero para um gênero parcial, gênero-fluído para quem transita entre dois ou mais gêneros, entre outras. Também costumam ser usadas com alguma especificação (ex: demimulher).

Gênero cultural: há algumas culturas americanas, do Oriente Médio e de outras regiões que aceitam mais de dois gêneros, sendo identidades influenciadas pela cultura. Portanto são gêneros restritos de determinadas culturas e logicamente só podem ser adotados por pessoas que cresceram nelas. Não se encaixam nas definições ocidentais de cis e trans. Exemplos incluem: hjira na Índia, two-spirit nas tribos nativas norte-americanas, muxe no México.

Qualquer dúvida basta perguntar.



15 de nov de 2017

Divulgação: espaços virtuais LGBT+

Neste artigo vou indicar grupos e páginas da rede social Facebook com conteúdo exclusivo ou mais voltado ao público LGBT+. Procurei listar espaços com atividade constante e que sejam mais inclusivos, representativos e interseccionais em comparação à maior parte por aí.

Páginas:

- Coordenação de Políticas LGBT: https://www.facebook.com/politicaslgbtsp
- Página das Famílias LGBTs: https://www.facebook.com/FamiliasLGBTOficial
- Homens Trans: https://www.facebook.com/HomensTrans
- IBRAT - Instituito Brasileiro de Transmasculinidades: https://www.facebook.com/institutoibrat
- Comunidade Assexual: https://www.facebook.com/comuassex

Grupos:

- Grupo Ace, Demi, Gray-A(ce): https://www.facebook.com/groups/395428620526278
Estarei atualizando a lista em caso de inatividade/desativação ou surgimento de novas páginas e novos grupos.

Não esqueçam de divulgar! Espalhem a informação e a diversidade! <3



12 de nov de 2017

ENEM 2017

Este ano decidi fazer o ENEM. Houve as seguintes mudanças: a prova antes era num fim de semana, sábado e domingo; agora é em dois domingos seguidos. E antes as matérias eram dividas em Humanas e Natureza (dia 1) e Linguagens e Exatas (dia 2); agora é Linguagens e Humanas e Natureza e Exatas.

Referente às matérias, acredito que não foi muito bom fazer essa mudança. Talvez possa ter deixado as duas provas mais cansativas para um único dia (mesmo sendo em duas semanas separadas). Pior ainda para quem não é tão bom com números e lógica ou com conteúdo teórico e interpretativo, a configuração anterior ao menos dava uma equilibrada.

O tema da redação foi: Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. Um tema que achei digno. Juro que não esperava.

Muitas pessoas reclamaram do tema porque surdez e pessoas surdas são assuntos muito pouco (ou nem) discutidos em escolas e na mídia em geral. E sim, isso é verdade.

Agora, nada disso era desculpa para não tentar formular um texto. Na página do tema da redação havia quatro textos que forneciam uma base para escrever. E a menos que você more numa caverna, não é possível que você não tenha noção de que pessoas surdas são invisíveis e tratadas como incapazes.

Esse tema foi excelente para conscientizar a população em geral sobre inclusão. E essa inclusão é tão urgente que até mesmo uma estudante surda relatou ter encontrado dificuldade em fazer a prova.

E como em todo ano, tivemos que assistir um show de horrores. Os atrasados? Não. A plateia dos atrasados! Sério, como tem gente que usa uma tarde de domingo para rir e zombar da desgraça de pessoas que se atrasaram por n motivos para uma prova desgastante?

Não vou entrar no mérito de discutir sobre as dificuldades das questões (especialmente Exatas) e sobre as incontáveis reprovações por motivos até mesmo banais. Só não pude deixar de notar (pelo menos na instituição em que fiz a prova) que houve um decréscimo significativo de presentes do primeiro ao segundo dia.

O ENEM precisa melhorar sim, assim como todo o sistema educacional. Tive o privilégio de ter tempo de sobra para estudar (tempo que nem aproveitei direito xD). Mas fico pensando em quem não teve esse privilégio, em quem se esgotou psicologicamente estudando, em quem não pôde acessar uma educação de maior qualidade, enfim.

Torço muito para que todxs tenham ido bem. E quem não foi tão bem, que persista em seguir o que quer. E lembrem-se: a nota não define seu valor!



8 de nov de 2017

O infográfico do biscoito

Esse infográfico - em inglês popularizado como genderbread person foi muito divulgado e utilizado na Internet para explicar os conceitos de sexo, gênero e sexualidade. Há muitas variações por aí com diferenças gráficas e/ou nas informações.

Legal, bacana, supimpa! Lembro que na época amei esse infográfico.

(Apenas um exemplo.)

Agora vem a parte chata. Preciso revelar que ele é cheio de falhas!

Ele falha pelos seguintes motivos:

- por representar as características em partes inadequadas do corpo;
- por falar sempre pelo menos um dos conceitos de forma incompleta ou equivocada;
- por simplificar demais, o que acaba passando ideias erradas ou mesmo apagando a diversidade ao invés de mostrá-la.

Sexo biológico: sempre apontado na genitália. O erro começa aí, pois o sexo não é definido unicamente por genitália, mas também por cromossomos sexuais, hormônios e gônadas. Em seguida vem quase sempre o erro de colocar como opções "homem" e "mulher", ou ambos e "intersexual" (intersexo é o mais apropriado). Primeiro, homem e mulher são gêneros! Segundo, dizer apenas intersexo é apagar toda diversidade da intersexualidade e reduzi-la a um terceiro sexo. É importante também apresentar o conceito de perissexo.

Identidade de gênero: sempre apontada no cérebro. Não é totalmente incorreto apontá-la nele. No entanto, devemos sempre ter em mente que o gênero está expresso também na corporalidade da pessoa (ex: se a pessoa é mulher, seu corpo todo é de mulher). E quando o conteúdo não presta o imenso desserviço de colocar somente as opções binárias, coloca os gêneros não-binários como uma única categoria. Se for para explicar as categorias de gênero, quase sempre falam algo errado sobre transgêneros. Nunca vi um gráfico citando ipsogênero ou gêneros restritos de culturas.

Expressão de gênero: sempre apontada em torno da figura. Talvez seja o único aspecto apontado mais corretamente. Geralmente são dadas as opções "feminina" e "masculina". Um gráfico mais inclusivo pode adicionar "andrógina" e "neutra". No entanto, vale lembrar que há pessoas que definem sua expressão como algo fora ou além dessas quatro (ex: há gente que a define como queer).
*Nota: Há gráficos que colocam o conceito de expressão de gênero como papel de gênero. Os papéis de gênero são as funções impostas por uma cultura para homens e mulheres.

Orientação: sempre apontada no coração. Quase sempre tentam explicar o conceito de orientação sexual combinando a atração sexual com atração romântica (muito chamada equivocadamente de "orientação afetiva"). Há outras atrações além de sexual e romântica. Então se fosse abordar todas, como apontá-las? E geralmente os gráficos citam opções alossexuais - hetero, homo, bi (etc). Ademais, faz sentido apontar sexualidade no coração, como se ela fosse sempre atrelada a sentimentos? Não estaria a orientação sexual na mente e no organismo (inconsciente, sensações, reações fisiológicas, libido)?

Sei que esse infográfico veio com o nobre intuito de explicar sobre a diversidade humana de forma didática e simples. Mas tem falhas. E as falhas espalham desinformação. Isso não pode ser ignorado. Acredito que melhor que um gráfico reducionista e errôneo é uma boa e velha explicação; seja falada ou escrita.



1 de nov de 2017

Ideologia de gênero

Gente da (extrema-)direita, pessoas alinhadas com o fascismo e o retrocesso, estiveram batendo numa tecla bem peculiar, a tal ideologia de gênero.

Esse foi o nome que o setor conservador (principalmente cristão) inventou para demonizar (palavra apropriada rs) todo ensino de gênero planejado para ser aplicado nas escolas. O mesmo ensino que serviria para diminuir a violência contra a mulher e conscientizar sobre a transgeneridade. Mas esse setor já provou inúmeras vezes que cagam para essas pautas.

E ainda alegam que falar sobre gênero e diversidade irá corromper as crianças, erotizá-las, "transformá-las" em gays/trans (pra essa gente é a mesma coisa), enfim, os absurdos sem lógica e fundamento de sempre.

Adoram também citar a Teoria Queer, que só é mal-interpretada por quem sequer jogou o termo no Google pra pesquisar.

É natural que essa parcela da população seja contra o ensino nas escolas. Porque isso é uma ameaça a seu status quo, desafia o sistema patriarcal e heterocisnormativo que a beneficia, tira seu poder sobre as minorias.

Precisamos falar sobre gênero nas escolas porque precisamos falar das opressões e discriminações contra mulheres e pessoas trans que as atingem desde crianças. E a oposição está conseguindo barrar esse avanço espalhando mentiras e fazendo distorções sobre o tema, assim convencendo uma grande quantidade de ignorantes que servem de reforço.

Quem realmente prega uma ideologia é justamente quem enche a boca para falar numa "ideologia de gênero" - que realmente nem existe!

Quem quer pregar uma ideologia é esse setor retrógrado; a ideologia cisnormativa e normalizada que obriga quem tem pênis a ser homem, quem tem vagina a ser mulher, e quem é intersexo tem sua genitália mutilada para poder se encaixar em um dos órgãos e assim ter um gênero imposto.

Essa é a verdadeira ideologia de gênero. E ela deve ser combatida pelas mulheres e pela comunidade LGBTQIAP+ - principalmente pelas pessoas trans (binárias e não-binárias) e pelas pessoas intersexo.

Ninguém nasce de um gênero. As pessoas se descobrem. Apenas isso.



29 de out de 2017

Confissões

A cada dia que passa percebo mais e mais que a escola foi um dos ambientes mais tóxicos da minha vida. Na verdade ela é tóxica para todas as pessoas. Mas aqui falo de toxicidades bem específicas.

A escola tentou me ensinar o que era a vida: namorar menina, casar, ter filhos, arrumar um emprego de sucesso, ganhar dinheiro, gastá-lo com bens materiais, e... esperar uma morte tranquila? Não lembro se me ensinaram a como morrer, só lembro do processo de decomposição.

A escola tentou me ensinar que eu, menino, tinha capacidades e aptidões que meninas supostamente não tinham. Eu tinha a força, o raciocínio lógico, a inexplicável pré-disposição a ser bem-sucedido no mundo dos negócios e das empresas.

A escola tentou me ensinar como era ser menino. Me vestir como um, falar como um, agir como um, as características típicas de um ser homem, como ser um homem "de verdade" (nunca descobri o que era um homem de mentira).

A escola tentou. E eu fracassei.

Os colegas de classe, os professores, as aulas, as piadas, os comentários, tudo isso tentou me empurrar um modelo ideal de homem heterossexual e cisgênero que eu deveria seguir. Porque é o correto, apenas isso.

E eu tentei o que, acredito eu, todos já tentaram: se encaixar. Vamos tentar seguir a norma. Afinal se existe norma, é porque ela é a correta, certo? Vamos tentar ser o que a escola ensina, porque ela sabe o que é bom para nós, certo?

E aí você tenta. Tenta falar grosso, tenta ser agressivo, tenta gostar de futebol, tenta ser pegador. Você não consegue. E mesmo assim até persegue o coleguinha que também não consegue, assim podem te aceitar.

Você faz mal, você se faz mal, você aceita o mal sem questionar. Não é culpa nossa. Ninguém ensina a questionar, a ter senso crítico, a seguir sua própria natureza.

A escola te ensina tudo que você não consegue ser. E você sai dela se sentindo um fracasso.

E só muito tempo depois que aprendi que não havia nada de errado comigo. A escola era o problema. O sistema é o problema. Eu não fracassei. Você não fracassou. Nós não fracassamos. A luta foi difícil, mas o importante é resistir e não se perder.

Porém, não importa o quanto você seja consciente ou empoderado, as marcas do passado não somem. O passado não some. Os danos da escola continuam na alma. Meu eu atual sabe que não fracassou. Mas meu eu de antes não sabia. A criança não sabia. O adolescente não sabia. Ela e ele ainda existem. Na memória.



25 de out de 2017

Divulgação: canais LGBT+

Nesse artigo de divulgação colocarei mais canais menos conhecidos, porém bem diversificados. Assim como nos artigos anteriores estarei divulgando canais nacionais:



Louie Ponto

Louie é uma jovem lésbica que aborda muitos assuntos do mundo LGBT+, assim como opiniões pessoais e outros temas da juventude atual.

https://www.youtube.com/user/loouieee

Sensualise Moi

Um canal focado em sexualidade apresentado por um casal de bissexuais. Abordam sobre sexo de uma forma bem liberal e sem tabus.

https://www.youtube.com/user/sensualisemoiTV

Projeto Boa Sorte

Apresentado por Gabriel Estrela, que fala sobre uma variedade de assuntos, muitos centrados na diversidade da comunidade LGBT+.

https://www.youtube.com/channel/UCcg2yzyxjl1Lc8LMjo6y1Tg

Thiessita

Uma moça trans que fala sobre seu cotidiano e sobre a transgeneridade.

https://www.youtube.com/channel/UCweMwYMCTNxwJd4MF5pOBmw

Bernoch

Um rapaz trans que fala sobre sua transição e assuntos do cotidiano.

https://www.youtube.com/user/gnomundo

Adam Franco

Um homem trans que aborda sobre gênero e sua transição.

https://www.youtube.com/channel/UCNP9Qg69W3tyMt9IH7YAdwQ

Bonjúr Monamúr por Ju Giampaoli

Ju Giampaoli é uma jovem bissexual que fala sobre feminismo, alguns temas LGBTs e o universo feminino.

https://www.youtube.com/channel/UCQMkZR8vkwPdxzgOxvTwd2Q

Fernand Motta

Ele é uma pessoa não-binária que fala sobre muitos assuntos do cotidiano e sobre a não-binaridade em muitos de seus vídeos.

https://www.youtube.com/user/minhavidamonotona

Antonio Valente

Ele é um homem gay e negro que aborda sobre esses dois mundos e outros assuntos do cotidiano, como relacionamento e experiências.

https://www.youtube.com/channel/UChWNDvyDICy7t_cRzyv5ZYA

Leona T

Ela é uma pessoa transgênero que fala sobre suas experiências, com um foco especial no mundo transfeminino.

https://www.youtube.com/channel/UCnv_6xNIds44q9j0WTdXn8g

Sabrina Velmonth

Ela é uma travesti que comenta sobre diversos assuntos de seu dia-a-dia, trazendo sempre questões de gênero.

https://www.youtube.com/channel/UC1KmP5cFpqICtMSeNq4PR2Q

LiahBracho oficial

Uma travesti que foca nas questões trans e em sexualidade, também falando sobre outros temas mais descontraídos.

https://www.youtube.com/user/lianovaes1



Para quem quiser, há mais dois artigos com canais LGBT+: [1], [2]



21 de out de 2017

Terminologia I

A comunidade intersexo é relativamente nova. Pessoas intersexo tiveram sua existência historicamente apagada ou transformada num tabu por não se enquadrarem totalmente nos dois sexos mais comuns e definidos como normais.

Junto com a comunidade trans, que acolheu intersexos por dividirem sofrimentos muito similares, a comunidade intersexo criou nomenclaturas e reformulou conceitos para trazerem uma visão diferente sobre o que foi sempre definido socialmente como sexo biológico e como gênero. Vale lembrar que nem todos os termos aqui podem ser conhecidos pelo mundo.


Intersexo: pessoa que tem um sexo biológico que não se encaixa no padrão binário determinado pela comunidade científica, tendo um sexo considerado indefinido ou que mistura características dos sexos binários (feminino e masculino). Existem pelo menos 40 tipos de intersexos.
Perissexo: pessoa que tem um sexo biológico que se encaixa no padrão binário determinado, ou seja, ou são do "sexo feminino" ou do "sexo masculino". Pessoas perissexo podem ainda ser chamadas de diádicas em outras fontes.
Altersexo: termo utilizado principalmente, mas não exclusivamente, para personagens da ficção que possuem um sexo que não existe naturalmente ou que modificaram o sexo por algum motivo. Pode ser usado por pessoas que: são intersexo e transgênero, alteraram sua genitália ou fizeram alguma terapia hormonal, ou têm uma visão de que seu "verdadeiro" corpo não se encaixa nos sexos binários. Dois exemplos de altersexo são salmaciane/bigenital (pessoa que deseja uma genitália mista) e angenital (pessoa que não deseja ter genitália ou um sexo).
Sexo biológico: composto por cromossomos sexuais, hormônios, gônadas e genitália. Naturalmente as pessoas podem ser classificadas como perissexo ou intersexo. A ciência atual classifica pessoas perissexo em sexo feminino e sexo masculino.
Sexo feminino: para a ciência é a fêmea típica da espécie humana. Esse sexo é definido por cromossomos sexuais XX, presença de ovários, genitália vaginal e níveis "aceitáveis" de progesterona e estrogênio.
Sexo masculino: para a ciência é o macho típico da espécie humana. Esse sexo é definido por cromossomos sexuais XY, presença de testículos, genitália peniana e níveis "aceitáveis" de testosterona.
Terceiro sexo: há países que designam bebês intersexo (ou com uma genitália ambígua) como um terceiro sexo (ou gênero). É uma definição considerada discriminatória, pois reduz todas as variações intersexuais a um único sexo. Num entanto, dependendo do país e sua legislação, pode trazer o benefício de evitar cirurgias "corretivas" nos bebês.
Diadismo: toda opressão e discriminação estruturais cometidas diretamente contra pessoas intersexo. O preconceito específico contra esse grupo é a intersexofobia.
Mutilação genital: é como a comunidade intersexo chama as cirurgias feitas em bebês intersexos. Há casos em que é necessária uma intervenção médica, mas cirurgias são impostas muito mais pelo pensamento diadista de que a genitália intersexual é deformada e que é necessário corrigi-la para poder identificar o bebê como um dos gêneros binários. Uma das pautas da militância intersexo é ter autonomia sobre seu corpo, pois defendem que seu sexo é natural e aceitável.
DDS: sigla de "desordens de desenvolvimento sexual" é um termo médico utilizado para definir toda variação de cromossomos sexuais, gônadas e anatomia consideradas atípicas. As variações intersexuais são englobadas pelo termo, e por isso ele não é aceito pela comunidade intersexo.
Ipsogênero: termo para pessoas intersexo que se identificam com o gênero designado a elas, seja masculino ou feminino. Serve como um diferencial de cisgênero devido ao preconceito estrutural sofrido por intersexos, que não permite que tenham os mesmos privilégios e aceitação que pessoas cisgêneros.
Intergênero: uma identidade de gênero definida pela intersexualidade. Pode ser apenas uma descrição da pessoa se definir como de um gênero por ser intersexo (então aqui pode-se incluir pessoas ipso e trans binárias), ou também uma identidade não-binária com interpretações próprias (algo entre o feminino e o masculino, uma mistura de ambos, etc). Segue abaixo seis identidades muito pouco conhecidas, mas influenciadas por intersexualidade.
Duogênero: gênero que combina homem e mulher.
Amalgagênero: a pessoa considera seu gênero intersexo assim como o corpo.
Divisigênero: gênero totalmente separado do masculino e do feminino.
Neutroix: gênero neutro.
Surgênero: um gênero completo, mas que inclui outro(s) gênero(s) em conjunto.
Vacagênero: ausência de gênero.
Resbis: pessoa intersexo em conflito com seu gênero e tentando se reconciliar com ele. Ou quando a pessoa já teve esse conflito e agora está em harmonia com seu gênero.
Ultergênero: termo para pessoas intersexo que não se identificam com o gênero designado a elas, mas também não querem utilizar o termo transgênero por não se sentirem contempladas por ele devido a sua experiência como intersexo. Intergênero poderia ser encaixado como um tipo de identidade ulter.
Hermafrodita: antigamente era utilizado para definir pessoas intersexo. No entanto, pelo conceito e pela estigmatização consequente, o termo não é mais utilizado. Hermafroditismo é uma condição sexual presente em outras espécies da natureza, onde um ser vivo possui características sexuais tanto de macho quanto de fêmea, podendo também se reproduzir assexuadamente. Tal condição nunca foi encontrada na espécie humana.