19 de ago de 2017

Divulgação: canais LGBTs

Olá, pessoal. Trago aqui mais alguns canais menos conhecidos apresentados por figuras da comunidade LGBTQIAP+.

Para quem não viu, segue o artigo com divulgações anteriores.



Lucca Najar

Lucca é um jovem transexual que faz vídeos abordando sobre sua vida e sobre a transgeneridade.


Jake Vieira

Jake é um rapaz trans que foca mais em entretenimento, também falando sobre sua vivência como pessoa trans.


Sou Teodoro

Teodoro é um rapaz transexual que aborda sobre sua transição e sobre a transgeneridade na sociedade atual.


Transdiário

O canal de Luca Scarpelli foca em sua transição e também aborda sobre a realidade de pessoas trans no Brasil.


Cavalos-Marinhos

Thomaz e Diogo, dois rapazes trans, discutem sobre a transgeneridade e alguns outros temas comuns nas militâncias sociais.


Batatinha gwiyomi

Batatinha, também conhecida como Namy ou Zeine, é uma pessoa trans não-binária que faz vídeos focando mais na assexualidade, que é sua orientação sexual.


George Otávio - GO!

George é um rapaz demissexual homorromântico que faz vídeos abordando sobre assexualidade.


Vida Positiva

Felipe criou o canal após descobrir ser soropositivo. Desde então vem abordando sobre HIV e sua vivência após a descoberta.


XISTO

Xisto é uma pessoa não-binária que faz vídeos de entretenimento e sobre seu cotidiano.


Lorena Olaf Furter

Lorena é uma pessoa trans não-binária que aborda muito sobre as identidades não-binárias, a diversidade e outros assuntos relacionados.


Dionne Freitas

Dionne é uma moça transexual e intersexual que aborda sobre ambas as vivências e também sobre sexualidade.

https://www.youtube.com/channel/UCxEMVT5B_umeTx3LXqp0b_Q

Jef Na Net

Jef fala sobre diversidade, a vida gay e religião.




16 de ago de 2017

Neonazistas

Ano de 2017 e ainda existem grupos seguidores da ideologia que dizimou milhares de pessoas e se tornou uma das maiores vergonhas da história da humanidade.

Não, não é ignorância, falta de informação, falta de educação, problema mental, doença, não é nada disso. Nem é intolerância. O que estamos vivenciando está além da intolerância e chegou na loucura.

Podia ter sido aqui no Brasil, mas foi nos Estados Unidos que ocorreu uma manifestação neonazista. As pessoas que compuseram esse show de horrores fizeram discursos contra judeus, negros e homossexuais e defenderam a supremacia branca.

Não sei o que o país ou as organizações internacionais vão fazer ou o que podem fazer. Mas algo deve ser feito. Urgentemente!

Você percebe que a humanidade falhou quando nesses tempos modernos existem grupos de pessoas defendendo abertamente e sem medo opressão, violência e morte contra outros grupos. Isso não é liberdade de expressão!

E estou mais do que farto de ouvir discursos pacifistas, de que não devemos revidar essa gente com violência, que devemos manter o diálogo, que devemos ser "humanos".

Eu até relevo com as minorias insistindo no pacifismo. Mas ver gente que não é alvo dos neonazistas fazendo esse discurso me deixa muito puto! Tenho vontade de perguntar para essa gente: como é nunca ser ameaçado de morte por pertencer a determinado grupo?

Qual seria minha solução? Digo aqui e agora para o mundo inteiro: fuzilar! Matar esses lixos! Matar antes que nos matem, matar antes que matem, matar porque com essa gente está além da recuperação.

Todas as pessoas têm direito à vida? Bom, eu acredito que sim. Tanto que sou contra a pena de morte. Podem defender o direito à vida dos neonazistas. Agora, quem vai defender o mesmo direito de viver das minorias?

Para mim o direito à vida da outra pessoa termina no momento em que ela é uma ameaça a minha vida. Pior ainda se for ameaça a minha e de outras pessoas.

Violência é a melhor resposta? Sinceramente, não sei mais responder. Eu preferiria evitar violência. Mas infelizmente a violência é necessária, principalmente quando ela vem como resistência. As minorias precisam se armar, ter como se defender.

Sinto muito quem achar minha opinião radical. Mas entre jogar uma flor ou uma bomba, eu jogo aquilo que for preservar minha vida. Chega de pacifismo com essa gente! Isso é guerra! Não é questão de "escolher lados". Isso é questão de vida.



12 de ago de 2017

O sucesso de Pabllo Vittar

Cada vez mais a cantora drag queen Pabllo Vittar conquista seu lugar na mídia nacional e também na internacional. Uma boa parcela da população, especialmente da comunidade LGBTQIAP+, está se sentindo representada e está apoiando a artista.

Não vou discutir aqui se a Pabllo tem mesmo talento ou não. Ela está fazendo sucesso, um sucesso que tende a crescer, então algum talento ela deve ter. Gosto dela, mas não sou fã suficiente para ser intitulado de vittarlover. No entanto, preciso falar sobre ela. E defendê-la.

Ninguém consegue agradar todo mundo. Pabllo esteve sendo criticada por sua voz, por ser superestimada, pelas letras de algumas músicas e por sua contribuição a longo prazo para a comunidade. Todas as pessoas são passíveis de críticas. Porém, o que estive vendo está me incomodando e vou explicar o motivo.

Vou comentar dois casos específicos sobre as (pseudo-)críticas contra ela:

Compararam ela com Freddy Mercury, geralmente exaltando-o como um homossexual melhor, mais talentoso e mais representativo. Bom, sem entrar no mérito se Freddy era de fato gay ou bissexual (o que era possível, bissexualidade sempre foi apagada), vamos aos seguintes fatos: são duas pessoas de tempos diferentes fazendo seus ativismos. Freddy contribuiu para a comunidade. Pabllo está contribuindo para a comunidade. Ninguém é mais ou menos aqui. Não é porque Freddy agiu de um jeito que todx artista LGBT deve seguir a mesma fórmula.

Compararam ela com figuras LGBTs nacionais, como Vera Verão, Nanny People e Rogéria. Antes de tudo, essas pessoas tiveram sim um papel importante na história da visibilidade LGBT nacional. Não vou negar. Agora, todas elas têm algo em comum: são personagens de entretenimento. Quando vi essa comparação, a única coisa que entendi foi "bons tempos quando LGBTs só apareciam na TV pra gente dar risada". Melhor ainda é ver a galera reacionária fazendo essa comparação (nem se importam com a comunidade!).

Tudo isso só tem um objetivo: desmerecer a Pabllo. Só. Mais nada. Duvido que essa mesma galera tenha imensa paixão e admiração por todas as personalidades citadas.

Agora, ninguém está dizendo que a Pabllo vai revolucionar o mundo apenas com músicas e clipes e acabar com as opressões sofridas pela comunidade. Não. Até porque uma pessoa só não faz uma revolução. Mas eu, como pessoa LGBT, estarei cobrando mais do ativismo dela.

E, além disso, a Pabllo ainda está inserida num sistema capitalista. Ela precisa tomar o mesmo cuidado que artistas que se dizem pró-LGBT (como Anitta), que é não cruzar o limite entre o ativismo verdadeiro e o lucro em cima da causa LGBT (o famoso pink money).

Talvez ela esteja sendo muito exaltada pelxs fãs. Talvez esteja sendo um pouco superestimada por seu talento. Agora, ter alguém como ela sendo reconhecida no mundo é positivo para a visibilidade e representatividade LGBT. Sem contar que ela também está representando o Brasil.

O clipe Sua Cara foi gravado no Marrocos, onde é crime por lei ser homossexual. Conseguem imaginar o que é um homossexual interpretando uma drag queen e uma artista pró-LGBT gravando um clipe num país desses? Isso não é um rompimento de barreiras?

Com tudo isso e vendo os ataques que Pabllo esteve sofrendo, só posso concluir uma coisa: o que incomoda de verdade é termos uma pessoa LGBT, nordestina e que rompe padrões tendo sucesso. Com certeza há gente que não gosta da voz e das letras. Mas o incômodo maior é a pessoa dela estar ganhando espaço num meio artístico ainda predominado por pessoas hétero-cis.

As críticas sobre Pabllo estar inserida no capitalismo e as cobranças do que ela pode fazer pela comunidade são válidas. Meu ponto principal foi a importância de ter uma drag fazendo sucesso, o que isso significa para a diversidade. Estarei acompanhando a Pabllo, torcendo por sua carreira e por sua contribuição para um mundo mais tolerante.



6 de ago de 2017

Comentando uma notícia

Faz pouco tempo uma dupla de artistas negras e lésbicas fizeram declarações polêmicas. Elas não apenas apoiaram uma figura política reacionária (famosa por ser homofóbica e racista), como também declararam que gays devem mostrar afetividade em quatro paredes.

Bem, eu nem tenho muito que comentar. É tão surreal que a gente nem consegue encontrar palavras. Sem falar sobre o que pode tê-las motivado a prestar esse imenso desserviço à comunidade LGBTQIAP+, o que elas falaram não tem como ser levado a sério. Sem contar o quanto é hipócrita da parte delas considerando todo seu histórico.

Mas o que pode levar duas pessoas de classes minoritárias a apoiarem um reacionário que não esconde seu ódio das minorias? Talvez tenha sido o que a maioria diz: desespero por uns minutinhos de fama. Sim, existem artistas que se rebaixam a níveis subterrâneos por um pouco de atenção.

Agora, considerando que elas realmente apoiam o sujeito, o que posso dizer? Sinceramente não sei dizer como duas mulheres negras e lésbicas possam aderir a uma ideologia política que as oprime, que as segrega, que quer tirar/privar direitos básicos. No entanto, não é novidade que existem pessoas da comunidade que são conservadores e contra a esquerda/o progressismo.

Lavagem cerebral? O oprimido aceitando sua condição de oprimido? Medo de enfrentar os sistemas de opressão? Como o conservadorismo pode seduzir uma de suas vítimas? Síndrome de Estocolmo?

Acho que (e eu falo por mim também) a esquerda atual deva começar a rever o que ela pode estar fazendo de errado (não apenas com as minorias). Agora, o que fazemos com as duas? Ignoramos. Apenas isso. Não as ataquem de forma alguma. Deixem que vivam de acordo com as consequências de seus atos. A luta da comunidade LGBTQIAP+ continuará. Por elas, inclusive.



3 de ago de 2017

Mudanças aqui e ali

Bem, o artigo de hoje não é nada de demais. Fiz algumas mudanças nesse humilde espaço. Troquei o fundo e coloquei esse novo cabeçalho super ultra mega extravagante hahaha. Na verdade era apenas um teste, no fim gostei e decidi deixar.

Pessoas, em meio a essas mudanças, peguei um momento para analisar toda minha trajetória. 

Primeiramente, fico besta em perceber que logo serão 3 anos de blog. Então estou há 3 anos escrevendo artigos todo mês, geralmente dois numa semana. Isso é muita coisa!!! 'o'

Segundamente, percebi o quanto cresci, o quanto fui melhorando no conteúdo. Preciso melhorar mais, não estou satisfeito. Mas posso me alegrar e dizer que consegui criar algo muito bom aqui.

Continuarei firme aqui, trazendo uma variedade de assunto sem perder foco nas militâncias e ativismos sociais. Tudo isso é parte de mim agora.

Sobre as mudanças, decidi agora adotar mais a sigla LGBTQIAP+ do que LGBT ou LGBT+ (a que eu estava me acostumando). Preciso expandir mais meus horizontes e abordar mais sobre toda a comunidade. Não que eu já não tenha falado sobre os grupos fora da sigla oficial (ainda é LGBT), mas agora mostrarei apoio maior.

Acham a sigla extensa? Sem problema, podem ler como LGBT. Ou melhor, posso até explicá-la. Mas mesmo LGBT+ não estava, a meu ver, representando todas as identidades que deveria representar. Claro que será uma mudança gradativa. Ainda me apresentarei pessoalmente como LGBT, para melhor compreensão das outras pessoas. Mas a mudança é necessária.

Outra coisa, os termos que costumo utilizar vão mudar. LGBTfobia é uma palavra que vou excluir, pois não inclui toda a comunidade (embora eu usasse sempre pensando em todxs). Os preconceitos, como homofobia, transfobia, etc serão substituídos por heteronormatividade, cisnormatividade etc, principalmente quando o contexto do artigo for mais político.

Sempre me identifiquei com as ideias de esquerda. Porém, no cenário atual e após muita reflexão, não estou mais querendo utilizar o "rótulo" de esquerdista. Agora me apresentarei como progressista, apoiarei medidas que acredito que visem o progresso social e político. Continuo sendo contrário ao lado conservador e reacionário.

Podem talvez parecer atitudes pouco relevantes, mas até mesmo pequenas mudanças são importantes para nos direcionar a maiores mudanças. E eu quero mudar um pouco como me expresso e como faço minha militância. Por hoje é só isso.

Beijos coloridos!



30 de jul de 2017

Sessão Yaoi (Séries)

(Atenção: esse post não é para menores de 18 anos!)
(Nota: esse aviso não serve de nada, é só uma questão burocrática)










27 de jul de 2017

Confissões

Sempre nos sentimos diferentes desde criança. E assim nos sentimos porque assim somos. Cientes mesmo antes de entender o significado da palavra diferença que somos um pontinho colorido num mar de preto e branco.

Dificilmente você encontrará outra pessoa colorida que não fingiu fazer parte do preto-e-branco. Porque sabemos que somos diferentes. E, de alguma forma, associamos o que é diferente com o que é errado. Como se tivéssemos nascido com algum defeito.

A dúvida, o receio e o medo crescem com a idade. A família não pode saber! Os amigos também não! Ninguém entenderá! Não temos alguém para nos iluminar, alguma referência. Sozinhos...

O passado nos persegue. Aquele passado que gritava na mente: "se esconda", "é errado ser assim", "não se exponha tanto", "você é estranho". Muitos de nós ainda têm vergonha de falar sobre o que somos e sentimos.

Toda a repressão a que somos submetidos ainda nos marca, como se fosse ferro quente aplicado na pele. Se você vier de família religiosa, puts, pior ainda! Eternamente um pecador.

Felizmente, e isso está mudando mais a cada dia, muitos de nós estão seguindo a luz. A luz que nos ensina que ser colorido é apenas uma das muitas formas de se viver a vida. Que nada tem de errado. Você é o que é, pronto. Qual o sentido de culpar-se por nascer assim?

Mesmo após essa longa viagem que é o processo de auto-aceitação, temos ferimentos adquiridos antes e ao longo do processo. Aquelas feridas da repressão, da culpa por ser o que a família não esperava, da raiva de ter tentado mudar e não ter conseguido.

Ainda hoje muitos de nós têm vergonha de falar da intimidade quando perguntam. Olham para os lados quando trocam carícias com alguém. Por reflexo escondem o gênero da pessoa e algumas informações num papo descontraído. São marcas tudo isso.

"Não sinta essas coisas", digo para mim mesmo todo dia. Errada é essa sociedade doente que quer determinar o que normal ou não. Deixe o ferimento cicatrizar e se tornar passado, um passado distante que não pode me atormentar.

Ser colorido é estar marcado. Ser colorido é precisar de força para se recuperar das marcas. Ser colorido é ter coragem e resistência contra aqueles que ainda querem nos marcar mais.

É difícil, sim. Mas lembre-se todo dia, toda hora: você não é o problema!



20 de jul de 2017

Pensamento do dia

Às vezes temos aquela vontade súbita e louca de fazer algo que normalmente não faríamos.

Pegar algum meio de transporte e sair pela cidade sem rumo. Vestir alguma roupa extravagante e ir em algum lugar. Comer alguma comida estranha. Pintar coisas pelas paredes da residência.

Acho que temos um pouco de loucura dentro de nós.

Ou o que chamamos de loucura talvez seja nada mais do que um aspecto natural nosso.

Mas não seria legal entrar numa sala de aula e fingir ser um professor substituto? Ou simular um tiroteio no meio da rua usando armas de tinta colorida? Já imaginou que incrível seria poder entrar numa casa aleatória e passar um dia lá?

Por que não fazemos essas loucuras? Falta de oportunidade ou por questões morais?

Já parou para se perguntar se você pudesse fazer loucuras, o que você faria?

Quanta gente não gostaria de assaltar uma loja e fugir da polícia? Ou ir num museu e brincar de estátua? Ou fugir para alguma mata e morar lá por um tempo?

Fico me perguntando se essas loucuras são alguma necessidade ou se são apenas reações a toda essa normalidade chata que nos cerca.

Vamos guardar nossas loucuras e continuar com a máscara de normais.



15 de jul de 2017

Representatividade importa!

Quando se fala em representatividade, há uma cobrança sobre a presença de certos grupos de pessoas que têm vivências e experiências específicas.

Até hoje uma boa parte das pessoas, até mesmo da comunidade LGBT+, têm dificuldade de entender o quanto necessitamos de mais representatividade na mídia e meios de comunicação. Apagar certos grupos é apagar uma série de questões sociais que precisam de atenção.

Essa semana teve a polêmica do comitê LGBT+ da Coca-Cola Brasil, que se diz um grupo de diversidade, mas é composto apenas por seis homens cis brancos de expressão masculina. A causa da polêmica foi unicamente a falta de representatividade de outros grupos, como LBTs, mulheres e pessoas negras.

Esse padrão masculino cisgênero branco se repete em tantos outros grupos que se dizem LGBTs, que dizem ser a face da diversidade que defendem. E quando isso é questionado é tudo "mimimi", desnecessário, politicamente correto, chatice pós-moderna, enfim, os mesmos discursos vindo de pessoas que, coincidentemente, são representadas por esse padrão.

Perceba como o padrão não pode ser questionado, mas a maioria não pensa no quanto é estranho falar da variedade humana apenas mostrando um grupo específico e majoritário.

Ninguém está dizendo que os homens cis brancos não são necessários, que devem sumir ou não podem ajudar na causa LGBT. Os homens em questão são gays e a voz deles têm valor. Mas cadê o resto do pessoal? Não apenas LBTs, mulheres e pessoas negras, mas também os gays afeminados, gordos, trans etc?

Se o grupo é sobre diversidade, no mínimo ele deve ter diversidade. Não é possível que na empresa só existam esses seis indivíduos! Algo está errado aí!

Qual é o problema de haver apenas homens cis brancos? Bem, são grupos socialmente privilegiados, logo possuem maior aceitabilidade e visibilidade por parte da população. Isso é muito problemático. E LBTs, mulheres e pessoas negras, estão precisando ter mais voz, pois são grupos minoritários e alvos de opressões não sofridas pelos outros citados.

O próprio comitê se contradisse quando afirmou representar a diversidade sexual. Se é LGBT+ (ainda adicionaram o +), então é um grupo de diversidade sexual, de gênero, de sexo e de afetividade! A própria sigla justifica isso!

Se vamos falar de diversidade, então vamos representar devidamente essa diversidade! Que apareçam outros gays, que apareçam lésbicas, bissexuais, transgêneros, intersexuais, assexuais, pansexuais, e quem mais tiver por aí! Novamente, cadê esse pessoal? Se não está na tal empresa comprometida com a diversidade, algo está muito errado...



12 de jul de 2017

Meu relato de cyberbullying

Faz um mês que fui alvo de centenas de ataques virtuais no Twitter, uma de minhas redes sociais. Isso já havia acontecido ano passado, mas foi um episódio de proporção bem menor. E pensar que o Twitter é reconhecido como a rede dxs LGBTs.

Felizmente foi algo que durou apenas um dia. Ainda assim foi um evento inédito para mim. O que me aconteceu não foi azar, foi na verdade uma pequena parcela do que muitas outras pessoas LGBTs passam diariamente nas redes sociais, principalmente figuras públicas.

No Twitter, particularmente falando, consigo enxergar uma grande sociedade LGBT. Talvez a maioria não seja militante/ativista, mas existe uma diversidade grande que se sente livre e segura no site. Porém, assim como no Facebook e até mesmo no Instagram, existe também um esgoto virtual onde ficam as pessoas preconceituosas e reacionárias. E eu presenciei um pouco desse esgoto.

Um perfil que se diz comediante compartilhou um tweet meu e ainda me atacando. Então além de eu ter sido atacado no perfil, também me atacaram em meu próprio perfil. Alguns chegaram a me atacar em outras postagens.

Esses perfis e figuras públicas que se dizem comediantes são aqueles que fazem discurso de ódio e perpetuam preconceitos através das """piadas""", sempre atacando minorias. Podem até vir com o papo de que "fazem piada com tudo", mas os alvos são sempre minorias. E o perfil em questão que apontei é um dos maiores que vi no Twitter e seu conteúdo é astronomicamente nojento.

E milhares de pessoas seguem essa página. O esgoto virtual é bem maior do que eu imaginava. E essa gente precisa ser combatida. Não são apenas ignorantes e leigos, são pessoas movidas a ódio e sem qualquer empatia pelo ser humano. Mas não se enganem: quando se unem para atacar, parecem poderosos e invencíveis, mas são tudo pessoas covardes e fracassadas. No fundo sabem que são lixos e escória da humanidade.

Não tenho sangue frio. Fiquei com muita raiva dessa gente. Naquele dia fiquei pensando em como seria ótimo para a humanidade se essas pessoas morressem, caíssem mortas no chão, desaparecessem do mundo. Ainda penso essas coisas às vezes.

Aguentei com firmeza com ataques e tomei providências. Claro que eu não ia deixar me atacarem o dia inteiro e por dias. Bloqueei a página e todos que me atacaram. Fiquei mais chocado em ver um gay que apoia a página e até mulheres, sendo que uma ainda compartilhou uma foto minha para debochar de mim.

Depois dei uma pesquisada pelo site e vi que outras pessoas já criticaram a maldita página. Algumas foram atacadas, mas por pouca gente. Eu fui um alvo bem maior. E sabem o motivo? Porque sou gay, porque sou militante LGBT+, porque sou empoderado, porque sou muito melhor que esses lixos que só sabem sujar ainda mais esse mundo.

Esse acontecimento me abalou por um dia, mas depois ressurgi muito mais forte. Ah, e um detalhe importante é que tive que aguentar tudo sozinho. Mesmo com milhares de seguidores, ninguém foi me apoia ou me defender. Silêncio total. Duvido que ninguém viu aquilo tudo acontecendo. Dias depois um outro usuário foi atacado por outro e dezenas de usuários foram imediatamente ajudá-lo. Explicação? Bem, eu tenho umas ideias, mas não vou expô-las.

De qualquer maneira, eu sobrevivi. Foram apenas palavras de ódio de centenas de pessoas, nada que pudesse me matar. Eu sou uma pessoa forte. Solitária, mas forte, mais do que eu imaginava. E isso tudo também reafirmou a importância de ser militante e lutar pelas causas sociais. 

Ódio tem que ser combatido. Eu não morri, mas há um grande número de pessoas que já tentaram ou cometeram suicídio por causa de ataques virtuais em massa. Infelizmente aqui no Brasil o cyberbullying não é tão levado a sério. Existem pouquíssimas delegacias específicas e as redes sociais se mostram na maioria das vezes incapazes de punir crimes virtuais de ódio. O próprio Twitter, a "rede social do arco-íris", não fez absolutamente nada.

Aliás, só para constar aqui, além das políticas e regras de conduta do Twitter não verem nada de errado em ataques preconceituosos e discursos de ódio, toda postagem denunciada desaparece apenas para você. Grande bosta! E se disserem que um perfil denunciado foi "bloqueado", não foi porcaria nenhuma.

O que nos resta? Abaixar a cabeça e aceitar? Não! Nós vamos lutar!

Vamos gritar, vamos discutir, vamos problematizar, vamos expor essas pessoas, vamos reafirmar nossas identidades, vamos conscientizar as pessoas que querem ouvir e mudar, vamos enfrentar o ódio e vamos também ser melhores que isso! Sim, vamos lotar as redes sociais de "mimimi"! 

Se estamos incomodando é porque algum efeito está tendo. O ódio dessas pessoas é uma reação - elas se sentem ameaçadas! Nossas lutas, ações e palavras ameaçam os sistemas opressivos e todos que vivem deles. Deixem que vomitem mais ódio e apodreçam por dentro. Nós ficaremos mais fortes. E nós podemos mudar o mundo.



6 de jul de 2017

Sistemas de opressão

Dentro das militâncias sociais esteve se falando muito sobre sistemas de opressão. Quando se fala que um determinado preconceito é estrutural, isso significa que ele se faz presente em todos os setores de uma sociedade, começando do topo - as instituições - até o cotidiano. 

O que origina e mantém os preconceitos são esses sistemas, que funcionam dividindo as pessoas, criando hierarquias entre elas, e sustentando essas diferenciações por diversos motivos, principalmente para ter controle e poder.

Com isso, temos as classes opressoras e as classes oprimidas. Embora pareçam termos um tanto pesados, eles estão dentro de um contexto histórico-social e não representam necessariamente todas as pessoas de determinada classe.

As classes opressoras seguem um ou mais sistemas de opressão, portanto são privilegiadas e são as maiores reprodutoras de um ou mais preconceitos. E as classes oprimidas são aquelas que estão fora de um ou mais sistemas de opressão, consequentemente sendo alvos de discriminação em vários níveis e formas. Como os sistemas são muito influentes e enraizados, as classes oprimidas também podem reproduzir preconceitos, até mesmo aqueles direcionados a elas.

Vou falar de forma resumida sobre os sistemas de opressão da atualidade:

Heteronormatividade: impõe o padrão heterossexual, mais especificamente, impõe que as pessoas sejam heterossexuais e aceitem o comportamento hétero como a única sexualidade válida e natural. Esse sistema é muito ligado à cisnormatividade, por isso acaba também impondo papéis de gênero. Por isso acho mais adequado chamar de heterocisnormatividade.

Cisnormatividade: impõe o padrão cisgênero e reforça padrões de aparência e comportamento de gênero. Ou seja, esse sistema determina que as pessoas devam se encaixar no padrão binário homem-mulher, aceitar o gênero imposto no nascimento de acordo com o sexo biológico, e que devem ter expressão de gênero "correta" (homem masculino/mulher feminina).

Diadismo: anormaliza a intersexualidade e exclui ou invisibiliza pessoas intersexuais. Está intimamente ligado com a cisnormatividade devido à imposição de gênero baseada na biologia, e por isso bebês intersexuais são submetidos a cirurgias genitais obrigatórias.

Amatonormatividade: determina que as pessoas devem sentir atração afetiva (ou romântica), que ela é essencial nas relações e que uma relação amorosa tem valor maior que outras (como amizade).

Exorsexismo: deslegitima os gêneros não-binários, reforçando que as pessoas só podem ser ou homens ou mulheres.

Patriarcado: coloca a classe homem como figura dominante e autoritária na sociedade. Trabalha em conjunto com a heterocisnormatividade, beneficiando muito mais os homens hétero-cis de expressão masculina. No entanto, homens de forma geral ainda se beneficiam com esse sistema.

Racismo: é toda opressão construída através de um processo histórico-social onde uma etnia tem dominância sobre outra etnia. O racismo mais comum e evidente é contra pessoas negras e mestiças e/ou descendentes de povos africanos.

Capacitismo: toda discriminação, exclusão e invalidação de pessoas com deficiência (PCDs).

Etarismo: discrimina uma faixa etária, sendo que o etarismo mais comum é contra pessoas idosas.

Elitismo: como vivemos em um mundo capitalista, pessoas de classe média e classe alta podem usufruir do capitalismo e ter ótimas condições de vida. Então além de receberem um status social, o elitismo discrimina pessoas de classe baixa e impede que elas não subam de classe ou não tenham as mesmas oportunidades que as outras classes.

Todos os sistemas abordados aqui estão presentes no mundo inteiro. Podem trabalhar em conjunto ou até mesmo separados. Por exemplo, embora a heterocisnormatividade oprima LGBTs em geral, a cisnormatividade pode ser praticada por pessoas cisgênero, sejam héteros, homos, bis etc.

Existem outras espécies de discriminação, como monogamismo (imposição das relações monogâmicas), monossexismo (ideia de que as pessoas só se atraem por um gênero) e xenofobia que circulam entre os sistemas ou pela sociedade através de origens culturais ou morais/religiosas.

Discutir sobre esses sistemas, questioná-los e trabalhar para sua desconstrução faz parte das lutas de todos os movimentos sociais. Mesmo as lutas sendo protagonizadas pelas classes oprimidas, as classes opressoras também podem fornecer muita ajuda. Todo preconceito deve ser combatido. Não é uma batalha ideológica ou partidária, é uma questão humana.



1 de jul de 2017

Você não é trouxa

Não é novidade textos por aí falando das nossas relações atuais, que são relações líquidas - elas surgem, fluem, e escorrem logo por algum ralo invisível. Não duram e somem como se nem tivessem existido.

Vocês têm uma ótima conversa, encontram afinidades, o interesse é recíproco. E então no dia seguinte sua mensagem é visualizada e ignorada ou a pessoa aos poucos se torna distante e de repente desaparece.

O mais apropriado é aguardar alguma reação, mesmo que você seja expert nesse tipo de situação e pensa que sabe o resultado. As pessoas têm vida fora do mundo virtual, lembre-se sempre disso.

Porém, o resultado foi o esperado: te descartaram. "Mas a conversa foi tão boa, teve sintonia, tínhamos coisas em comum! Por quê?! Fui trouxa de novo!!!"

E então sua mente fica martelando com perguntas como: "Falei algo de errado? Teve algo em mim que não gostou? Será que conheceu alguém mais interessante?"

Eu quero dizer a você que já passou ou está passando por isso: não se culpe. Não fique tentando explicar ou justificar esse tipo de atitude. Hoje em dia as pessoas estão tão perdidas e são tão inconstantes que o desinteresse nem precisa de motivo. Ele apenas surge.

Nessa era da modernidade tornou-se muito fácil a comunicação. E da mesma forma tornou-se muito fácil cortar contatos. Podemos nos livrar de alguém com o simples comando de excluir ou bloquear, cortamos a pessoa das redes sociais e/ou apagamos seu número, pronto, elx não existe mais.

Nos alienamos com toda essa facilidade. Desaprendemos como conversar e como criar vínculos com as pessoas. Muitas vezes conversamos sem nem saber ao certo o que queremos.

Essa é a realidade atual. É uma merda? Sim, é uma merda. Ficamos com raiva, ficamos tristes, nos isolamos, deitamos na cama ouvindo música melancólica, e olhamos no espelho dizendo "nunca mais vou confiar de novo". Não quero mais ser trouxa!!!

Você não é trouxa por mostrar interesse.
Você não é trouxa por se abrir.
Você não é trouxa por tentar manter o contato.
Você não é trouxa por desejar.
Você não é trouxa por ter criado alguma expectativa.
Você não é trouxa por estar se sentindo triste com o que aconteceu.

Ponha isso na sua cabeça: você não é trouxa por querer alguém, novas amizades, ficantes ou conhecer alguém para uma relação duradoura. Você não é trouxa por querer criar vínculos. Você é uma pessoa maravilhosa!

A razão e a emoção são dois aspectos humanos que estão dentro de nós. Use a razão! Ela é fria, mas é analítica e crítica, ela enxerga o que a emoção não enxerga, ela pode te consolar quando a emoção só te traz dor e frustração.

Priorize a sua saúde mental e emocional. Ninguém se preocupa mais com sua própria saúde do que você. Se a pessoa está te fazendo mal, livre-se dela sem receio ou culpa. Te descartou? Excelente! Não pense que você perdeu, pense que se livrou. Se a outra pessoa não soube valorizar seu conteúdo e o seu interesse, então é um favor que ela te faz desaparecendo.

Aprenda a ser feliz em sua própria companhia. Quer ir no cinema, mas não tem ninguém? Vá. Quer passear em algum lugar, mas não tem ninguém? Vá. Quer viajar? Vá. Quer ir numa balada? Vá. Você não precisa de companhia para se divertir. Tem companhia? Ótimo, divirta-se também.

E não pense em se vingar do mundo se tornando uma pessoa fria e desinteressada. Não se torne aquilo que te feriu. Se você sabe o quanto é horrível o desinteresse, não faça com as outras pessoas. Acha mesmo que vai ganhar alguma satisfação em se tornar mais um monstro no mundo?

As relações líquidas são um problema e devemos lidar sem nos degradarmos. E antes de construir relações sólidas com as pessoas, construa uma com você mesmx.



28 de jun de 2017

Livro: Over The Rainbow - um livro de contos de fadxs


Fiquei um pouco curioso quando descobri sobre essa obra escrita por cinco figuras LGBTs nacionais: Milly Lacombe, Renato Plotegher Jr., Eduardo Bressanim, Maicon Santini e Lorelay Fox. Cada uma escreveu uma recontagem de algum conto infanto-juvenil clássico sob uma perspectiva LGBT e mais adulta e urbana.

O livro é composto por cinco histórias. Cinderela, cuja protagonista é uma jovem lésbica apaixonada pela meia-irmã; João e Maria, que conta sobre um irmão e uma irmã homossexuais que enfrentam uma fanática religiosa; A Bela e a Fera, um romance entre um homem rico e descrente sobre o amor com um jovem jardineiro; Rapunzel, que é sobre um jovem que vive um romance e tem uma família intolerante; e Branca de Neve, a história de uma jovem trans abandonada pela madrasta e acolhida por sete travestis.

As histórias mantiveram semelhanças com os contos originais, retrataram bem questões presentes na vida de LGBTs (descoberta, aceitação, família, preconceito, etc), e tiveram uma ótima representatividade lésbica e trans. Muitas pessoas poderão se encontrar nos protagonistas e nas situações. As minhas críticas quanto o livro são a falta de representatividade de outros grupos, acontecimentos surreais e romances precoces. Acho que podiam ter ousado um pouco mais. Tirando essas falhas, considero o livro como uma ótima obra LGBT do Brasil e uma boa referência para leitores LGBTs do país. Espero também que seja inspiração para futuras obras melhores e representativas.

Para quem se interessar, minha resenha no site Skoob (com spoilers!): www.skoob.com.br/estante/resenhas/1342530/



22 de jun de 2017

Parada LGBT 2017

"Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei. Todas e todos por um Estado laico."

Essa foi a máxima do tema da Parada LGBT de 2017.


Optei por não ir nessa Parada. Mas tive a oportunidade de ter um contato maior com a APOGLBT, a organização da Parada LGBT no Brasil. Mês passado fui no Ciclo de Debates promovido pelo grupo e tive um conhecimento maior sobre como a Parada é organizada.

Esse ano o tema foi Estado Laico. O que é muito pertinente em relação ao nosso quadro político atual; a bancada evangélica no Congresso é uma constante ameaça aos direitos de minorias sociais e ao progresso do país.

A Parada LGBT é um evento cultural e uma manifestação político-social. A festa desse ano prometeu muita cor e muita música. Tivemos a presença de Anitta, Pabllo Vittar, Daniela Mercury e Leandra Leal. E foi prometido um número maior de participantes do que na Parada anterior. O clima também favoreceu o evento.

(Uma faixa com a primeira bandeira LGBT)

Certas marcas decidiram oferecer patrocínio, entre elas Doritos e Skol. Descobri que parte do dinheiro arrecadado na Parada foi revertido para instituições como a Casa 1, que acolhe LGBTs em situação de rua.

No entanto, ainda devo questionar toda empresa grande que decide mostrar apoio a causa LGBT e fazer discurso de inclusão. Colocar arco-íris em seus produtos e dizer umas palavras bonitas são atitudes até positivas para a causa. Mas essas mesmas empresas estão garantindo também empregabilidade de LGBTs, especialmente para transexuais, travestis, e todo grupo da periferia?

Não devemos deixar que usem a causa LGBT como um recurso para apenas conseguir dinheiro e criar uma boa imagem. Isso é desonesto. Patrocinar é algo fácil de fazer. O que a comunidade LGBT+ mais necessita de empresas grandes e ricas é de empregabilidade. Espero que as empresas que coloriram seus produtos esse ano tenham isso em mente.

Quero ressaltar que não importa quantas críticas eu faça, sempre apoiarei a existência da Parada LGBT. Ela é uma conquista da comunidade LGBT+ e como tal deve ser mantida. As falhas e a visibilidade mais G que LGBT+ que aponto antecedem a ela.

Por hoje a festa acabou, mas nossa luta não.



17 de jun de 2017

Bi - Poli - Pan

Há muito tempo escrevi um artigo sobre a diferença de bissexualidade e pansexualidade. Escrevi dentro da minha compreensão e dentro dos conceitos daquele tempo. Decidi agora reiterar sobre o que escrevi antes e fazer uma abordagem melhor sobre essas identidades.

A bissexualidade originalmente era definida como a atração pelos gêneros binários, homem e mulher, os gêneros mais predominantes. E preciso ressaltar que a atração sempre se estendeu a homens e mulheres tanto cisgênero quanto transgênero.

Atualmente, embora o conceito original ainda é usado por muita gente bi, outras pessoas reivindicaram o significado do termo.

- não faz muito tempo que algumas pessoas, através do prefixo bi (dois), definiram como atração sexual por dois gêneros, não necessariamente um gênero diferente e o mesmo gênero.
- mais recentemente o conceito mudou para atração por mais de um gênero, que pode se estender para o mesmo gênero, gêneros similares ou gêneros diferentes. Então a bissexualidade de alguém pode incluir gêneros não-binários.

Cada percepção de bissexualidade deve ser respeitada, afinal, ninguém tem o direito de interferir na identificação sexual das pessoas. A maioria das pessoas bissexuais ainda está dentro do conceito original.

A pansexualidade foi inicialmente definida como a atração por todos os gêneros. Porém, é mais adequado dizer atração independente de gêneros e sexos. Além disso, é improvável que alguém pansexual tenha tido contato com todos os gêneros possíveis.

A polissexualidade existe entre os conceitos de bi e pan. Já foi definida como atração por três gêneros ou mais, mas o conceito mais usado é atração por muitos gêneros, mas nem todos.

As três identidades sexuais possuem suas semelhanças e peculiaridades, além de estarem dentro de um espectro mais fluído e múltiplo da sexualidade humana. Uma categoria genérica que pode ser usada para elas é multi(sexualidade).

De maneira nenhuma uma identidade deve diminuir a outra ou interferir em suas pautas sociais. A bissexualidade é válida, assim como a pansexualidade e a polissexualidade. Enquanto bissexuais ainda reafirmam a capacidade de relacionar-se com mais de um gênero, pansexuais (e polissexuais) surgiram com uma posição mais inclusiva (no caso, com gêneros não-binários), desafiando nossa visão binária inicial da sexualidade.

Negar a existência de polissexuais e pansexuais é, consequentemente, uma atitude transfóbica, pois está deslegitimando gêneros não-binários.

Não devemos ficar policiando a identidade sexual alheia. Se a pessoa diz ser bi, ela é bi. Se diz ser pan, ela é pan. Se ela preferir não usar um rótulo, também é direito dela. Existe até o termo pomossexual utilizado para pessoas que preferem não definir sua orientação sexual ou que não conseguem defini-la.

Devemos respeitar a diversidade de identidades. Todas podem coexistir e todas ainda enfrentam alguma discriminação. E sim, todas fazem parte da comunidade LGBT+.

(Bandeira bissexual)

(Bandeira pansexual)

(Bandeira polissexual)



14 de jun de 2017

Pensamento do dia

Cada pessoa é um grande livro, uma letra de música, uma série ainda em continuidade, um mundo para ser descoberto, um templo ainda em construção.

Quando estão vivas, são imagens em constante movimento, que podem nos dizer muito ou pouco. Podemos só observar ou interagir. Sempre da nossa perspectiva.

Quando estão mortas, são ecos do passado que podemos ouvir ou não. Quando ouvimos, não é certeza de que estamos ouvindo toda a verdade, afinal os mortos não contam sobre sua vida.

Elas podem deixar parentes, amizades, autobiografias e registros de suas ações em vida. Sempre usaremos tudo isso para julgá-la, seja para o bem ou para o mal.

Mas é possível conhecer a pessoa totalmente? Conhecer até aquilo que ela não fala?

Entre pequenas verdades, meias-verdades, mentiras e perspectivas diferentes, nunca saberemos a total e grande verdade sobre as pessoas. Só elas podem sabê-la. Só elas a possuem.

Somos donos de nossas verdades. Tão donos que não podemos revelá-las.

"Ninguém nunca saberá."

Vivas ou mortas, o que vemos, ouvimos e sabemos das pessoas é apenas uma ponta de um iceberg. Tudo que está mais oculto, na parte mais profunda, não podemos alcançar.

Talvez possamos nos entender sem precisar chegar nessa profundidade proibida. Talvez nunca precisemos cruzar essa linha, se for possível.

Mas temos sempre aquela curiosidade...

"O que essa pessoa está escondendo?"

Nunca saberemos.



11 de jun de 2017

Divulgação: canais LGBTs

O artigo de hoje será apenas para divulgações de canais onde você poderá encontrar produções de longa ou curta-metragem focadas no Universo LGBT.



Canal Brasil - Orgulho LGBT

Seção especial do Canal Brasil com filmes e curta-metragens de temática LGBT.


A Liga Gay

Seção do site com notícias e links de algumas produções cinematográficos de temática LGBT.


Canal das Bee

Um canal mais voltado à militância, abordando principalmente sobre o mundo LGBT, mas fazendo intersecções com outros grupos (principalmente mulheres e negros).


Põe na Roda

Famoso canal mais voltado ao público gay. O canal tem um foco maior em entretenimento e a vida gay, mas ocasionalmente aborda sobre as outras classes da comunidade LGBT+.


Mandy Candy

Canal protagonizado por Mandy, uma mulher transexual. Seu conteúdo é voltado ao entretenimento e sobre seu cotidiano.


Chá dos 5

Cinco gays abordando uma diversidade de assuntos, indo do entretenimento até críticas e explicações sobre o Universo LGBT.


Para Tudo

Lorelay Fox, uma famosa drag queen brasileira, traz conteúdo sobre sua vida, drag queens e sobre pessoas trans e travestis.


Sapatômica

Reconhecido como o maior canal lésbico brasileiro. Lá aborda-se temas voltados ao mundo lésbico e temas atuais da juventude.


Muro Pequeno

Apresentado pelo Murilo, um gay negro e nordestino. Seu conteúdo é mais focado no mundo gay-negro, mas ocasionalmente aborda sobre feminismo e direitos trans.

https://www.youtube.com/channel/UCnQvEAzKAnc5lz0h6qwPL-w

Kaito Felipe

Kaito é um rapaz transexual que aborda muito sobre o mundo trans e suas vivências.

https://www.youtube.com/user/wowHyuk

Ariel Modara

Ariel fala muito sobre sua vivência como homem trans e fala sobre alguns assuntos do cotidiano.

https://www.youtube.com/channel/UCFTIDQwgbBp3Si0Azd2lFKQ

Cup

Cup fala sobre muitos assuntos dentro da comunidade LGBT+, falando também um pouco sobre sua vida e cotidiano.


Hugo Nasck

Hugo é uma pessoa não-binária que fala sobre diversos temas LGBTs e também sobre suas vivências.


Bixa Melhore

Canal de humor e entretenimento mais voltado ao público gay.


Fora da Casinha

Um canal voltado ao público gay.

https://www.youtube.com/channel/UCKv5jxFD9Mn8lxmxbLj8iPw

Eu Leio LGBT

Canal com foco em livros e produção artísticas (filmes e teatro) de temática LGBT.

https://www.youtube.com/channel/UC6REGlGpMR_P4ym6A2vw09w



Confiram e ajudem na divulgação! Dar visibilidade para canais LGBTs brasileiros é importante para o público LGBT+ e para espalhar informações sobre a comunidade, além de ajudar esses canais.



3 de jun de 2017

Bonzinho

Tenho que ser sempre o bonzinho. Tenho que ser o paciente, o tolerante, o pacifista, o racional, o resistente, aquele que releva, aquele que explica, aquele que sorri e deixa passar.

Estou numa civilização (acho que eu deveria ter colocado em aspas) que me aponta o dedo. Ri de mim, faz piada, me xinga pelas costas, me xinga pela frente, se puder até me joga algo na rua.

Mas eu aguento tudo isso. Afinal, sou o bonzinho.

A família vai me questionar, me vigiar, ou talvez ser indiferente, pois sou um caso perdido. O ciclo de amizades vai abaixar, isso faz parte. Vou sair e ser julgado de todas as formas onde quer que eu vá; as pessoas são assim, sempre foram.

Mas nem por isso vou gritar, rolar no chão, ou ter um ataque. Afinal, sou o bonzinho.

Tá bom, ninguém nasce sabendo. Nossa sociedade injeta preconceito nas crianças por todos os lados. Vou ouvir besteiras. Vou ver minha perspectiva sendo menosprezada. Meus relatos de vivência podem ser tratados com indiferença ou como vitimismo. E, ainda assim, tenho que dar tempo ao tempo, respirar fundo, e falar, discursar, para abrir a mente alheia.

E eu faço tudo isso porque sou bonzinho.

Meu amiguinho hétero-cis insistiu numa desinformação que eu, repetidas vezes, refutei. Sei do que estou falando! Eu tenho uma visão de vida diferente! Então me irrito e agora sou o radical, o agressivo, o que berra por pouca coisa.

Não consegui ser bonzinho dessa vez.

O amiguinho percebe seu erro e se desculpa comigo. Tudo bem. Está tudo bem! Tudo resolvido. Ele falou merda, refletiu, e admitiu seu erro. Missão cumprida, né?

Agora ele retoma sua vida repleta de privilégios e eu volto a ser o bonzinho. Eu e tantos outros por aí. Ele é sempre privilegiado. E eu, bem, tenho que ser o que devo ser: bonzinho. Bonzinho sempre, mesmo quando me batem ou até tentam me matar.

Até quando terei que ser o bonzinho? Às vezes cansa.



31 de mai de 2017

Sessão Yaoi (Games)

(Atenção: esse post não é para menores de 18 anos!)
(Nota: esse aviso não serve de nada, é só uma questão burocrática)















27 de mai de 2017

16º Ciclo de Debates LGBT

Essa semana ocorreu o evento 16º Ciclo de Debates LGBT promovido pelo grupo APOGLBT SP, a organização responsável pela Parada LGBT do Brasil. Todo ano antes da Parada o grupo promove cinco dias seguidos de debates com temas variados.

Vou apenas narrar resumidamente o que aconteceu, sobre os palestrantes e os assuntos abordados em cada dia:

Primeiro dia (22/5) - Tema: Estado Laico (tema da Parada LGBT 2017)

Os três palestrantes discutiram sobre a interferência e influência da religião - o cristianismo - no Estado e discriminação de crenças africanas. O primeiro palestrante, um evangélico, falou sobre o processo dos neopentecostais até os dias atuais. O segundo palestrante focou mais no legislativo e comentou sobre a bancada evangélica. E o terceiro palestrante, um pai de santo transexual, abordou mais a intolerância religiosa.

Segundo dia (23/5) - Tema: Violência contra a mulher LBTT - Mulheres vítimas de intolerância religiosa, racismo, misoginia, bullying e machismo

As quatro palestrantes, entre elas a vereadora Soninha e a transativista Viviany Beleboni, falaram sobre a mulher branca, negra, lésbica, bissexual e trans na sociedade atual. Soninha falou sobre o machismo no meio profissional. Viviany abordou sobre as transexuais e travestis, transfobia, violência e apagamento no meio LGBT. A terceira palestrante, uma moça bissexual, falou sobre o processo da mulher de se inserir na sociedade, buscando a igualdade de gênero. E a quarta palestrante, uma moça lésbica e a única negra, dissertou muito sobre lesbofobia e racismo, LGBTs da periferia, e o apagamento na sociedade e no meio LGBT.

Terceiro dia (24/5) - Tema: Jovens; Sexualidade e Prevenção

O grupo convidado fez uma palestra mais interativa. Foram citadas diversas práticas sexuais e foi discutido quais delas possuem riscos variados ou não de transmissão de DSTs. E, com isso, prevenções e tratamentos foram apontados por profissionais da área. Houve um foco em HIV nas discussões.

Quarto dia (25/5) - Tema: Família, crianças transgêneros, adoção e terceira idade

As pessoas convidadas foram: três mulheres cis, uma mulher trans e um homem cis. Duas mulheres cis, mães de pessoas trans (uma de uma moça e outra de um rapaz) relataram a descoberta da transexualidade dos filhos e o que aprenderam. O palestrante é casado com outro homem, e juntos adotaram um menino. Então relatou o processo e a burocracia da adoção no Brasil. A mulher trans, que adotou dois meninos cis (um é deficiente) e uma menina trans, relatou a vivência pessoal e com a família transafetiva. E a terceira mulher cis, uma senhora lésbica, falou sobre discriminação etarista na sociedade e no meio LGBT, e até trouxe a companheira com que está junta há 22 anos.

Quinto dia (26/5) - Tema: Empregabilidade e empoderamento LGBT da Pessoa com Deficiência (PCD)

O grupo palestrante era composto de três mulheres deficientes (duas cis e uma trans) e dois homens cis. A primeira mulher a falar, uma hétero-cis cadeirante, relatou sua vivência e abordou a sexualidade de PCDs e a discriminação e tabus sobre isso. A segunda, uma hétero-trans cadeirante, também relatou sua vivência, combinando o mundo das PCDs e das transexuais. O primeiro homem falou sobre LGBTs no mercado de trabalho e empregabilidade. A terceira mulher, bissexual-cis, dissertou sobre PCDs desde tempos remotos e suas pautas, além de contar sua vivência. E o segundo homem ressaltou sobre sexualidade de PCDs e suas pautas.

Como meu primeiro Ciclo de Debates, devo dizer que estou impressionado e fascinado com os ensinamentos de cada dia. Eu aprendi, eu refleti, eu mudei! Embora eu tivesse uma ideia de todos os assuntos, os debates ampliaram minha visão de todos. E com todo esse conhecimento adquirido, farei mais discussões sobre esses temas (só não faço aqui para não ficar um artigo quilométrico).

Cada dia de debate teve sua força, sua mensagem, sua reflexão. Entretanto, preciso fazer três notas, pontos que de alguma forma me sacudiram por dentro:

1- A cobrança por representatividade feita no segundo, terceiro e quinto dias. No segundo dia, foi cobrada pelas lésbicas e LGBTs da periferia. No terceiro, pelos soropositivos. E no quinto, pelas PCDs. Assim como a APOGLBT foi devidamente cobrada, eu me senti cobrado enquanto o militante que digo ser.

2- A experiência do quarto dia foi simplesmente fantástica! A família transafetiva de uma palestrante foi a estrela da palestra. Fantástica! E empoderada! O símbolo do rompimento do conservadorismo e da "família tradicional" (que continuará existindo, relaxem).

3- Assim como a palestra do dia anterior, o quinto dia promoveu um debate rico e empoderador de um grupo ainda muito discriminado. Falar de PCDs ainda é um tabu. Falar de PCDs LGBTs, mais ainda. As três mulheres brilharam, cada uma com sua cor e intensidade.

Estarei aguardando com êxtase o próximo Ciclo de Debates LGBT 🌈.



24 de mai de 2017

Eu e o futebol

Nunca parei para falar aqui da minha relação com os esportes - o futebol, em particular. Desde criança tive que lidar com o fato de não ser fã do esporte. Não foi uma característica que me trouxe discriminação, e sim mais uma sensação de ser diferente da maioria.

Vivo com minha tia desde sempre, uma torcedora do São Paulo. E ela me instigava a dizer que era meu time também. Eu era criança, crianças são bobas, repetimos o que nos mandam para agradar, então até certa idade eu me dizia são-paulino. Nunca assisti um jogo do São Paulo.

Sinceramente, nunca consegui entender essa necessidade do povo brasileiro de assistir jogos, de torcer pra algum time, e de falar tanto num assunto que, convenhamos, nem tem conteúdo. Acho que foi perto da puberdade que me assumi "sem time". Felizmente, nunca fui discriminado por isso, nem pelos outros garotos e nem por adultos. Há quem relate isso.

E mesmo assim eu sempre senti uma cobrança silenciosa através do convívio familiar e escolar de ser fã do esporte. Talvez fosse uma parte de mim querendo ser aceita, o que é normal numa criança.

Nas aulas de Educação Física eu evitava ao máximo as partidas. Eu detestava tudo: a agressividade dos meus colegas, a exaltação do esporte como "coisa de homem", a bola, enfim. Nunca me senti à vontade para jogar. E ninguém fazia questão de entender.

O que tem de opressivo no futebol? Além da possibilidade de levar boladas e rasteiras, nada. O real problema é a tradição masculina que acompanha o futebol. Pois a mesma tradição é machista e heterocisnormativa.

O futebol é o esporte dos machos. Assim foi estipulado pelo patriarcado. Homem que é homem joga bola. E numa partida os homens têm que expor toda sua virilidade, mesmo que isso inclua xingamentos e agressões (é coisa de homem, né).

Essa natureza nociva patriarcal que persegue o esporte é o que causa desconforto entre meninos, rapazes e adultos que não aceitam esse padrão de ser homem. O grupo que mais acaba rejeitando o esporte são os gays. Mas não é incomum jovens héteros fazerem o mesmo (podendo aceitar o esporte mais para socializar do que por paixão).

Atualmente o futebol não é mais propriedade exclusiva do macho hétero-cis. Existem times femininos, jogadores gays não são mais novidade, torcidas grandes estiveram se pronunciando contra homofobia, e em 2015 foi fundado um time composto majoritariamente por gays - o Unicorns Futebol Clube.

No entanto, o futebol, em geral, ainda é hostil com os homens que não se encaixam perfeitamente nas normas de comportamento do patriarcado. E o maior alvo ainda são os gays.

O machismo e a homofobia estão nos xingamentos entre as torcidas. Jogadores do time do São Paulo ainda são chamados de "bambis", que é um termo de caráter homofóbico. A feminilidade é usada como ofensa, depreciativa. O preconceito no futebol, um esporte tão popular, só perpetua a discriminação na sociedade.

Se ainda duvida da homofobia no futebol brasileiro, o jogador Richarlyson foi rechaçado mesmo antes de assumir sua homossexualidade. Enquanto o goleiro Bruno, um assassino, foi solto e recebido com abraços e fotos.

Nós que rejeitamos o futebol, principalmente gays, não fazemos isso por nos sentirmos "menos homens" para o esporte, e sim porque esse meio esportivo (junto com a sociedade) exige que sejamos um tipo de homem que não queremos ser. O problema não é o esporte, e sim o grupo que predomina sobre ele.

Esportes deveriam ser para todos, deveriam ser ambientes acolhedores. O esporte não deve servir para "fazer homens", e sim fazer pessoas unidas e saudáveis. O dia que eu contemplar essa realidade, talvez eu me sinta à vontade para jogar uma partida.

Permaneço sem torcer para algum time. Só torço por mim mesmo, pelo causa LGBT e pelo progresso da humanidade e do mundo.



20 de mai de 2017

Como não apoiar LGBTs

Esse artigo foi feito para as pessoas hétero-cis que fazem parte (ou dizem fazer parte) da aliança, isto é, do lado que apoia a causa LGBT, ajudando no combate ao preconceito.

Não levem para o lado pessoal o que direi aqui. Os movimentos sociais apreciam gente aliada. Mas às vezes esse apoio é mostrado de uma maneira... errada. Somos todos humanos, humanos falham. Por isso vou comentar uns erros comuns da parte aliada.

Eu sei que o ser humano, por natureza, quer estar sempre certo e não aceita bem ser corrigido. Mas quando uma pessoa LGBT te dá um toque sobre algo que você falou ou fez, engole o orgulho e escute-a.

Não estou dizendo para apenas aceitar tudo que te falarem. Podemos abrir uma discussão pacífica sobre o assunto. Mas aprenda a ouvir. Não ficamos repreendendo as pessoas por qualquer coisinha e vivemos uma realidade diferente, logo sob uma perspectiva diferente.

Tem alguma dúvida? Pergunte. Não tem certeza do que está falando? Pergunte. Se não quiser perguntar, pesquisar na Internet é uma alternativa válida.

Algumas vezes vocês, no ímpeto de mostrarem seus espíritos humanitários, falam de igualdade da maneira errada, no momento errado. O discurso "somos todos iguais" é bonitinho. Menos quando apaga uma discussão necessária à respeito de alguma desigualdade.

Sério, se você for numa notícia ou postagem sobre direitos LGBTs, não venha com flores e arco-íris dizendo que somos todos iguais, sendo que na prática isso não está acontecendo. O que está sendo dito precisa ser dito. Não corte o discurso.

Vocês também acabam cometendo o erro de nos tratar com uma exclusividade que não queremos e nem precisamos. No fim somos apenas pessoas assim como vocês. Não precisam paparicar a gente. E não precisam tocar em temas LGBTs com frequência só para nos agradar.

E cuidado para não nos tratar como "mascotes". Esse aviso vai especialmente para mulheres hétero-cis com gays. Não viemos para esse mundo para sermos seus amiguinhos e confidentes. E não somos todos especialistas em moda e garotos. E para o resto, ter amizade com LGBTs não é certificado de isenção de preconceito.

Como já falei, somos gente como todo o resto. Nem todos os gays são iguais, nem todas as lésbicas são iguais, e assim por diante. Não falem que não parecemos ser algo, não deduzam o que gostamos ou não, e não venham com perguntas inconvenientes sobre nossa vida íntima.

Agora o grupo de aliados religiosos, especificamente os cristãos. Tá, eu entendi que Jesus ensinou a amar, a não julgar, a não discriminar. Ótimo isso! Lindo, maravilhoso, perfeito, supimpa. Mas não fale para LGBTs: "Jesus andava entre os pecadores". Nos chamar de pecadores é um imenso desserviço. Mostrar apoio enquanto nos rebaixa é como morder e assoprar.

Faço agora um apelo pessoal: parem de falar em bunda ou sexo anal quando nos defendem! Ser LGBT é muito mais que isso. E nem todx LGBT faz esse tipo de sexo. Nem todos os gays têm essa relação! Parem, só parem.

Se você quer mesmo apoiar a causa LGBT, ao menos aprenda um pouco sobre a diversidade, sobre os diversos grupos que existem. LGBT não é sinônimo de gay. Bissexuais não são "meio-gays". Transexuais podem ou não ser gays. As diferenciações são importantes tanto pelas identidades quanto pelas pautas de cada grupo - sim, os preconceitos têm suas diferenças.

Vale ressaltar que toda ideia defendida aqui pode ser aplicada também para os demais movimentos sociais. Toda forma de apoio às causas é bem-vinda. Por isso aprenda a ouvir, refletir e apoiar de verdade.



13 de mai de 2017

Terminologia T

A comunidade transgênero trouxe, junto com sua luta por seus direitos, muitos debates questionando as imposições e noções de gênero. Desde a formação do movimento LGBT, pessoas trans combatem ativamente um sistema cisnormativo (que está na sociedade, na medicina e nas religiões) que nega suas identidades.

Militantes e ativistas reuniram-se e, utilizando-se de suas vivências e perspectivas, formaram um conjunto de termos utilizados dentro da comunidade transgênero. Termos que também auxiliam na luta e na desconstrução do sistema discriminatório em que vivemos.

Obs: alguns podem estar em desuso atualmente



Identidade de gênero: é o gênero com o qual a pessoa se identifica.
Expressão de gênero: é o comportamento da pessoa, que independe de seu gênero. É composta pelos gestos, aparência e vestimenta. Pode ser feminina, masculina, andrógina, neutra ou variada.
Sexo biológico: é a genitália de uma pessoa, que pode ser, dentro dos conceitos científicos, do sexo feminino, do masculino, ou intersexo. O gênero das pessoas é socialmente definido pelos sexos ou pela anatomia/cromossomos sexuais no caso de intersexos.
Gênero binário: é um gênero que pertence ao padrão social: homem-mulher, seja a pessoa cis ou trans. É um padrão presente na maior parte do mundo e um conceito ocidental.
Gênero não-binário: todo gênero fora do padrão social. Mais especificamente, toda identidade que não é nem (totalmente) homem e nem (totalmente) mulher.
Cis: termo genérico para cisgêneros e cissexuais.
Cisgênero: pessoa que vivencia a cisgeneridade - que tem uma identidade de gênero de acordo com o gênero imposto no nascimento. Toda pessoa cisgênero é também cissexual, pois está de acordo com sua genitália.
Trans: termo genérico para transgêneros e transexuais.
Transgênero: pessoa que vivencia a transgeneridade - que tem uma identidade de gênero que não está de acordo com as normas sociais ou o gênero imposto no nascimento. Pessoas transgênero podem ser cissexuais ou transexuais.
Transexual: pessoa que vivencia a transexualidade, que é a condição em que a pessoa não se identifica com sua anatomia e sente necessidade de modificar seu corpo, para assim poder refletir sua autoimagem. Transexuais podem ser de gênero binário ou não-binário e de qualquer sexualidade.
Transição: representa o tempo em que a pessoa trans passa a se adequar ao seu gênero, deixando de viver como no gênero imposto. Pode incluir ou não o processo gradual em que a pessoa modifica seu corpo através de hormonização e/ou procedimentos cirúrgicos (mastectomia, próteses, implantes, transgenitalização).
Cirurgia de redesignação sexual: ou também transgenitalização, é todo o processo científico realizado para alterar a genitália de uma pessoa trans. Antigamente chamada de "cirurgia de mudança sexo" (não se chama mais assim). Nem toda pessoa trans tem vontade de fazer a cirurgia.
Nome social: é o nome pelo qual a pessoa trans deve ser atendida, pois é o nome que a mesma escolheu para sua identificação. Deve ser respeitado!
Transfobia: qualquer tipo de discriminação contra pessoas trans. Inclui: discurso de ódio, agressão física, negação de direitos ou da identidade da pessoa, hiper-sexualização, e silenciamento.
Cisnormatividade: basicamente representa toda ideia de que o gênero é definido pelo sexo biológico. Toda imposição de gênero é essencialmente cisnormativa, assim como a discriminação contra a comunidade trans.
Binarismo: é a ideia de que as pessoas se separam apenas em homem-sexo masculino e mulher-sexo feminino. Está dentro da cisnormatividade.
FTM (female to male): uma possível tradução seria "de mulher para homem". Um termo usado para homens transexuais.
MTF (male to female): "de homem para mulher". Usado para mulheres transexuais.
*Obs: ambos os termos são controversos para militantes e transativistas, pois reforçam a ideia de que transexuais nascem de um sexo e mudam para outro. Esses grupos defendem que sexo biológico é uma construção social.
AFAB (assigned female at birth): "designadx mulher no nascimento", termo referente às pessoas transgênero que nasceram do sexo feminino. É mais usado por homens trans, mas pode ser usado por qualquer pessoa transgênero que não seja mulher.
AMAB (assigned male at birth): "designadx homem no nascimento", termo referente às pessoas transgênero que nasceram do sexo masculino. É mais usado por mulheres trans, mas também pode ser usado por qualquer pessoa transgênero que não seja homem.
Pessoa ovariada: um termo mais formal e acadêmico para se referir às pessoas que possuem sistema reprodutor (ou genital) ovariano, que dentro da biologia atual é chamado de sexo feminino ou também fêmea típica. O conceito é usado para evitar encaixar as pessoas em definições científicas que reforcem a cisnormatividade e o binarismo.
Pessoa testiculada: um termo mais formal e acadêmico para se referir às pessoas que possuem sistema reprodutor (ou genital) testicular, que dentro da biologia atual é chamado de sexo masculino ou também macho típico. O conceito é usado para evitar encaixar as pessoas em definições científicas que reforcem a cisnormatividade e o binarismo.
Crossdresser: uma pessoa que se veste com roupas tradicionalmente de outro gênero, podendo ser por alguma profissão ou para vivenciar temporariamente o outro gênero.
Drag queen: personagem que expressa artisticamente feminilidade no comportamento e na aparência. Pode ser interpretada por qualquer pessoa e não é uma identidade de gênero.
Drag king: personagem que expressa artisticamente masculinidade no comportamento e na aparência. Pode ser interpretado por qualquer pessoa e não é uma identidade de gênero.
Androginia: expressão e aparência que misturam características femininas e masculinas. Pessoas cis ou trans podem ser andróginas. Há pessoas transgênero que se identificam como andróginas.
Butch: expressão de gênero muito masculina de qualquer pessoa de um gênero que não seja masculino.
Femme: expressão de gênero muito feminina de qualquer pessoa de um gênero que não seja feminino.
Queer: originalmente um termo utilizado de forma pejorativa contra LGBTs. Depois foi reapropriado por militantes e ativistas do movimento LGBT. Pode ser usado como sinônimo de "gay" ou por uma pessoa cuja(s) identidade(s) estão fora dos padrões sociais.
Genderqueer: é um termo amplo e de cunho mais político. Pode ser usado por qualquer pessoa de gênero não-binário.

Pode conferir meu outro artigo sobre diversidade de gênero aqui.