28 de jun de 2017

Livro: Over The Rainbow - um livro de contos de fadxs


Fiquei um pouco curioso quando descobri sobre essa obra escrita por cinco figuras LGBTs nacionais: Milly Lacombe, Renato Plotegher Jr., Eduardo Bressanim, Maicon Santini e Lorelay Fox. Cada uma escreveu uma recontagem de algum conto infanto-juvenil clássico sob uma perspectiva LGBT e mais adulta e urbana.

O livro é composto por cinco histórias. Cinderela, cuja protagonista é uma jovem lésbica apaixonada pela meia-irmã; João e Maria, que conta sobre um irmão e uma irmã homossexuais que enfrentam uma fanática religiosa; A Bela e a Fera, um romance entre um homem rico e descrente sobre o amor com um jovem jardineiro; Rapunzel, que é sobre um jovem que vive um romance e tem uma família intolerante; e Branca de Neve, a história de uma jovem trans abandonada pela madrasta e acolhida por sete travestis.

As histórias mantiveram semelhanças com os contos originais, retrataram bem questões presentes na vida de LGBTs (descoberta, aceitação, família, preconceito, etc), e tiveram uma ótima representatividade lésbica e trans. Muitas pessoas poderão se encontrar nos protagonistas e nas situações. As minhas críticas quanto o livro são a falta de representatividade de outros grupos, acontecimentos surreais e romances precoces. Acho que podiam ter ousado um pouco mais. Tirando essas falhas, considero o livro como uma ótima obra LGBT do Brasil e uma boa referência para leitores LGBTs do país. Espero também que seja inspiração para futuras obras melhores e representativas.

Para quem se interessar, minha resenha no site Skoob (com spoilers!): www.skoob.com.br/estante/resenhas/1342530/



22 de jun de 2017

Parada LGBT 2017

"Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei. Todas e todos por um Estado laico."

Essa foi a máxima do tema da Parada LGBT de 2017.


Optei por não ir nessa Parada. Mas tive a oportunidade de ter um contato maior com a APOGLBT, a organização da Parada LGBT no Brasil. Mês passado fui no Ciclo de Debates promovido pelo grupo e tive um conhecimento maior sobre como a Parada é organizada.

Esse ano o tema foi Estado Laico. O que é muito pertinente em relação ao nosso quadro político atual; a bancada evangélica no Congresso é uma constante ameaça aos direitos de minorias sociais e ao progresso do país.

A Parada LGBT é um evento cultural e uma manifestação político-social. A festa desse ano prometeu muita cor e muita música. Tivemos a presença de Anitta, Pabllo Vittar, Daniela Mercury e Leandra Leal. E foi prometido um número maior de participantes do que na Parada anterior. O clima também favoreceu o evento.

(Uma faixa com a primeira bandeira LGBT)

Certas marcas decidiram oferecer patrocínio, entre elas Doritos e Skol. Descobri que parte do dinheiro arrecadado na Parada foi revertido para instituições como a Casa 1, que acolhe LGBTs em situação de rua.

No entanto, ainda devo questionar toda empresa grande que decide mostrar apoio a causa LGBT e fazer discurso de inclusão. Colocar arco-íris em seus produtos e dizer umas palavras bonitas são atitudes até positivas para a causa. Mas essas mesmas empresas estão garantindo também empregabilidade de LGBTs, especialmente para transexuais, travestis, e todo grupo da periferia?

Não devemos deixar que usem a causa LGBT como um recurso para apenas conseguir dinheiro e criar uma boa imagem. Isso é desonesto. Patrocinar é algo fácil de fazer. O que a comunidade LGBT+ mais necessita de empresas grandes e ricas é de empregabilidade. Espero que as empresas que coloriram seus produtos esse ano tenham isso em mente.

Quero ressaltar que não importa quantas críticas eu faça, sempre apoiarei a existência da Parada LGBT. Ela é uma conquista da comunidade LGBT+ e como tal deve ser mantida. As falhas e a visibilidade mais G que LGBT+ que aponto antecedem a ela.

Por hoje a festa acabou, mas nossa luta não.



17 de jun de 2017

Bi - Poli - Pan

Há muito tempo escrevi um artigo sobre a diferença de bissexualidade e pansexualidade. Escrevi dentro da minha compreensão e dentro dos conceitos daquele tempo. Decidi agora reiterar sobre o que escrevi antes e fazer uma abordagem melhor sobre essas identidades.

A bissexualidade originalmente era definida como a atração pelos gêneros binários, homem e mulher, os gêneros mais predominantes. E preciso ressaltar que a atração sempre se estendeu a homens e mulheres tanto cisgênero quanto transgênero.

Atualmente, embora o conceito original ainda é usado por muita gente bi, outras pessoas reivindicaram o significado do termo.

- não faz muito tempo que algumas pessoas, através do prefixo bi (dois), definiram como atração sexual por dois gêneros, não necessariamente um gênero diferente e o mesmo gênero.
- mais recentemente o conceito mudou para atração por mais de um gênero, que pode se estender para o mesmo gênero, gêneros similares ou gêneros diferentes. Então a bissexualidade de alguém pode incluir gêneros não-binários.

Cada percepção de bissexualidade deve ser respeitada, afinal, ninguém tem o direito de interferir na identificação sexual das pessoas. A maioria das pessoas bissexuais ainda está dentro do conceito original.

A pansexualidade foi inicialmente definida como a atração por todos os gêneros. Porém, é mais adequado dizer atração independente de gêneros e sexos. Além disso, é improvável que alguém pansexual tenha tido contato com todos os gêneros possíveis.

A polissexualidade existe entre os conceitos de bi e pan. Já foi definida como atração por três gêneros ou mais, mas o conceito mais usado é atração por muitos gêneros, mas nem todos.

As três identidades sexuais possuem suas semelhanças e peculiaridades, além de estarem dentro de um espectro mais fluído e múltiplo da sexualidade humana. Uma categoria genérica que pode ser usada para elas é multi(sexualidade).

De maneira nenhuma uma identidade deve diminuir a outra ou interferir em suas pautas sociais. A bissexualidade é válida, assim como a pansexualidade e a polissexualidade. Enquanto bissexuais ainda reafirmam a capacidade de relacionar-se com mais de um gênero, pansexuais (e polissexuais) surgiram com uma posição mais inclusiva (no caso, com gêneros não-binários), desafiando nossa visão binária inicial da sexualidade.

Negar a existência de polissexuais e pansexuais é, consequentemente, uma atitude transfóbica, pois está deslegitimando gêneros não-binários.

Não devemos ficar policiando a identidade sexual alheia. Se a pessoa diz ser bi, ela é bi. Se diz ser pan, ela é pan. Se ela preferir não usar um rótulo, também é direito dela. Existe até o termo pomossexual utilizado para pessoas que preferem não definir sua orientação sexual ou que não conseguem defini-la.

Devemos respeitar a diversidade de identidades. Todas podem coexistir e todas ainda enfrentam alguma discriminação. E sim, todas fazem parte da comunidade LGBT+.

(Bandeira bissexual)

(Bandeira pansexual)

(Bandeira polissexual)



14 de jun de 2017

Pensamento do dia

Cada pessoa é um grande livro, uma letra de música, uma série ainda em continuidade, um mundo para ser descoberto, um templo ainda em construção.

Quando estão vivas, são imagens em constante movimento, que podem nos dizer muito ou pouco. Podemos só observar ou interagir. Sempre da nossa perspectiva.

Quando estão mortas, são ecos do passado que podemos ouvir ou não. Quando ouvimos, não é certeza de que estamos ouvindo toda a verdade, afinal os mortos não contam sobre sua vida.

Elas podem deixar parentes, amizades, autobiografias e registros de suas ações em vida. Sempre usaremos tudo isso para julgá-la, seja para o bem ou para o mal.

Mas é possível conhecer a pessoa totalmente? Conhecer até aquilo que ela não fala?

Entre pequenas verdades, meias-verdades, mentiras e perspectivas diferentes, nunca saberemos a total e grande verdade sobre as pessoas. Só elas podem sabê-la. Só elas a possuem.

Somos donos de nossas verdades. Tão donos que não podemos revelá-las.

"Ninguém nunca saberá."

Vivas ou mortas, o que vemos, ouvimos e sabemos das pessoas é apenas uma ponta de um iceberg. Tudo que está mais oculto, na parte mais profunda, não podemos alcançar.

Talvez possamos nos entender sem precisar chegar nessa profundidade proibida. Talvez nunca precisemos cruzar essa linha, se for possível.

Mas temos sempre aquela curiosidade...

"O que essa pessoa está escondendo?"

Nunca saberemos.



11 de jun de 2017

Divulgação: canais LGBTs

O artigo de hoje será apenas para divulgações de canais onde você poderá encontrar produções de longa ou curta-metragem focadas no Universo LGBT.



Canal Brasil - Orgulho LGBT

Seção especial do Canal Brasil com filmes e curta-metragens de temática LGBT.


A Liga Gay

Seção do site com notícias e links de algumas produções cinematográficos de temática LGBT.


Canal das Bee

Um canal mais voltado à militância, abordando principalmente sobre o mundo LGBT, mas fazendo intersecções com outros grupos (principalmente mulheres e negros).


Põe na Roda

Famoso canal mais voltado ao público gay. O canal tem um foco maior em entretenimento e a vida gay, mas ocasionalmente aborda sobre as outras classes da comunidade LGBT+.


Mandy Candy

Canal protagonizado por Mandy, uma mulher transexual. Seu conteúdo é voltado ao entretenimento e sobre seu cotidiano.


Chá dos 5

Cinco gays abordando uma diversidade de assuntos, indo do entretenimento até críticas e explicações sobre o Universo LGBT.


Para Tudo

Lorelay Fox, uma famosa drag queen brasileira, traz conteúdo sobre sua vida, drag queens e sobre pessoas trans e travestis.


Sapatômica

Reconhecido como o maior canal lésbico brasileiro. Lá aborda-se temas voltados ao mundo lésbico e temas atuais da juventude.


Muro Pequeno

Apresentado pelo Murilo, um gay negro e nordestino. Seu conteúdo é mais focado no mundo gay-negro, mas ocasionalmente aborda sobre feminismo e direitos trans.

https://www.youtube.com/channel/UCnQvEAzKAnc5lz0h6qwPL-w

Kaito Felipe

Kaito é um rapaz transexual que aborda muito sobre o mundo trans e suas vivências.

https://www.youtube.com/user/wowHyuk

Ariel Modara

Ariel fala muito sobre sua vivência como homem trans e fala sobre alguns assuntos do cotidiano.

https://www.youtube.com/channel/UCFTIDQwgbBp3Si0Azd2lFKQ

Cup

Cup fala sobre muitos assuntos dentro da comunidade LGBT+, falando também um pouco sobre sua vida e cotidiano.


Hugo Nasck

Hugo é uma pessoa não-binária que fala sobre diversos temas LGBTs e também sobre suas vivências.


Bixa Melhore

Canal de humor e entretenimento mais voltado ao público gay.


Fora da Casinha

Um canal voltado ao público gay.

https://www.youtube.com/channel/UCKv5jxFD9Mn8lxmxbLj8iPw

Eu Leio LGBT

Canal com foco em livros e produção artísticas (filmes e teatro) de temática LGBT.

https://www.youtube.com/channel/UC6REGlGpMR_P4ym6A2vw09w



Confiram e ajudem na divulgação! Dar visibilidade para canais LGBTs brasileiros é importante para o público LGBT+ e para espalhar informações sobre a comunidade, além de ajudar esses canais.



3 de jun de 2017

Bonzinho

Tenho que ser sempre o bonzinho. Tenho que ser o paciente, o tolerante, o pacifista, o racional, o resistente, aquele que releva, aquele que explica, aquele que sorri e deixa passar.

Estou numa civilização (acho que eu deveria ter colocado em aspas) que me aponta o dedo. Ri de mim, faz piada, me xinga pelas costas, me xinga pela frente, se puder até me joga algo na rua.

Mas eu aguento tudo isso. Afinal, sou o bonzinho.

A família vai me questionar, me vigiar, ou talvez ser indiferente, pois sou um caso perdido. O ciclo de amizades vai abaixar, isso faz parte. Vou sair e ser julgado de todas as formas onde quer que eu vá; as pessoas são assim, sempre foram.

Mas nem por isso vou gritar, rolar no chão, ou ter um ataque. Afinal, sou o bonzinho.

Tá bom, ninguém nasce sabendo. Nossa sociedade injeta preconceito nas crianças por todos os lados. Vou ouvir besteiras. Vou ver minha perspectiva sendo menosprezada. Meus relatos de vivência podem ser tratados com indiferença ou como vitimismo. E, ainda assim, tenho que dar tempo ao tempo, respirar fundo, e falar, discursar, para abrir a mente alheia.

E eu faço tudo isso porque sou bonzinho.

Meu amiguinho hétero-cis insistiu numa desinformação que eu, repetidas vezes, refutei. Sei do que estou falando! Eu tenho uma visão de vida diferente! Então me irrito e agora sou o radical, o agressivo, o que berra por pouca coisa.

Não consegui ser bonzinho dessa vez.

O amiguinho percebe seu erro e se desculpa comigo. Tudo bem. Está tudo bem! Tudo resolvido. Ele falou merda, refletiu, e admitiu seu erro. Missão cumprida, né?

Agora ele retoma sua vida repleta de privilégios e eu volto a ser o bonzinho. Eu e tantos outros por aí. Ele é sempre privilegiado. E eu, bem, tenho que ser o que devo ser: bonzinho. Bonzinho sempre, mesmo quando me batem ou até tentam me matar.

Até quando terei que ser o bonzinho? Às vezes cansa.