30 de mar de 2017

Os g0ys

Antes de tudo, o que seria um g0y? É um homem (cis) que se identifica como hétero, mas que eventualmente se relaciona com outros g0ys, sem penetração e afetividade. Para este grupo, a falta de penetração não é sexo propriamente dito. Além de que o g0y deve ser, por regra, um homem de expressão e aparência masculinas.

O conceito é risível, sim. Primeiramente porque nossa tendência é questionar a sexualidade de um hétero que alguma vez se relacionou com outro homem. E, o mais importante, é a face machista dessa identidade. Dizer que só é sexo quando há penetração desconsidera gouinage e o sexo lésbico (cis). E exigir masculinidade nem preciso falar.

Bom, acabei de criticar o lado problemático. Agora farei algo diferente. Quero explorar toda extensão da identidade g0y. Pode não parecer, mas é um tema grande. Quando dissertarmos, vemos que estamos falando de: sexualidade, identidade, sociedade e o homem moderno. Isso tudo é digno de debate.

Não dá para negar que existe um estigma grande quando um homem hétero admite ter tido algum contato íntimo com outro homem. E qual seria o problema nisso? A sexualidade humana é um espectro, não caixinhas. Ninguém é 100% hétero. Ninguém é 100% nada. Cada pessoa tem sua sexualidade e adota a identidade sexual que se sente confortável.

Se eu fosse rotular esse grupo, eu diria que são bissexuais heteroafetivos - sentem atração sexual por mulheres e homens, mas só desenvolvem afetividade por mulheres. Mas quem sou eu para decidir a identidade de alguém?

Quando falamos de g0ys estamos falando de um grupo de homens que, mesmo com seus preconceitos, estão buscando liberdade sexual. Eles querem ser livres das imposições da sociedade e ao mesmo tempo tentar serem aceitos pela mesma sociedade.

Discutimos muito sobre a repreensão da sexualidade feminina (hétero) e das demais sexualidades fora do padrão heteronormativo que acabamos esquecendo de também discutir a repreensão do próprio homem. Ok, historicamente o homem sempre teve muita liberdade sexual. Sim, mas só com mulheres! Alguém já se perguntou quantos homens não tinham uma curiosidade e a reprimiram?

O foco aqui não é sobre aceitar ou não a identidade g0y. E sim analisá-la. Porque no fim ela é um efeito da repreensão sexual que a sociedade patriarcal e heteronormativa causa no próprio homem hétero.

O homem heterossexual moderno está mudando. Ele quer ser livre, assim como toda a diversidade sexual. Os dogmas e padrões afetam e reprimem todas as pessoas, incluindo as classes majoritárias. Os héteros estão no processo de aceitarem sua própria fluidez sexual. Quem somos nós para debochar ou invisibilizar isso?

Os maiores problemas dos g0ys são o machismo e a homofobia que reproduzem consequentemente. Não há nada de errado em se relacionarem com outros homens e manterem a identidade de heterossexual. A sociedade que precisa mudar.

Que maravilha seria uma sociedade em que todxs nós pudéssemos transar com quem quisermos sem julgamentos ou rótulos.



26 de mar de 2017

Sessão Yaoi (Animes/Mangás)

(Atenção: esse post não é para menores de 18 anos!)
(Nota: esse aviso não serve de nada, é só uma questão burocrática)















23 de mar de 2017

Disney e a visibilidade LGBT

Recentemente houve repercussão sobre a Disney ter colocado um personagem gay no novo filme de A Bela e a Fera. No entanto, personagens LGBTs ou personagens que se desviam dos padrões sociais (originalmente, "queers") nas produções Disney não são novidade.

A empresa nos apresentou um número considerável desses personagens, seja de maneira muito implícita ou mesmo explícita. Comentarei sobre eles, fazendo meus adendos.



Alguns vilões da Disney têm sua orientação sexual-afetiva questionada devido a seus maneirismos ou atitudes em situações específicas. Scar de O Rei Leão deve ser o exemplo mais famoso de vilões questionados: ele é afeminado e nunca mostra interesse pelas leoas. Na mesma franquia temos Timão e Pumba que, embora não sejam um casal, podem representar simbolicamente uma família homoafetiva por terem cuidado de Simba.



Ratcliffe, antagonista de Pocahontas, tem gestos e expressões característicos do estereótipo do homem gay extravagante e que se veste de maneira chamativa. Sem contar aquele cabelo...


Outro vilão muito citado em discussões sobre "personagens gays" da Disney é Hades, antagonista de Hércules. Não entendo exatamente o motivo. Deve ser pelo modo que ele fala com a personagem Maggie numa cena, pois ele tem o mesmo maneirismo de um gay moderno falando com uma amiga.


E para fechar a vilania, a vilã Ursula de A Pequena Sereia foi inspirada numa drag queen chamada Divine.


O comandante Li Shang de Mulan abriu uma série de discussões. A animação mostra bem sutilmente ele desenvolver aos poucos uma afetividade por Mulan enquanto ela fingia ser homem. No final ambos ficam juntos. A maioria considera Shang o primeiro bissexual da Disney. Mas afinal, Shang se interessava pelo gênero ou pela personalidade de Mulan? Por que não defini-lo como pansexual?


Pleakley, coadjuvante de Lilo & Stitch, se veste frequentemente com roupas femininas. Como seu gênero é masculino, ele é um exemplo de personagem que quebra imposições de gênero, no caso referente a roupas.


A gorila Terkina em Tarzan é outra figura muito comentada devido a seu jeito de "menina moleque", seu desgosto por roupas femininas e por nunca mostrar interesse nos gorilas machos. Isso não necessariamente indica que ela é lésbica (ou assexual), mas ela tem sua dose de visibilidade para quem se identifica com ela.


Muita gente fala sobre a Elsa de Frozen. Ela nunca mostra interesse por nenhum homem e termina sem um par. Isso prova que ela é lésbica? Eu diria: "talvez, não necessariamente". Elsa pode ter qualquer orientação sexual-afetiva e não estar no momento de querer alguém, não? Ela pode ser assexual também! A música "Let It Go" também é uma ótima analogia a todxs que vivem no armário e saem dele.


No mesmo filme o personagem Oaken, que aparece brevemente numa loja e oferece sua sauna para Anne e Kristoff, apresenta sua família: um rapaz e quatro crianças. A cena deixa muito implícito que o rapaz é seu marido ou parceiro.



Merida de Valente é o mesmo caso de Elsa. Ela recusa seus pretendentes arranjados e quebra papéis de gênero. Mantenho as mesmas palavras sobre ela.


O único exemplo de um casal homoafetivo mostrado beeem explicitamente é Hugo e Djali em O Corcunda de Notre Dame. A gárgula Hugo não esconde seu interesse amoroso pelo bode Djali. Na sequência, o bode está mais recíproco com seus sentimentos.




Nossa diversidade começou sendo retratada em personalidades antagonistas, o que pode refletir a ideia da época de que o que era "queer" era mau. Com o tempo surgiram retratações mais positivas junto com mais visibilidade para etnias não-caucasianas e mulheres.

O LeFou de A Bela e a Fera foi um ótimo começo em um longa-metragem da Disney, que está acompanhando a modernidade e suas ideias. A empresa está preparando seu público, em especial o infanto-juvenil, para mais personagens LGBTs. E por isso meus mais sinceros parabéns a Disney!


Quem sabe dentro de alguns anos não teremos protagonistas assumidamente LGBTs?



19 de mar de 2017

Pensamento do dia

A pessoa me diz: 

- "Não sou eu que estou matando."

Realmente, a pessoa não matou, não agrediu, não ofendeu. Que mal haveria em dizer algo preconceituoso se palavras não batem ou matam?

Infelizmente, o ser humano não funciona assim.

O que ouvimos, lemos, aprendemos desde crianças moldam nossa mentalidade e visão do mundo. O preconceito do sistema é uma semente. Sementes germinam.

Quem agride, quem persegue e quem assassina minorias também, algum dia, fez o mesmo discurso intolerante. A semente germinou até crescer na violência.

Não estou dizendo que você se tornará homicida. Mas sim, seu discurso mata também.

Seu pensamento retrógrado, sua falta de empatia pelo sofrimento alheio, sua teimosia em admitir seu preconceito e suas palavras alimentam a violência.

O que você fala se propaga, pessoas repetem, pessoas quem pesam igual espalham mais. E mais e mais e mais.

Pior ainda é nesse mundo atual; o que falamos para uma pessoa falamos para centenas!

Na sua mente, o discurso fica apenas nas palavras. Na mente alheia, pode gerar algo pior. Intolerância evoluiu para ódio. Violência é a filha do ódio.

Indiretamente, você está matando também.



12 de mar de 2017

Comentando uma notícia

Recentemente uma notícia chocante se espalhou nas redes sociais. Uma menina de 11 anos teve o aborto negado pelo SAMVVIS (Serviço de Atenção às Mulheres Vítimas de Violência Sexual) no estado do Piauí. Ela estava sendo abusada pelo padrasto há três anos. Mesmo com boletim de ocorrência, o padrasto não foi preso. A menina está na 25ª semana de gravidez.

São tantas coisas erradas num único trecho que nem sei por onde começar. Primeiramente, já é absurdo demais uma criança ter sido abusada por anos. Onde estava a família? Ou a família sabia e deixava isso acontecer? E mesmo após ser denunciado para a polícia, o pedófilo continua livre! Livre por aí!

Falando agora apenas da vítima, imaginem como deve estar a cabeça dessa criança. Abusada e sendo obrigada a levar adiante uma gestação! Ninguém acha isso problemático? Fico pasmo pela quantidade de gente mais preocupada com o feto do que com toda a situação da vítima.

O Ministério da Saúde realiza o aborto em até 12 semanas de gestação. E como já escrevi aqui, esse tempo foi estipulado por causa da formação do cérebro. Porém, esse caso me fez refletir: será que situações como esta não deveriam ser exceção? Para tudo há exceções. Estamos falando de uma criança traumatizada e negligenciada! Se bem que interromper a gravidez nesse estágio poderia ser um risco à vida da menina...

O SAMVVIS, o único grupo que poderia oferecer o apoio necessário para a menina, constou não haver "sintomas de anormalidade em sua saúde física e mental". Vem cá, quem fez esse exame??? Ela foi estuprada por três anos, como não havia danos físicos ou mentais? E agora vem o pior: a maternidade queria "encorajar" a menina a cuidar da criança, embora colocá-la para adoção seria outra opção.

A mãe da menina disse que vão doar o bebê para adoção. A criança vai ter que lidar com uma gestação e teremos mais um bebê sem família no mundo, fruto de um estupro pedófilo. Só quero fazer uma pergunta: que vida levará essas duas crianças?

O Brasil está num estado crítico. Apenas em uma notícia percebe-se a falha do próprio sistema de apoio a mulher, que a questão do aborto precisa ser mais discutida, a impunidade ainda existente e a recorrência da pedofilia. Até onde vamos? Que país bizarro...



8 de mar de 2017

Dia da Mulher

A data se chama Dia Internacional da Mulher. Eu particularmente considero como o Dia da Mulheridade. Pois a mulheridade está acima de gêneros e papeis sociais - é uma essência pura de ser.

Hoje é aquele dia que deveríamos exaltar a figura da mulher em todos os seus aspectos. Lembrar da mulher que foi deusa, rainha, mãe, guerreira, a mulher que lutou por seu espaço e seus direitos, a mulher que foi ou é exemplo para todas as pessoas.

E também acredito que deveríamos exaltar a mulheridade dessas mulheres, a mulheridade de inúmeras pessoas que viveram e mudaram o mundo, e até a mulheridade que existe dentro de cada ser humano.

Por isso mesmo dou meus mais sinceros parabéns à mulheridade.

E parabenizo todas as pessoas do gênero feminino. Todas. TODAS.

Parabéns para as mulheres jovens, adultas, velhas e anciãs.
Parabéns para as mulheres de todas as etnias, nacionalidades e culturas.
Parabéns para as mulheres de todas as classes sociais.
Parabéns para as mulheres de todos os tipos físicos e tamanhos.
Parabéns para as mulheres com ou sem deficiência(s).
Parabéns para as mulheres de todas as personalidades.
Parabéns para as mulheres cisgênero e transgênero.
Parabéns para as mulheres com vagina, com pênis, e intersexo.
Parabéns para as mulheres de todas as expressões de gênero.
Parabéns para as mulheres de todas as orientações sexuais.
Parabéns para as mulheres solteiras, namorando, noivando, casadas, divorciadas, viúvas.
Parabéns para as mulheres que são mães, avós e bisavós. E quem sabe as tataravós.
Parabéns para as mulheres que são mães e pais ao mesmo tempo. Ou guardiãs legais.
Parabéns para as mulheres que geraram e/ou adotaram.
Parabéns para as mulheres que querem ou não engravidar.
Parabéns para as mulheres que querem ou não montar uma família tradicional.
Parabéns para as mulheres monogâmicas e poliamoristas (por que só ter 1 se pode ter 7?).
Parabéns para as mulheres de todas as profissões e cargos.
Parabéns para as mulheres ateístas, agnósticas e teístas.

PARABÉNS A TODAS VOCÊS! ♀️



5 de mar de 2017

Disney e o beijo gay

Acho difícil alguém não ter visto essa "polêmica" (por que deveria ser polêmica?). Mas vamos lá: um desenho da Disney chamado Star Vs. as Forças do Mal mostrou a primeira cena de um beijo gay numa animação do estúdio Disney.

A Disney finalmente atendeu ao pedido da comunidade LGBT por visibilidade e representatividade. A inclusão de casais homoafetivos em animações infanto-juvenis também serve para mostrar a diversidade e naturalizá-la às crianças, além de acolher crianças LGBTs.


Embora o primeiro beijo gay tenha sido o maior foco, houve também outros beijos entre casais homoafetivos entre uma maioria de casais heteroafetivos. Percebe-se também uma diversidade de etnias e idades entre os casais.


E, como de praxe, um certo pastor evangélico (cujo nome me recuso a pronunciar) deu mais um show de ódio e escândalo soltando ofensas contra a Disney e convocando seus seguidores a boicotar a empresa.

Seu posicionamento, segundo suas palavras (e sua falta de lógica), era que o beijo gay estava "erotizando" as crianças e estava "ensinando educação sexual". Desde quando beijar é sexo? Desde quando beijar é erótico? E se fossem só casais heteroafetivos, a regra seria a mesma?

Não vou me prolongar sobre as incoerências fundamentadas na extrema homofobia deste pastor porque nem vale à pena. Ele sozinho faz um ótimo trabalho se contradizendo, distorcendo as coisas e mostrando que amor cristão é o que menos tem. Só digo isso: a Disney está pouco se fudendo para os gritos e ameaças desse indivíduo.

Parabéns a Disney pela iniciativa. Que venha mais visibilidade e representatividade LGBT nas animações, para que as crianças aprendam sobre a diversidade e se tornem pessoas melhores que esse pastor.

Muitos beijos em suas vidas!



1 de mar de 2017

O que penso sobre a Parada LGBT

Fui em duas Paradas até agora, em 2015 e 2016. Falei sobre elas, o tema e minha experiência. Porém, senti necessidade de falar mais criticamente sobre a Parada em si.

Até entre LGBTs há opiniões divergentes sobre a Parada. Não vou discutir se ela deve ou não existir. Farei apenas uma análise particular enquanto militante LGBT+.

Sempre tive uma ideia errada da Parada LGBT. Formei minha opinião com base no que falavam dela (quase todas essas pessoas sequer foram em uma) e no que eu via na TV (isso quando eu me preocupava em ver). Resumindo: para mim a Parada era um tipo de carnaval.

Felizmente, em 2015 confirmei com meus próprios olhos que não é toda essa baderna e "falta de respeito" que as pessoas tanto falam. A mídia também presta um desserviço quando foca mais em brigas e atos de irresponsabilidade e desrespeito do que no evento completo.

Tirando os temas abordados em cada ano, comecei a observar e levei em conta os relatos de quem já participou de pelo menos uma Parada. Sinto dizer, mas ela deixou de ser um protesto político-social e se tornou mais uma enorme balada ao ar livre.

Não é pelos corpos expostos, não é pelos beijos, não pela suposta "putaria" que acontece por lá; tudo isso são formas de protesto também! É justamente pela intenção e visão das pessoas que vão lá. Elas vão pela festa, não pelo protesto.

Na minha primeira Parada fui abordado por uma menina enviada por um rapaz que ficou interessado em mim. Ele tentou me beijar, mas eu não estava lá para aquilo. Quando falei isso, ele disse: "Então por que você veio aqui?" Fiquei sem resposta... Ele estava lá apenas para beijar! Só! A Parada perdeu o sentido político-social para aquele indivíduo.

Se perdeu o sentido para ele, para quem mais pode ter perdido? Eu diria que para centenas de outras pessoas. Nem consigo culpar as pessoas hétero-cis de também verem a Parada como um "carnaval LGBT".

Será que se pegarmos aleatoriamente dez pessoas na Parada e perguntarmos o motivo desse evento, elas saberão responder? E se, por milagre, falarem do sentido político-social, elas estão lá com essa consciência?

Não quero ser interpretado como moralista e nem estou dizendo que a Parada deveria acabar ou que nem deveria existir. Longe de mim falar um absurdo desses. A Parada é uma conquista da luta do movimento LGBT e deve ser mantida; se possível, deveria existir em todas as cidades de todos os países.

Apenas acredito que deveria ser mais política e que as pessoas, LGBTs ou não, fossem com esse pensamento. Enquanto o pessoal está beijando e dançando ao ar livre, há incontáveis LGBTs no Brasil e pelo mundo sendo vítimas de toda forma de LGBTfobia. A Parada é, em sua origem, uma resposta contra isso!

Para todxs que forem numa Parada LGBT, por favor, lembrem-se disso.